Carta ao Príncipe

1 Carta ao príncipe


Notas iniciais
Quem não é cativado pelo pequeno príncipe? Sempre choro quando leio, não importa quantos anos se passem.

“Peço que te vás, e rápido! Ficarei bem.”

E foste, tornando a virar o rosto para mim duas vezes, antes de desaparecer. Não queria!

Meu príncipe dos fios dourados, deves ter-te ido sem compreender minha angústia, embora a notasse em minhas palavras. Vi a interrogação em teus serenos olhos.

Explico-te novamente, o fato é que, bastou um breve momento, e tão logo pude perceber, me cativaste! E agora, todos os dias quando disponho-me a passear pelo vale e avisto o trigo, fecho os olhos e sinto-me banhada pela brisa suave como um ósculo teu pousando ao meu estreito focinho; o oscilar das folhas como os teus suaves passos; o cantarolar das aves como o teu amável riso; e por fim abro os olhos e vejo que não estás comigo, e choro. Sim, choro; choro porque me cativaste, e por isso sinto tristeza, mágoa, saudade. Mas, em meio a toda essa confusão também sinto-me feliz. Pois se estou saudosa, é porque um dia te conheci, e é isso o que faz tudo valer a pena.

E hoje aqui estou, mais uma vez, murmurando palavras ao vento da noite, como um lobo uivante; quem sabe meus pensamentos não cheguem a você? Sim, a lua se encarregará de entregar-te a carta. Teu planeta é pequeno, não sei bem ao certo onde estás... Espero que me possas escutar.

O que tenho a dizer agora é: obrigada pelas boas lembranças. Todas elas estão aqui, trancafiadas terna, e eternamente em meu pequenino coração, tão diminuto, frágil e inocente quanto tu, meu querido principezinho.

Da tua raposa.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!