Carrossel continuação
7 Primeiro dia de aula part. 2
POV Paulo
–-Fala Firmino, tudo firmeza?—Koki brincou enquanto entravamos na escola.
–-Olá pequenos, ou devo dizer, grandes diabinhos. Agora estão no ensino médio certo, espero que estejam aproveitando?—Firmino falou e eu dei ombros.
–-Vamos Japa, antes que a Marcelina venha me encher.—chamei.
–-Esperem, vocês tem de passar na diretoria para pegar os horários.—Firmino lembrou e Koki gemeu.—Quanto mais rápido forem mais rápido vão sair.
Puxei Koki pela gravata e o arrastei até a secretaria. Esperamos do lado de fora.
–-Podem entrar garotos eu já peguei meu horário.—Laura saiu da sala.
Entrei com Koki dentro da sala da diretora, que estava igual da última vez.
–-Ah, olá garotos. Sentem—a gorda mandou.
Obedecemos. Ela nos encarou com aqueles olhos que pareciam de uma morsa filhote enquanto se abanava com o leque.
–-Que aulas farão esse semestre?—graças a Deus ela foi direta.
–-O mesmo do ano passado—dei ombros e Koki assentiu.
Ela deu um sorriso que me fez arrepiar. Ela imprimiu os horários e eu peguei ambos, verifiquei e vi que eu e Koki não tínhamos nenhuma aula juntos.
–-Por que não podemos ter aulas juntos?—exigi.
–-Para não causarem tumulto, se eu me lembro muito bem que ano passado vocês: pintaram cadeiras, colaram chiclete no cabelo da professora Vivian, quebraram a bateria da sala de música—senti que a gorda não ia parar de dar motivos.
–-Tá bom entendemos—interrompi e entreguei o horário para Koki.—Pelo menos temos armários próximos.—resmunguei.
–-Estão esperando o que? Saiam.—a orca mandou.
Koki e eu saímos pesarosos. Ia ser dez vezes mais difícil aprontar estando em classes separadas, e a gorda sabia disso.
–-O que vamos fazer?—Koki perguntou enquanto guardávamos nossas coisas nos armários.
Bom que eu tinha um plano.
POV Cirilo
–-Olá Cirilo.—Firmino me cumprimentou e eu sorri.
–-Oi Firmino, viu se a Maria Joaquina chegou?—perguntei.
–-Sim eu a vi passando aqui com o Jorge Cavalieri.—Firmino respondeu para o meu desespero.—Eles foram por ali.
Comecei a correr e ouvi Firmino gritando:
–-Não se esqueça dos seus horários.
Parei quando vi Jorge e Maria Joaquina conversando perto dos armários. Ela estava escorada em um armário vermelho e Jorge estava com a mão apoiada perto do rosto dela no armário azul.
–-Oi—cumprimentei com um sorriso.
–-Cirilo.—Jorge me olhou de cima abaixo.—Já chegou, foi?
–-Sim, Jorge—respondi no mesmo tom e olhei para Maria Joaquina.—Oi, o que achou da festa de ontem?
–-Foi até que legal, nada comparada a outras que eu já fui.—Maria Joaquina deu ombros e depois fez uma cara meio como se estivesse assustada.—Esqueci de pegar meus horários.
–-Eu ainda não peguei os meus podemos ir juntos—sugeri e Jorge me encarou.
–-Já que eu não tenho escolha.—Maria Joaquina bufou e depois virou-se para Jorge que ainda estava indiferente.—Te vejo no pátio?
–-Claro—Jorge respondeu antes de sair.
Sorri internamente quando Maria Joaquina e eu começamos a caminhar. Em um gesto de educação eu disse:
–-Quer que eu carregue sua mochila?
–-Não, mas obrigada. Aqui eu tenho coisas delicadas que só eu posso carregar, Cirilo.—Maria Joaquina respondeu me olhando.
Continuamos andando em silencio, até que uma hora para quebrar o gelo perguntei:
–-Você tem tido contato com a Bibi?
Bibi tinha voltado para os EUA para ficar com seus avos por um tempo. Maria Joaquina ficou arrasada.
–-Mesmo que não seja da sua conta, sim eu tenho conversado com ela. Combinamos até de nas próximas férias eu passar com ela lá nos “States” .—Maria Joaquina respondeu meio fria.
Passamos o resto do caminho em silencio. Quando chegamos em frente ao escritório abri a porta para Maria Joaquina e quando eu ia entrar ela falou:
–-Cirilo eu quero falar sozinha com a diretora então...—apontou para fora e eu obedeci meio frustrado.
