Carta de Convocação

1 Capítulo 1 - A carta de Convocação


Notas iniciais
Espero que gostem.

O dia tinha começado com o tempo nublado, mas não era por causa do sol que se escondia atrás das nuvens, quem dera fosse, assim Dorothy não precisaria dar aquela péssima noticia ao seu irmão, Matty, ele era sua única família, seu pai tinha morrido quando tinha cinco anos, seu irmão nem tinha chegado a conhecê-lo, seu pai tinha morrido em batalha, na guerra dos gigantes, já a sua mãe, não aguentou a perda que adoeceu desde seus seis anos cuidava dela, sua mãe fica deitada na cama com os olhos opacos, parecia que seu espirito tinha morrido e deixado seu corpo para trás. Cuidar do seu irmão sem a ajuda da mãe tinha sido difícil, se não fosse pelos vizinhos jamais teria conseguido cuidar do irmão, mas o que adiantou cuidar dele todos esses anos, se agora teria que lhe entregar aquela carta, sabia que com as baixas do exercito real em breve eles chamariam os camponeses.

- Vamos Dorothy, você precisa preparar o café da manhã – disse a jovem limpando as lagrimas e se levantando da cadeira que sentava e indo preparar o mingau.

Quando terminou, deixou o mingau esfriar um pouco, agora ela teria uma tarefa antes de tomar seu café da manhã, tinha que dar um banho em sua mãe, pegou o balde com água, que tinha deixado para esfriar, quando acordou cedo aquela manhã, com o balde na mão foi até o pequeno armário do lado da pia da cozinha e pegou um pequeno pano. Andou até o quarto da sua mãe e deu um pequeno sorriso.

- Bom dia mãe, hoje é o dia de tomar um banho – disse fingindo animação.

Começou a abrir os botões da camisola de sua mãe, pegou o pano e mergulhou ele no balde, torceu ele bem, e o dobrou até ficar um quadrado e começou a passar o pano no pescoço de sua mãe.

- Esses dias o senhor Mirrigan me ensinou a fazer armadilhas na floresta, consegui um coelho ontem – disse Dorothy, mesmo sabendo que sua mãe talvez nem escuta-se – Pude fazer um ensopado para a gente, o Matty adorou, hoje talvez eu consiga pegar mais animais para o almoço.

A jovem continuou conversando com sua mãe até terminar de banha-la e vesti-la com uma nova roupa, depois se despediu dizendo que em breve voltaria para dar o café da manhã para ela.

Quando chegou à cozinha seu irmão Matty já tinha se levantado e preparado a mesa para os dois.

- Bom dia Matty – disse animada, em quanto colocava o balde com o pano do lado da pia e se juntava em frente ao seu irmão, secou as mãos no avental do vestido que usava antes de pegar a colher.

- Eu li a carta – despejou o seu irmão, com um olhar caído.

- Matty vai da tudo certo – disse tentando anima-lo.

- Eu vou morrer igual ao papai – disse deixando uma lagrima cair.

Dorothy secou aquela pequena lagrima e olhou nos olhos de seu irmão

- Papai venceu sua primeira guerra, você também vai – disse – Sabe por que papai voltou para casa? – perguntou

- Por que ele era bom com a espada? – respondeu seu irmão em duvida

- Para vencer uma guerra não precisa só de uma espada, precisa pensar também, lembre-se disso – aconselhou – Mas não foi só por isso, ele tinha um motivo forte para se manter vivo, ele não lutava pensando em morrer, ele lutava para poder voltar para sua família.

- Obrigada Dora – agradeceu

- Agora pare de chorar, você é um homem agora – disse apertando as bochechas do seu irmão sabia que ele odiava quando fazia isso.

- Ta bom! – disse entre risos

Depois de comerem todo o mingau, era a vez de alimentar sua mãe, não contaria que seu irmão tinha recebido uma carta de convocação para ir para guerra, em quanto alimentava falava que em breve iria ir até a floresta para ver o que conseguia para o almoço. Quando acabou de alimenta-la, pegou uma escova no armário e começou a pentear o cabelo de sua mãe, tomando todo o cuidado do mundo para não machuca-la.

