Carry on

3 O Primeiro Beijo


Sábado à noite. Mitchel vestia um short curto preto, uma regata preta também, com os dizeres “Nirvana” e os cabelos lisos estavam bagunçados e caídos sobre a testa em uma franja bagunçada. Nada parecido com o jovem que estava acostumado a ser na semana, sempre com roupas sociais e cabelos arrumados com gel. Ele se olhou no espelho e pareceu gostar do que viu, sorriu sozinho, e então se virou e caminhou para a cama. Caminhou até lá e parou em frente à mesma. Olhou para o lençol branco.

― Droga, eu estou com uma pequena impressão de que me esqueço de alguma coisa. ― Mitchel disse para si mesmo falando sozinho. Era um hábito feio, pensou ele, mas não ligava. O celular do jovem começou a tocar. It wasn't love, it wasn't love / It was a perfect illusion. Mitchel começou a dançar enquanto caminhava para atender o celular. Assim que o fez, sua cara de espanto foi grande, alguém havia gritado do outro lado da linha.

― Oi, Luc calma! Estou descendo.

Ele ficou em silêncio ouvindo o amigo do outro lado da linha e então um sorriso se formou em seus lábios. Ele adorava ver o amigo irritado com seus atrasos.

― Está bem, eu já entendi. Eu já entendi! ― Ele quase gritou segundo o riso. ― Eu desço em três minutos. Luc! Beijos ― Mitchel disse rindo.

O jovem então desligou o celular e começou a calçar uma botinha de cano curto, estilo militar. Levantou-se e olhou mais uma vez em seu grande espelho. Piscou para si mesmo e saiu.

Mitchel chamou o elevador e ficou a esperar. Ele sorria meio nervoso, sabia que se demorasse mais que três minutos como tinha dito, o amigo iria matá-lo. O elevador chegou e Mitchel, entrou. Digitou o térreo e a porta fechou-se o elevador desceu. Por sorte, ele morava no quarto andar, a viagem de elevador foi curta.

Oi, Zé! ― Mitchel sorriu para o porteiro do seu prédio, mas não esperou resposta, e saiu do prédio.

Um carro vermelho estava estacionado do outro lado da rua, em frente ao prédio. O vidro escuro do carro desceu lentamente e um garoto, de cabelos brancos e olhos azuis, olhava bravo.

O garoto dentro do carro era bonito, muito bonito. A pele branquinha como uma folha de papel, os cabelos lisos e espichados brancos. Os olhos puxados deixavam evidente sua descendência asiática.

Mitchel andou em passos rápidos e logo entrou pela porta de carona no carro.

― Não me mate, eu cheguei no horário. ― Mitchel disse sorrindo enquanto olhava seu celular para conferir o horário.

Oito segundos atrasado. ― O garoto coreano, falou sério e então mostrou um cronômetro para o amigo.

Mitchel riu alto quando viu que o colega estava cronometrando o seu tempo de atraso.

― Que saco, Luc. Para de seguir tudo ao pé da letra. ― Mitchel disse rindo e então beijou a bochecha do amigo.

― Na próxima vez você vai pra balada sem pinto, senhor Bergmann. ― Luc ironizou.

― Não me chame assim, isso me lembra daquele traste. ― Mitchel disse meio irritado e sabendo que o amigo iria entender de quem ele estava falando.

Luc riu alto e olhou sério para o amigo.

― Nem vem, você está, ops... Sempre foi, caidaço no Vincent! ― Luc disse rindo e dando partida no carro. ― Até eu era, ele sempre foi gostosinho.

― Não fala uma merda dessas, o cara nos odiava, esqueceu? ― Mitchel disse pensativo. ― E agora é meu chefe!

Luc riu alto e bateu no volante.

E agora é meu chefe! ― Luc imitou o amigo forçando uma voz estranha, e fazendo-o falar ainda mais afeminado. ― Nem vem, tenho certeza que você já teve fantasias sexuais com seu chefe. ― Ele olhou para amigo e piscou. ― Imagina aquele homem alto, forte, gostoso, e com certeza com uma rola enorme lhe comendo em cima da mesa de trabalho. ― Disse rindo.

― Ah seu idiota, que nojo. E que palavras são essas? ― Mitchel disse sério, mas então caiu na gargalhada, adorava a forma pejorativa do amigo falar.

O carro se movia não tão rápido.