Sentei no banco do lado de fora a esperando.
POV Carmem
–-Ei Daniel—cumprimentei enquanto entravamos na escola juntos.—Como vai?
–-Bem, Carmem—Daniel sorriu e eu senti meu rosto esquentar.—Quer ajuda com o seu material?
–-Pode ser.—dei ombros tentando parecer indiferente. Ele pegou minha mochila vermelha e jogou sobre os ombros.—Vamos.
Fomos andando e passamos por Firmino.
–-Não se esqueçam dos horários.—ele lembrou e eu sorri. Minha mãe tinha pegado o meu no dia anterior.
Assentimos e começamos a caminhar.
–-Quer que eu te acompanhe até a diretoria?—Daniel perguntou enquanto parávamos perto de uma árvore.
–-Já peguei meus horários, que dizer, minha mãe já pegou.—expliquei e ele riu.
–-Que engraçado, a minha também. Podemos comparar—ele pegou o meu horário e leu os dois rapidamente antes de começar a rir.
Ele ficava tão lindo quando ria. Suas linhas de expressão apareciam e ele mostrava os dentes brancos abertamente.
–-Temos o mesmo horário em praticamente tudo, menos Português.—Daniel explicou por que estava rindo e eu comecei a rir também.—Vou deixar as coisas no meu armário depois a gente se encontra na quadra.
Sorri, assenti e peguei minhas coisas. Fui para o meu armário e encontrei Laura conversando com Marcelina lá.
–-Então e esse o seu armário.—Marcelina comentou com um sorriso.—Estávamos curiosas para saber quem ia ficar com esse armário.
–-Por que?—perguntei enquanto colocava a combinação.
–-Por causa dele—Laura indicou um garoto que estava conversando com outros garotos no corredor. Ele tinha cabelos castanhos compridos, olhos castanhos, ele era meio pálido e tinha um sorriso macabro no rosto.
–-O que, que tem?—tornei a questionar, não entendendo o porquê de tanto alvoroço.
–-Ele e lindo. O jeitinho emo dele e tão romântico.—Laura respondeu como se fosse obvio e eu fosse uma sem cultura.—Eu sei tudo sobre ele. O nome dele e Tobias, ele tem dezoito anos e repetiu duas vezes o segundo ano. Ele joga futebol para o time da escola e é o capitão.
Olhei para ele de novo, ainda não entendendo o alvoroço. Preferia o Daniel a ele, mais de mil vezes.
–-Se vocês quiserem podemos mudar de armário, não me importo—dei ombros. Eu achava que ele era só um badboy que queria chamar atenção.
–-Sério? Então você troca comigo? Eu estou no fim do corredor ao lado do Jaime.—Laura perguntou. Eu já tive uma queda pelo Jaime, mas foi passageiro.
–-Não pode. Eu tentei mudar de armário com a Valeria para ela ficar perto do Davi e a diretora deu uma bronca em nos duas.—Marcelina comentou e Laura suspirou.
–-Pena que a distancia e as circunstancias nos impede de ficar juntos, Tobias.—Laura suspirou.—Como Romeu e Julieta, tão românticos.
–-Pelo visto alguém tá apaixonada já no primeiro dia de aula.—brinquei e as duas riram e eu me lembrei de algo importante.—Meninas desculpa eu marquei de encontrar com o Daniel na quadra.
–-Pelo visto eu não sou a única apaixonada.—Laura provocou enquanto eu corria com meus livros nas mãos.
Corri os olhos pela quadra e vi todo mundo menos o Daniel. Vi Maria Joaquina e Jorge tirando selfies. Cirilo conversando com Jaime e Adriano. Paulo assustando algumas garotas com Kokimoto. Mario e Alicia conversando com skates nas mãos. Todos menos ele.
–-Me procurando?—ouço a voz de ele perguntar. Olho em volta e ainda não vejo nem sua sombra.—Olha pra cima.
Obedeci e vi-o sentado em cima de um dos galhos da árvore. Ele me observava sorrindo, gentil. Daniel desceu da árvore com cuidado e parou no meu lado.
–-Desculpa ter te assustado, não era a minha intenção.—ele pediu passando a mão na nuca, gesto que fazia quando estava desconfortável.—E que você demorou então eu subi ali para te procurar.
Ouvi o sinal bater e olhei para Daniel.
–-Temos Ciências, vamos?—ele perguntou e eu assenti.
Hora do intervalo
POV Kokimoto
Pelas cuecas do samurai, aquele plano do Paulo não ia dar certo. Eu estava no meio da aula de Matemática trocando mensagem com Paulo por baixo da mesa.