- Agora eu preciso ir, preciso ver o que eu consegui com as armadilhas – disse depois de penteá-la, guardou a escova e pegou a tigela – O Matty vai estar no quintal praticando com os meninos em quanto eu caço – avisou em quanto saía do quarto, deixou a tigela na pia, seu irmão lavava a pequena louça, avisou que iria caçar na floresta mas voltava logo. Pegou sua faca de caça e foi para a floresta.

Em quanto andava, tomava cuidado com o chão húmido e as raízes espalhadas. Foi até o primeiro ponto, onde colocou uma pequena armadilha, olhou cuidadosamente e viu que ela tinha sido quebrada, ficou com raiva por um instante mas se controlou, ainda tinha mais duas armadilhas para ver. Em quanto andava até o próximo ponto, tinha que tomar cuidado com alguns matos que tinha pela frente, usava sua faca para corta-los. Estava próxima do ponto da armadilha, estava tão concentrada que não reparou em uma raiz mais elevada e acabou tropeçando, ralou um pouco o joelho, mas aquilo não era nada, sujou um pouco o vestido de lama mas continuou seguindo em frente.

Apoiou-se na arvore e viu o X que fez com sua faca gravada na arvore, logo a frente estaria sua armadilha. Olhou para as raízes no chão em quanto seguia até a armadilha, dessa vez ela estava com sorte, com cuidado removeu a armadilha e pegou o coelho que caiu nela.

- Vamos ter ensopado de coelho de novo – suspirou, mas não podia reclamar afinal comida era comida, ainda mais em tempos difíceis como aquele.

Segurando o coelho pelas orelhas, seguiu até a próxima armadilha, essa ficava um pouco mais longe, com cuidado dobrado foi caminhando até o ponto, olhando as marcas que fez nas arvores para se guiar.

- Pela trilha caminho em direção do novo amanhecer, feliz serei se não me perder, quando a noite chegar eu descansarei, para amanhã caminhar outra vez.. – cantarolava, era uma musica que tinha aprendido com o seu pai quando era pequena.

Estava começando a ficar cansada, o caminho era longo e já estava ficando cansada, começou a procurar um lugar que poderia descansar antes de tomar o caminho novamente, foi quando teve uma pequena surpresa, deu um leve sorriso e foi em direção ao um pequeno tronco caído.

- Bom dia senhor Mirrigan – desejou se sentando ao lado

- Bom dia Dorothy, vejo que tivemos a mesma ideia – riu o velho.

O senhor Mirrigan já tinha seus sessenta anos, mas era um dos melhores preparador de armadilhas da vila, foi ele que a tinha ensinado a fazer as suas.

- Creio que sim – disse dando uma leve risada – Mesmo para mim é cansativo andar pela floresta.

- Essas raízes são mesmo um problema – comentou o velho

- Realmente, tropecei em uma quando vinha para cá – disse Dorothy concordando – Como anda sua caçada? – perguntou mudando de assunto.

- Não fui muito bem, alguém andou desfazendo algumas das minhas armadilhas – lamentou o velho

- Parece que temos o mesmo problema, alguém fez o mesmo com uma das minhas – comentou Dorothy – Mas vai conseguir alguma coisa para a pequena Liz? – perguntou preocupada

- Infelizmente não – respondeu o velho

- Não se preocupe, pode ficar com o coelho que eu peguei – disse estendendo o coelho – A sua neta vai adorar – disse dando um sorriso.

- Eu não posso aceitar – disse o velho Morrigan – Você precisa mais do que eu.

- Eu insisto – disse Dorothy – Ainda tenho mais uma armadilha para olhar, fora que posso pegar alguns cogumelos e frutas aqui na floresta.

- Esta bem, aceitarei.

