Notas iniciais
Huumm,bolinho de chuva,chocolate quente, e o café que embriagava só com o cheiro do pó recém torrado,era o paraíso para quem estava com fome.

O cheiro de café que tomava o ambiente era incrível,nem mesmo havia degustado e já sentia o efeito fortificante da cafeina pelo meu corpo.O chocolate quente também não deixava a desejar,várias opções de bolos e doces,pães de todos os sabores e texturas,estava no paraíso,por alguns minutos.

Depois de saciar meus instintos primitivos da fome,me tomei em consciência e lembrei que a minha frente estava sentado um homem de aparencia distinta,cabelos castanhos e desalinhados,paletó e,um sorriso de canto de boca que ele insistia em manter no rosto.Foi então que parei de comer e comecei a forçar a memoria tentando lembrar se eu o conhecia de algum lugar,pois ele deixou uma interrogativa antes de entrarmos no café: "Meu jovem, e quem foi que disse que eu sou um estranho?''.

Não era estranho? Mas eu não o conhecia...não mesmo,nunca havia visto mais gordo antes. E novamente o homem interrompeu meus pensamentos:

–Então,agora que o jovem está com as energias carregadas,vamos conversar sobre nossa viagem,e sobre a porta que precisamos encontrar,acredito que antes de partir precisaremos comprar roupas novas pra você e provavelmente alguns documentos pra liberar sua passagem no aeroporto.Aposto que quando saiu de casa nem lembrou de pegar seus documentos não é verdade? Pois bem,não se preocupe,consigo tudo isso com um amigo meu. Mas antes preciso saber se você sabe guardar segredos,pois,já tivemos problemas com alguns jovens que entraram pro nosso "clube" e que deram com a língua nos dentes,infelizmente,tivemos que dar com nosso punho no rosto deles,nada demais,mas sabe como é né...O engraçado é que eles misteriosamente desapareceram da face da Terra,sorte nossa.E então jovem,estou aqui falando,falando,diga pra mim,sabe guardar segredo? — o homem tomou um gole do café puro que havia pedido e me olhou,esperando uma resposta.

–Sinceramente senhor,ja não sei o que pensar,cada vez mais você complica minha dúvidas,primeiro diz que quer me dar uma chave,depois diz que não é um estranho,e agora me vem com essa de viagem,e pior! Praticamente está me ameaçando caso eu fale alguma coisa sobre um segredo que eu sequer sei qual é. Bom,a resposta é sim,sei guardar segredo,e não,não tenho nenhum documento,nem roupas,pois saí de casa enxotado. Mas,já que não tenho mais nada mesmo,vou encarar essa tal viagem,mas preciso que me explique melhor que diabo de porta é essa? E pra onde pretende me levar? Vamos viajar pra onde?- senti o olhar do homem me analisando,e ele estendeu o braço em minha direção. Me assustei com o movimento e abaixei,e o homem começou a rir.

–Pelo visto o café fez efeito,ha ha. Mas não se assuste jovem,só quero apertar sua mão — ele continuava com o braço estendido — É isso que as pessoas fazem quando vão se apresentar não é?

–Desculpe senhor — estendi o braço e apertei a mão dele — Então vamos nos apresentar? Bom,meu nome é Joseph,e sou o mais novo mendigo da região.Tenho em minha bagagem apenas um caderno e um lápis,e não sei o que senhor poderia querer comigo.Mas estou disposto a ajudar,não tenho nada a perder — e dessa vez,fui eu quem arqueou as sobrancelhas e sorriu ironicamente.

–Errado meu jovem,você não tem só um caderno e um lápis em sua mochila.Você tem o mundo inteiro pra descobrir,e um destino pra seguir.Você tem o que eu preciso. E aliás,meu nome é Benjamin,para os íntimos,Ben. É um prazer rever você depois de tantos anos meu jovem.

Então é Benjamin,ou Ben pra os íntimos,o nome do senhor que conseguia me deixar cada vez mais preocupado com o fato dele insistir que me conhece,sendo que eu nunca o tinha visto antes.

Depois que apertamos as mãos,fiquei olhando pra ele por alguns minutos,tentando alguma faísca de lembrança que tenha o visto antes,mas nada,nada de me lembrar dele.Ele é claro,percebeu que estava sendo analisado,se levantou e foi em direção a porta do café:

–Meu jovem,ficar me olhando assim não vai te ajudar a lembrar de mim,até porque você não vai lembrar — ele levou as mãos até o bolso do paletó e tirou um relógio de ouro,que cintilava com o brilho do sol poente-Já é hora,temos que ir até o centro para providenciar seus documentos,e roupas.E quem sabe eu resolva te dizer de onde nos conhecemos,ou melhor,de onde te conheço.

Me levantei e segui o homem pela saída.Pelo menos uma dica ele deixou,ele me conhece,mas eu não o conheço.Só não sei se isso era bom ou ruim.

Notas finais
E no anoitecer fomos de táxi até um casarão no centro da cidade. Assim conheci o amigo que iria providenciar meus documentos. Um amigo de corpo esbelto,cintura fina e lábios carnudos. Mas que amigo!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.