De: Paulo
Assunto: Plano
Que isso Japa! Nem tão difícil vai ser, você só precisa me encontrar na frente da sala de música. Diremos que fomos falar com o Rene, o que vamos fazer, para termos um álibi quando o plano for posto em ação.
Gemi baixo.
–-Kokimoto—Adriano me cutucou e indicou a professora Elisa que estava me fuzilando com os olhos.—Não abusa da sorte.
Resolvi seguir seu conselho e coloquei o celular no bolso.
Passagem de Tempo até a hora do intervalo
POV Kokimoto
O sinal bateu e eu corri para fora da sala onde Paulo já estava me esperando.
–-Como você chegou aqui tão rápido?—perguntei enquanto íamos para a sala de música.
–-Matei a aula de História—Paulo deu ombros. Então era assim que ele me escrevia as mensagens. Aquele cara era um gênio.
–-Eu ainda acho que isso não vai dar certo—argumentei enquanto parávamos ao lado do banheiro masculino.
Paulo tirou a “Mala da Zoeira” da mochila e colocou no chão. Abriu e começou a fuçar, até parar em um pote.
–-Uou, como você fez isso?—perguntei me abaixando ao seu lado.
–-Aqui tem pimenta do reino, alho batido, sal, vitamina de morango, uvas, carne moída, uma maçã podre fatiada e suor das minhas meias—Paulo sorriu maroto.—Eu te apresento, meu caro Japa, a bomba fedorenta mais fedorenta de todas.
–-Se tem uma meia sua eu acredito—murmurei e ele me deu um tapa na cabeça.—Você vai levar mesmo isso adiante?
–-Vou. Agora vamos para a sala do Rene.
Paulo praticamente me arrastou para a sala de música. Quando chegamos lá batemos na porta e Rene atendeu.
–-Ei garotos—ele cumprimentou dando espaço para entrarmos.—A que devo a grande honra?
–-Queremos saber da professora Helena e do Vitor.—Paulo foi direto.—Eles estão bem? Soube que estão na casa da mãe da professora.
–-Eles estão bem sim, Helena quer que vocês vão visita-la. Está com saudades.—Rene respondeu rindo.—O Vitor e um doce, muito espertinho também.
–-Mesmo? Ele já está com quantos meses?—sério eu tava curioso mesmo.
–-Vai fazer quatro dia quinze desse mês.—Rene sorriu para nós entusiasmado.—Helena quer fazer até um chá de bebê para o pequeno.
Nossa conversa foi interrompida pelo toque de um celular. Rene tirou o celular do bolso e atendeu.
–-Alo, Helena?—começou a falar. Fez um sinal indicando que ia falar do lado de fora.
Quando Rene fechou a porta atrás de si, Paulo se virou para mim e disse:
–-Parece que estão conspirando para aprontarmos.
Sorri. Agora eu estava levando fé no plano.
POV Mario
–-Alicia bem que você poderia me deixar dar uma volta nesse seu skate novo hein?—perguntei e ela me olhou cética.
–-Eu acabei de ganhar e antes de estrar ele no halfpipe eu não vou emprestar ele para ninguém.—Alicia definiu e eu ri.
–-Então por que não estreamos ele hoje depois da aula?—sugeri e ela pareceu considerar a ideia.
–-Pode ser, eu não tenho nada melhor para fazer mesmo.—Alicia deu ombros e eu sorri internamente.
–-Ei Mario, você anotou o dever de Redação?—Carmem se aproximou de nos comendo uma maçã.
–-Anotei sim, porque?—indaguei confuso. Carmem era sempre tão aplicada era estranho ela não ter anotado a matéria.
–-Eu não consegui pegar, pode me passar?—Carmem explicou e eu peguei meu caderno e a entreguei.—Obrigada, eu te entrego de volta antes do sinal tocar.
Assenti e ela correu. Olhei para a Alicia que deu ombros, também confusa com a atitude da amiga.
–-Ela tá meio avoada.—Alicia comentou com um sorriso. Ela sabia de alguma coisa a mais e não tava me contando.—Você tem aula de que depois do intervalo?
–-Inglês—respondi levemente esperançoso que ela tivesse essa aula comigo.
–-Que coincidência eu também.—Alicia riu. E meu estomago deu uma revirada.
POV Maria Joaquina
–-Eu tenho aula do Rene agora.—comentei com Jorge quando o sinal bateu.
–-Eu também.—Jorge sorriu.
