Carta escrita pelo destino

2 Seus olhos, minha claridade -By: Thália


Dois dias depois, ainda no abrigo, quando a guerra cessou, acordei, deitada em uma das grandes camas que havia lá, eu estava vestindo o casaco de Calleb, pois o meu ele usara para estancar meu próprio sangramento, do ferimento que fiz quando caí correndo para o abrigo. Levantei o olhar, e ele estava lá, sentando com o olhar claro sobre mim.

– Bom dia! — Ele disse, com aquela voz assustada, que era até fofa.

– Se você acha que o dia está bom... Você precisa de ajuda profissional. — Disse me levantando, e sentando ao lado dele.

– É apenas uma expressão. — Ele me olhava enquando eu mergulhava naqueles olhos. — E um desejo.

– Um desejo? — Perguntei saindo do transe em que entrava quando prestava atenção em seus olhos

– O desejo de que seu dia melhore, ou continue bom.

– Isso é tão amizade. Tem certeza de sua facção?

– Tenho sim. — Respondeu rindo.

Seus olhos encontraram os meus, e ele virou-se de lado para deitar na cama, e com uma das mão bateu no espaço ao seu lado, me convidando a deitar com ele.

– Sério? — Perguntei espantada, isso não parecia coisa da abnegação, talvez não os conhecesse tanto como pensava. Ele apenas assentiu com a cabeça, e eu me acomodei ao seu lado. O tempo parecia nem passar. Precisavamos ficar ali até 12:00 pelo menos, depois podiamos sair.

Ficamos deitados por um bom tempo, até ele quebrar o silêncio, como sempre:

– Posso fazer uma pergunta, Nathália?

– Calleb, já disse pra me chamar de Thália.

– Desculpe, Thália! — Corrigiu-se

– Diga, qual a pergunta?

– Como é pular em um trem?

Olhei para o relógio, e ouvi um monitor chefe dizer que estavámos liberados, e tive uma ideia:

– Só tem uma maneira de descobrir! — Olhei para ele, e ele estava com uma cara assustada.

Saímos correndo, ou eu correndo e puxando ele pelo braço, até chegarmos nos trilhos do trem. O coração dele batia tão forte, que podia sentir sua pulsação. Avistamos o trem, bem em frente, e começamos a correr, eu rápidamente pulei para dentro, e quando olhei para fora, Calleb não iria conseguir pular, estava em seu olhar desesperado e pronto para desistir, então estiquei minha mão, ele a aguarrou e sentir meu coração se contrair, então o puxei para dentro, e ele caiu ajoelhado em minha frente. Com a respiração ofegante, e o cabelo na testa, ele me olhava, e eu de novo mergulhava em seu olhar.