― Mas e você? O Daniel? Resolveram-se? ―Mitchel perguntou meio na dúvida se deveria tocar nesse assunto.

Luc olhou sério para o amigo.

― Eu espero que aquele loiro do pinto fino, morra. Eu não quero ver ele nunca mais na minha vida. ― Luc disse bravo e quase perdendo o foco da rua.

― Ei, baixa a bola, presta atenção na rua e me conta o que aconteceu! ― Mitchel disse preocupado de o amigo bater o carro.

Luc pareceu pensar e então começou a falar baixo.

― Nós nos vimos na quarta feira, transamos, ele disse que tudo estava bem, e na quinta feira, o palerma postou foto com outro carinha e mudou o status de relacionamento no facebook.

Mitchel riu. Não conseguiu segurar.

― Não ri de mim, seu idiota. ― Luc disse irritado.

― Que filho da puta. ― Mitchel falou alto tentando não rir. ― Vamos esquecer esse palhação, hoje tu vai dançar beber, se divertir...

― E dar, dar muito. Eu vou dar tanto que meu cu vai arder! ― Luc disse irritado.

Os dois caíram na gargalhada, e Luc acelerou o carro.

As luzes piscavam no lugar escuro e quente. Mitchel e Luc entraram na balada e olharam em volta. O local estava lotado, mal se encontrava lugar para ficar. A pista fervia com muitos homens dançando.

― Isso está lotado. ― Mitchel reclamou.

― É o point dos garotos ricos. ― Luc concluiu.

Mitchel fez cara feia. Não era rico e odiava lugares cheios. A noite já não parecia tão legal como quando ele saiu de casa.

― Ah Mitchel, esquece que tem muita gente, só se diverte tá? ― Luc disse sério, e saindo de perto do amigo.

― Aonde você vai? ― Mitchel perguntou beirando a raiva.

― Dançar, ora. Acabei de ver um gatinho sorrindo pra mim. ― Luc disse. ― Você não vem?

Mitchel bufou. Como se estivesse a fim de ir suar feito porco.

― Lhe encontro no bar depois.

Luc piscou e se afastou dançando no ritmo da música eletrônica.

Mitchel se dirigiu para o bar e sentou em um banco vazio que conseguiu encontrar. Pelo visto as pessoas só queriam ferver na pista mesmo.

― É eu quero... ― Mitchel começou pedir para um barman forte que estava dançando enquanto preparava drinks.

― Duas caipirinhas! ― Respondeu uma voz no fundo.

Mitchel virou-se assustado ao reconhecer aquela voz que ouvia a semana inteira.

― Sr. Belluce?

Vincent riu e chegou mais perto do homem que estava sentado. Então gritou em seu ouvido.

― Não estamos na empresa. Sem formalidades, Mitchel! Você pode me chamar pelo nome.

Mitchel fez cara feia e gritou de volta, a música estava alta.

― O que você faz aqui? ― Ele perguntou irritado.

― O mesmo que você. Estou me divertindo. ― Vincent gritou de volta.

Mitchel bufou irritado.

― Acho que vai dar uma ótima noticia, hem? ― Mitchel gritou. ― Vincent Belluce, renomado diretor da Focus Enterprises Holdings, Inc. Primo e noivo de Annabeth Belluce é flagrado em boate gay.

Vincent apenas sorriu. Adorava o jeito irônico do outro.

― Só faltou você dizer, aos beijos com um de seus funcionários! ― O homem gritou mais alto que a música.

Mitchel ficou sem entender. E fez uma cara de bobo.

O-O que? ― Ele perguntou confuso e aos berros.

Vincent riu alto e então se inclinou na direção de Mitchel que estava sentado. Beijou os lábios do homem. O beijo foi rápido, mas pareceu ser quente. Mitchel sem demora afastou o chefe com um empurrão, e levou a mão a boca como se estivesse com nojo, sem demora limpou a própria boca passando a mão várias vezes.

― Você é um idiota. A porra de um maluco homofóbico. Vai para o inferno. ― Mitchel berrou enquanto descia do banco e saiu correndo do bar.

Vincent olhou e ficou rindo enquanto Mitchel esbarrava em várias tentando se afastar do bar. Vincent riu satisfeito e então colocou o copo da caipirinha no balcão, olhou sorrindo para barman.

― Por favor, me sirva outra bebida, man!