–-Aula de música?—Cirilo perguntou e eu meio relutante assenti.—Eu também. Posso ir com vocês?
Jorge franziu o cenho antes de responder:
–-Se não tem jeito.
Fomos caminhando juntos para a sala de música. Jorge estava carregando minhas coisas enquanto andávamos. Quando chegamos na sala entramos sem cerimonias.
–-Olá crianças, chegaram meio atrasados hein?—Rene brincou.—Entrem.
Entramos e eu me sentei perto do armário onde os instrumentos ficavam guardados.
–-Maria Joaquina, já que você está mais perto, pode pegar um dos saxofones para mim, por favor?—Rene pediu e eu assenti.
Tudo aconteceu tão rápido que eu nem percebi. Abri a porta do armário e uma gosma esverdeada caiu em cima de mim, tentei me mexer e acabei caindo no chão por cima de meu pé. Só reparei o pessoal rindo de mim.
–-Maria Joaquina—Cirilo e Jorge correram até mim.
Jorge empurrou Cirilo e tentou me ajudar a levantar. Tentei ficar de pé, mas fraquejei. Meu pé doía muito, tanto que eu nem conseguia tocar no chão.
–-Nossa esse cheiro e muito forte!—Jorge reclamou. Meu cabelo estava todo sujo e minhas roupas estavam impregnadas.
–-Você está bem?—Rene perguntou se abaixando ao meu lado.
–-Não, meu pé—eu gaguejei e Rene assentiu.
–-Jorge e...Cirilo. Levem a Maria Joaquina para a enfermaria—Rene mandou meio inquieto, ele não devia querer um acidente logo no primeiro dia de aula.
Gemi quando soube que Cirilo ia também. Jorge colocou meu braço sobre seus ombros e Cirilo também fez isso. Eles me ergueram e eu tentei mancar até a porta. Quando saímos na sala e já estávamos no corredor Cirilo bateu no meu pé, acidentalmente. Sufoquei um gemido.
–-Seu desastrado.—Jorge resmungou. Ele me pegou no colo, ao estilo noiva, e me afastou do Cirilo.—Você tá bem?
–-Sim—gaguejei.
–-Eu só quis ajudar.—Cirilo se desculpou.
–-Você já ouviu aquele ditado dizendo que muito ajuda quem não atrapalha?—Jorge perguntou irônico antes de voltar a andar comigo no colo.
Fomos parados de novo no meio do caminho por Graça que estava varrendo o caminho, a essa altura eu já sentia meus olhos marejando.
–-O que houve florzinha?—Graça perguntou.
–-Machucou o pé, não tá vendo?—Jorge retrucou. Apoiei minha cabeça em seu ombro, comecei a chorar de dor.
–-Não precisa ser grosso, bichinho.—Graça retrucou.—Vamos vou ajudar vocês a irem para a enfermaria.
Graça foi abrindo caminho por entre os poucos alunos que estavam nos corredores. Quando chegamos a enfermaria, dona Iolanda ajudou a me colocarem na maca.
–-O que houve?—perguntou enquanto esticava meu pé.
–-Alguém aprontou alguma e colocou uma gosma fedorenta em cima do armário. A Maria Joaquina quando abriu a porta fez tudo cair em cima dela.—Cirilo explicou.—E essa gosma fede.
–-Fala algo que eu não reparei?—resmunguei irritada.
–-Fique aqui um segundo, vou pedir para ligarem para seus pais.—Iolanda saiu com Graça me deixando sozinha com os meninos.
–-Cirilo vai pegar um pouco de água para a Maria Joaquina.—Jorge mandou enquanto se sentava na cadeira ao lado da maca.
Cirilo soltou um rosnado baixo antes de correr para fora da enfermaria. Quando Cirilo sumiu de vista, Jorge me encarou com os olhos brilhando.
–-Você está bem?—ele perguntou.
–-Mais ou menos—respondi enquanto dava uma leve mexida na cama.—Obrigada por me trazer.
–-Não fiz mais do que o meu dever na frente de uma dama.—Jorge brincou e beijou minha testa.—Sabe eu sei que esse não e um bom momento, mas...
Cirilo entrou bruscamente interrompendo Jorge.
–-Aqui sua água, Maria Joaquina.—falou e eu bufei. Só o Cirilo para ser sem noção e sem educação ao ponto de interromper uma conversa.
–-Obrigada—rosnei e Cirilo sorriu.
–-Depois eu termino de te falar—Jorge sussurrou só para eu ouvir. Assenti.
