Carrossel continuação

17 Um domingo agitado final


POV Paulo

CJ e eu estávamos sentados na sorveteria conversando.

—-Me conte um pouco sobre você—pedi curioso.

—-Bem eu me mudei para cá recentemente. Meus pais são divorciados e eu tenho um irmão mais velho. CJ e um apelido para Catherine Johnson, meu verdadeiro nome.—CJ explicou.

—-Quantos anos você tem?

—-Completei quinze nesse verão. E você?

—-Farei dezessete em abril. Você estuda aonde?

—-No estadual que fica no centro.

Eu sabia bem pouco sobre aquele colégio. Só sabia que lá iam alguns protótipos de criminosos, pois Zeca tinha frequentado lá antes de ser expulso. Engoli em seco e olhei para CJ, ela definitivamente não parecia uma criminosa.

Ela tinha cabelos loiros que iam até o ombro com uma mecha verde no meio e olhos azuis elétricos que pareciam calculistas. Aquela garota brincava constantemente com sua mecha verde.

—-Dá pra parar de me encarar?—ela pediu com uma voz de riso.

—-Perdão. Eu estava vendo o que me lembrava sobre essa escola.—menti e o sorriso dela sumiu.

—-Aposto que você vai para algum daqueles colégios particulares como esses playboyzinhos do bairro.

—-Eu vou para a Escola Mundial.—expliquei e ela me olhou como se estivesse sonhando acordada.

—-Eu queria pelo menos tentar entrar nessa escola. Tudo que dizem sobre ela é ótimo.—CJ comentou.

—-Até que lá e legal—admiti.—Quem sabe você não consegue entrar no meio do semestre, eles sempre fazem provas para bolsistas nessa época?

—-Se meu padrasto permitir.—ele murmurou.

—-Por que não permitiria? E uma das melhores escolas da reunião.

—-Digamos que ele é um pouco agressivo—CJ foi cautelosa.

—-Compreendo.—assenti.—Mas se conversar com ele quem sabe.

—-É—CJ murmurou dando ombros.—Você disse que tinha uma irmã...

Dei um leve sorriso ao lembrar-se de Marcelina.

—-Ela e mais nova do que eu, também estuda na Escola Mundial. A melhor amiga dela e uma fofoqueira de plantão. O nome dela e Marcelina.—expliquei. CJ pareceu feliz por mudarmos de assunto.—Você deveria conhecer meus amigos.

Ela segurou meu pulso com força.

—-Você não pode contar para ninguém a minha identidade.—alertou.

—-Eu já falei que não sou fofoqueiro—lembrei.

—-Se é assim, eu aceito.—CJ concordou com um sorriso.

Ela era muito parecida comigo. Gostava de ir contra padrões, não seguia as regras, queria quebrar estereótipos e detestava ser subestimada.

—-Qual seu número?—perguntei.

Ela pegou um guardanapo, uma caneta no bolso e começou a escrever. Quando acabou amassou o papel e depositou na minha mão. Abri e li o número.

—-Posso te ligar?—perguntei antes de me repreender mentalmente. Se eu tinha pedido o número claro que era para ligar. Aposto que corei, pois CJ riu.

—-Você não pode, você deve me ligar.—CJ corrigiu sorrindo.—Não se esqueça.

—-Nunca.

—-Guerra, eu tenho que ir. Não posso chegar tarde em casa. Gostei de passar a tarde com você tchau.—antes da sair CJ me deu um beijo no canto da boca e saiu correndo.

Fiquei ali parado com a mão no lugar onde ela tinha beijado.

—-Ei garoto, vai ficar ai feito idiota ou vai liberar a mesa?—uma das garçonetes perguntou.

Sacudi a cabeça antes de responder.

—-Maus.

Peguei meu skate e sai. Ainda estava meio impressionado. Fui para casa e resolvi falar com meu pai. Eu ia ter de lançar alguma conversa com ele para ele me perdoar. Ia ser fácil.