Carrossel continuação
15 Um domingo agitado
Notas iniciais
POV Paulo
Revirei-me na cama e bati no despertador que tocava. Eu nem sei porque eu colocava aquele troço para tocar. Coloquei o travesseiro na cabeça e escutei o celular tocar. Olhei para ver se atendia ou não, era Zeca.
De: Zeca
Assunto: VAMOS APRONTAR
Amanhã faremos algo de louco, não é nada demais pra mim e pros caras, mas para você é coisa nova. Iremos matar aula amanhã. Vai ser fácil, não se preocupe. Está dentro ou vai acovardar?
Matar aula? Até que não era de todo mau, eu podia levar o Koki...
Para: Zeca
Assunto: To dentro
Eu me acovardar? KKKK!! Dou risada disso. Será que eu poderia levar meu amigo, ‘cê” sabe o Kokimoto?
Enviei e fui esperar uma resposta que chegou rápido.
De: Zeca
Assunto: NÃO
Paulo, eu vou com a tua cara, mas não gostei muito daquele teu ‘amigo’. Então se ele for, você tá fora. Nos vemos amanhã no fim do primeiro tempo.
Respirei fundo, teria de despistar Kokimoto. Eu detestava aprontar sem ele, mas isso era maior.
Levantei da cama, tinha perdido o sono. Fui para a cozinha ainda de pijama encontrei meus pais e Marcelina já comendo.
—-Como você demorou, começamos a comer antes de você—meu pai avisou e eu dei ombros.
Sentei ao lado de Marcelina, o único lugar vago. Comecei a comer em silencio.
—-Vai fazer o que hoje?—Marcelina perguntou quebrando o silencio.
—-Te interessa?—retruquei.
—-Paulo, fale direito com sua irmã.—meus pais sempre tiveram esse favoritismo com Marcelina, dava até raiva.
—-Por que?—eu estava muito revoltado nessa manhã.
—-Abaixe a voz, mocinho—meu pai rosnou.—Enquanto você estiver sob o meu teto, vai ter de falar direito com sua mãe e sua irmã.
Soltei os talheres na mesa e levantei. Fui para o meu quarto e nem escutei o resto da bronca de meu pai. Vesti uma roupa, peguei meu skate e coloquei meu gorro. Quando estava saindo fui parado por meu pai.
—-Que foi?—perguntei enquanto ajeitava minha mochila nas costas.
—-Você não vai sair.—meu pai avisou.
—-Vou se eu quiser.
—-Se sair, pode voltar, mas não dependera mais de mim. Terá de comprar suas coisas sua própria comida, roupa e tudo que achar necessário.
Dei ombros. Eu podia me virar, sai pela porta ignorando meu pai.
Fui até o halfpipe dar uma espairecida. Encontrei lá um cara todo encapuzado, com um pano no rosto. Ele andava de skate mega bem. CJ. Eu me lembrava de Mario ter comentado comigo sobre ele. Como era muito cedo só tínhamos nós na rampa. Quando ele me viu sua expressão mudou, ele saiu da rampa e eu, como não sou burro, peguei meu skate e a segui.
Eu estava quase a alcançando, mas o cara era muito rápido. Resolvi tentar algo de louco, pulei do skate e cai em cima do camarada. Ele estava debaixo de mim, prendi seus braços com as mãos em cima da cabeça.
—-Me solta—a voz do tal “CJ” era meio fina. Ergui a sobrancelha.
Ergui a mão, abaixei seu capuz e tirei o pano de sua boca. Eu traumatizei quando eu vi, Alicia estava errada. CJ não era um “cara” talentoso. Mario também estava errado “ele” não estava dando em cima de Alicia. Porque CJ não era um cara, CJ era uma garota. Uma linda garota.
Fale com o autor