POV Laura
–-Laura—Adriano me chamou. Tirei os olhos da lição de Matemática e olhei para ele que estava com um papel rosa na mão.—A Marcelina pediu para eu te entregar.
Assenti e peguei o papel. Abri a cartinha e li rapidamente:
Laura, quando eu estava lá fora fiquei sabendo de um babado forte. A Maria Joaquina machucou o pé e tá na enfermaria. Eu vi com os meus próprios olhos.
Caramba! Olhei instintivamente para Marcelina que somente assentiu meio preocupada, ah isso era tão romântico. Não o machucado, sim a preocupação.
Olhei em volta e cutuquei Margarida.
–-O que?—ela sussurrou meio irritada. Sério que ela estava tentando prestar atenção na aula?
Coloquei o bilhete em sua mesa e ela abriu para ler. Depois de um tempo vi seu queixo cair relativamente. Ela olhou para mim e eu assenti indicando Marcelina com a cabeça. Margarida me passou o papel e eu escrevi no verso:
O que mais você viu?
A resposta veio rápido. Marcelina nem se preocupou de passar por Adriano. Lançou o papel pro alto e eu peguei. Por um pouco a professora não viu.
Ela tava com o Cirilo, o Jorge e a Graça indo para a enfermaria. A pobrezinha parecia tão abatida, fiquei até com dó. Chorava e tudo. O Jorge até carregou ela no colo...
Fiquei levemente corada. Eu sabia que a Margarida gostava do Jorge. Pena que ele nem me dava bola para ela. Eu também tinha umas quedas não correspondidas pelo Tobias, do segundo ano, o Alan, afilhado do avô da Alicia e pelo...Paulo. O irmão da minha melhor amiga.
Fui tirada de meus devaneios pelo sinal tocando alto. Sacudi a cabeça e olhei para Marcelina que me deu um olhar meio triste, só ela sabia do segredo que eu gostava do Jorge.
–-Marcelina e sério aquilo?—Margarida perguntou enquanto nos arrastava para qualquer outra aula que tivéssemos juntas.
–-Juro. Eu vi.—Marcelina garantiu meio cabisbaixa, não sei porque.
Passagem de Tempo
POV Paulo
–-Oh, Japonês.—puxei Kokimoto para um canto mais afastado para conversarmos sem sermos interrompidos.
–-Calma, eu ainda estou com sono da última aula.—Koki resmungou. Esse era dos meus, deve ter passado a aula toda dormindo.
–-Você vai acordar rapidinho com a novidade que eu tenho.—eu parecia uma criança na frente de um doce.
–-Que novidade?
–-O plano deu certo, até melhor do que imaginávamos.
–-Quem caiu nele?—Koki se animou rápido.
–-A Maria Joaquina.—ri e Koki me acompanhou.—Ela deve estar até agora na enfermaria cuidando do...
–-Espera. Enfermaria?—Kokimoto repetiu me olhando.—O que quer dizer com isso? Ela não se machucou né?
–-Só torceu o tornozelo—dei ombros enquanto Koki estremecia. Ele sempre gostava de ninguém saindo machucado das nossas brincadeiras.
–-Menos mal. Será que o Rene desconfiou da gente?
–-Por que desconfiaria?—uma voz grave perguntou atrás de mim. Virei e dei de cara com Rene sorrindo, acho que ainda não tinha percebido.
–-Nada não.—menti com um sorriso cínico e depois dei um cutucão no Kokimoto que ainda estava dormindo.—Né Japa Ruivo?
–-Claro, estávamos aqui...—Koki olhou para mim e eu vi Mario e Alicia vindo na nossa direção.
–-Esperando o Mario e a Alicia—expliquei acenando para eles.—Você soube do incidente da Maria Joaquina, professor?—resolvi me fazer de desentendido.
–-Eu fiquei sabendo que ela torceu o pé.—Mario entrou na conversa com Alicia para me salvar.
–-Eu estava indo visita-la agora na enfermaria, depois vou para casa.—Rene explicou meio cabisbaixo.—Querem vir comigo?
–-Desculpa, mas eu e o Mario vamos para o halfpipe. Tchau—Alicia arrastou Mario para fora da escola.
–-Nos também temos que ir—Koki falou rápido.—Vamos ao cinema né Paulo?
De onde aquele Japonês tirou isso? Cinema? Eu to aqui me preocupando em poupar centavos e ele inventa isso?
–-Claro, vamos antes que o filme esgote—menti antes de começar a puxar Koki pela gravata enquanto acenava para Rene que ria.
Bom, aprontamos a primeira de muitas desse ano e não fomos pegos. Esse ano começou com o pé direito.
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