Quando Dorothy voltou para casa estranho seu irmão não esta no quintal, mas deixou de lado, tinha que preparar o ensopado de esquilo com cogumelos. Em quanto deixava a panela no fogo foi à procura do seu irmão, perguntou aos vizinhos mas ninguém tinha o visto, isso era muito estranho, pensou em uma ideia absurda, mas poderia ser possível, voltou para casa e foi até o quarto que dividia com seu irmão, olhou o armário e confirmou o que temia, ele estava vazio, seu irmão tinha fugido, mas ele não poderia tê-la deixado. Foi correndo ao quarto da sua mãe e abriu o armário, removeu algumas roupas do lugar e viu.

- Ele pegou as joias da mamãe – disse começando a chorar

Chorou por um tempo, até que se lembrou do ensopado que estava fazendo, voltou à cozinha a tempo de salvar sua comida, colocou um pouco em duas tigelas, como estava na hora do almoço, resolveu comer de uma vez, quando terminou sua tigela, colocou-a na pia e pegou a outra tigela e foi alimentar sua mãe. Quando acabou, limpou a boca de sua mãe que tinha sujado um pouco e voltou para a cozinha, lavou a louça que sujou e saiu de casa, iria até o seu trabalho, onde servia bebidas em um bar.

O trabalho foi cansativo, alguns soldados estavam na cidade e pediram muitas bebidas, o que não foi nenhuma surpresa, ficou andando por todo estabelecimento servindo cerveja para os soldados, a única coisa boa do trabalho corriqueiro era as gorjetas que recebia, e conseguiu muito aquela tarde, mas todo trabalho tinha uma parte chata, vivia recebendo convites para passar a noite com um dos clientes do bar rejeitava os convites acanhada, dando uma desculpa esfarrapada, que fazia eles não perguntarem novamente, suas amigas de trabalho tinham pena dela, dizia que precisava se divertir mais, mas Dorothy não pensava que essa seria a melhor forma de diversão, tinha problemas para cuidar e não podia deixar sua mãe sozinha em casa.

Quando seu expediente acabou nunca se sentiu tão aliviada, voltou para casa tomou um banho rápido, já que a agua estava fria, já que estava de noite e não podia gastar lenha para esquentar a agua. Quando terminou seu banho, colocou novas roupas e foi dormir, amanhã teria que acordar bem cedo.

O sol chegou escondido pelas nuvens aquela manhã, Dorothy acordou cedo, vestiu-se com um vestido amarelado pelo tempo, penteou seus cabelos ruivos, lavou bem o seu rosto e foi preparar o seu café da manhã, comeu em silêncio, até porque não tinha mas seu irmão para conversar, quando preparava um tigela para sua mãe escutou batidas na porta, até sabia do que se tratava, colocou a tigela de volta no armário e foi atender a porta, como esperava, era um soldado, só ficou surpresa por ser um dos que a convidaram no bar no dia anterior.

- Venho atrás de Matheus Klan – disse o soldado serio

Dorothy olhou para o soldado e abriu mais a porta, dando espaço caso ele quisesse passar e sabia que ele faria isso.

- Ele fugiu – disse

O soldado nem pediu permição e invadiu a casa e foi procurar seu irmão pelos cômodos e possíveis esconderijos.

Dorothy foi até o armário novamente e encheu a tigela com um pouco do mingau, o soldado ficou atrás de si, olhou para ele, com um olhar firme.

- Creio que não achou o que procurava – comentou Dorothy

- Infelizmente não – disse o Soldado – Espero que não tenha o escondido – alertou

- Não se preocupe, eu jamais faria isso, sei o que me aconteceria – disse Dorothy – E como eu disse ele fugiu.

- Sabe o que acontecerá com ele caso o achemos não sabe? – perguntou o soldado

Dorothy estranhou o fato do soldado não ter corrido para os seus colegas para avisar rapidamente sobre a fuga do seu irmão, mas deixou quieto.

- Infelizmente – respondeu

O soldado assentiu e deixou a casa, Dorothy foi para o quarto de sua mãe e foi alimenta-la, aquela manhã deixou de conversar com sua mãe.