É hoje. Aquele tosco do Matsumoto Jun me paga. Eu amei ele por uma vida, e ele me joga assim, sem mais nem menos, e ainda com aquele IDIOTA do Aiba. Última vez que eles se beijam naquele carrossel do demônio, justo naquele carrossel, que eu percebi que eu amava ele, que eu queria passar o resto da minha vida, o carrossel que eu brinquei com ele, que eu percebi que minha vida não tem sentido sem um ser chamado Matsumoto Jun.

Sem idéias. Talvez eu mate os dois a facadas, não, muito clichê, além disso, fácil de perceber quem foi. Ou talvez eu possa matar um e fazer o outro sofrer de amor, não, muito psicológico. Eu quero algo grande, que prove que eu o amava muito, algo que ninguém nunca perceberia que fui eu, algo que as pessoas se perguntariam o por que, que faria com que isso nunca fosse esquecido.

Fácil. Uma bomba. Como não pensei nisso antes?

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

Comprei uma bomba de um traficante. Lá se foram minhas economias. As economias que eu estava guardando para um cruzeiro com o Jun. Mas o destino será basicamente o mesmo: Jun.

Vestiário masculino. Eu me tranco no banheiro. Só falta armar a bomba e colocar onde eles sempre se encontram: o carrossel.

Bomba armada, 30 minutos, é esse o tempo que eu tenho, é esse o tempo que o casalzinho feliz Matsumoto Jun e Masaki Aiba tem para curtir seus últimos momentos.

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

A tarde está chuvosa, tem uma pequeno probabilidade de eles não comparecerem. Se isso acontecer, fudeu, eu não sei como se desarma uma bomba.

Lá vem eles, lá longe, no fundo, casal feliz, mãos dadas, sorrisos trocados, beijos, eles terão o que merecem, eles verão a raiva de um cara apaixonado.

Eu coloco a bomba em baixo do carrossel, hoje não tem ninguém por perto, que pena, eu queria platéia, mas, já foi, bomba armada, colocada. Só falta o importante: o casal em algum desses cavalinhos felizes.

Eles sobem, sentam em um cavalo, o cavalo branco brilhante, exatamente o mesmo que eu estive com Jun algum tempo atrás. Eles se beijam, exatamente como eu queria poder ter feito quando eu estive com Jun naquele dia.

5 minutos

3 minutos

40 segundos

Eles se beijam, felizes, quando uma língua de fogo os engole, era uma vez um casal feliz. Nasce uma vingança, que termina ali. O carrossel, agora faz parte de meu passado agourento já era, junto com o casalzinho apaixonado, que estão com seus corpos carbonizados ardendo em chamas.

Não sei por que, mas eu sinto uma atração por aquele fogo, eu sinto uma vontade incontrolável de pular nele, de me juntar ao meu Jun.

Acho que é isso que chamam de “karma”, mas eu tive minha vingança, doce, ela custou minha vida, mas não faz mal, ela não tinha sentido sem o meu amado Matsumoto Jun. Quanto ao Aiba, ele não teve muita importância pra mim, foi um brinde, matei Jun, levei de brinde a alma do Aiba em minhas costas, Agora nós três ardemos no quinto dos infernos.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!