Carta ao meu Agressor

Banheiro do Colégio E. M. C. F., 21 de Julho de 2013

Caro Sr. J.,

Na voz rouca do meu silêncio,

No amanhecer que me sufoca,

Eu não espero absolutamente nada;

E, contrariando-me, espero tudo. Droga!

.

Mas eu não quero coisa alguma de você:

Seus sorrisos ou sua falsa compaixão.

Não quero nada, nada de você:

Seu respeito ou seu desprezo. Essa ambição.

.

Pensei em lutar ou me proteger,

Até pensei, iludido, que um dia isso acabaria,

Mas, como um tolo, devo esconder minhas lágrimas ridículas.

Sabendo que nada no mundo agora vai funcionar.

.

Às vezes, confesso, quero esquecer as correntes na minha voz,

Mas elas estão lá, estabelecendo seu calar, silenciando-me.

Sei que já não tenho esperança ou portas a quebrar

“Tão louco, tão burro, tão idiota, desesperado...!”

.

Meu pranto agora faz caminhos

Na poeira do meu rosto envergonhado,

Ele não mais esconde meus defeitos ou cansaços

Por você tão velados e criticados.

.

Mas ainda tenho o amanhã, não é?

E esse amanhã é tão... tão... Incerto?

Oh, não. Tenho certeza que tudo se repete:

Serei esmagado, preso, enganado e ferido.

.

E, um dia, irei desistir...

Talvez numa segunda-feira.

Ou terça. Apesar de gostar das quintas.

Apenas sei que nesse dia não haverá mais um amanhã...

.

...para mim. Para nós.

Atenciosamente,

A.

Notas finais
É um desabafo, não uma carta de suicídio... é complicado. Obrigado por ler. Obrigado.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!