Carpe Diem

4 Capítulo III - Os Livros


Notas iniciais
- Demorei? Digam que não >
Estou desanimada com os reviews... Sei que a história está cansativa e confusa, mas a partir de agora, as coisas vão ficar tensas. Er.
Leiam o capítulo e tirem suas conclusões.
Haverá erros de digitação, perdoe-me, naõ tive tempo e revisar. Mas tá aí.

Capítulo III — Os Livros

E você cai num buraco Aquele é o único lugar que nós dois conhecemos Você me levaria com você se pudesse, mas eu não iria Eu acho que algumas vezes nós dois abrimos as nossas mentes e encontramos um melhor caminho

[The All-American Rejects — The Poison]


O tempo foi passando sóis e luas iam e vinha lentamente, sem pressa. Via Tsunade com muita menos frequência, ela tinha coisas importantíssimas para fazer, não podia ficar o tempo inteiro comigo. Em vez disso, me deixou sobre os cuidados de Kakashi, o homem de cabelos prateados que falou comigo pela primeira vez.


Eles estava me ajudando a interpretar os símbolos e a entender algumas coisas, já não me sentia tão confusa.


Disse que me encontraram no Cume das Almas, divisa entre o Vale dos Pinheiros e o Vale dos Lírios, onde os Uchiha viviam. A princípio, acharam que eu era uma espécie de garota bomba numa tentativa de ataque ao reino, encomendada pelos Uchiha e abandonada na divisa, já que cada qual não podia invadir o território do outro sem aviso prévio. Mas ao checarem meu corpo e sinais vitais, viram que eu não pertencia nem aos Uchiha, nem ao Vale dos Pinheiros e nem a nenhum outro povoado de Ongrir. Eu não tinha identificação.


Cada indivíduo tem uma áurea, uma força intangível dentro de si que podia ser despertada por alguns ‘truques’. Tsunade usou magia e não detectou nada. Kakashi sugeriu fazer exames em mim, mas quando foram recolher sangue, notaram que eu estava seca. Sim, não tinha, ou melhor, ainda não tenho uma gota de sangue. Não tenho áurea. Continuo não pertencendo a nada nem a lugar nenhum. Kakashi me explicava de forma amena e muito clara, disse que isso era raro, mas havia casos espalhados por Ongrir. O que me diferenciava, era que eu não tinha sangue e cheguei falando uma língua morta.


Ele era professor, um jovem ancião do Vale que sabia quase tudo sobre quase tudo e uma das coisas que ele conhecia bem era o mundo através do espelho, como ele me disse. O mundo dos ‘Naturais’.


–Não é como aqui em Ongrir. –Dizia ele. –Lá os Naturais tem várias formas de se comunicar e algumas dessas formas foram sendo extintas com o tempo. Latim é um idioma morto e você o falava quando despertou depois de uma semana inteira inconsciente. Creio que você tenha vindo de lá, por não obter nada característico daqui, entretanto, seu idioma, o fato de você não ter sangue é o que me intriga... Você deveria estar morta. –Disse.


–E como eu vim para aqui?


–Também é um mistério, mas não é tão relevante por hora. O que passou, passou. –Sorriu. –Precisamos nos concentrar na sua constituição a partir de agora. Você viu o Argen, o que significa que você tem um dever aqui.


–Tsunade me disse que vou tomar o trono do Vale...


–Possivelmente. Tsunade não tem herdeiros e já está numa idade avançada para conceber um. Absolutamente ninguém desse reino seria de total confiança para ela repassar a coroa, apesar de aparentar ser uma ideia absurda, dar confiança à uma estranha completamente desnorteada é o mais sensato a se fazer.


–Eu não sei... Não sei o que devo fazer.


–Primeiramente, deve entender como que as coisas funcionam, deve estudar as teorias, o abstrato, só depois vamos para a parte prática, onde você deverá sentar-se naquele trono e receber a coroa. –O olhei sabendo pelo menos por onde iríamos começar. –Se eu disser que será uma tarefa fácil estaria mentindo Sakura, mas eu posso facilitar as coisas, isso eu te garanto. –Sorriu e eu copiei seu gesto. –Para sua segurança e a do nosso reino, uma medida equivocada será feita. –Disse num tom mais sério, mais grave. –Não podemos deixar que o restante de Ongrir saiba de sua existência. Você ficará aqui. Permanentemente. Ou melhor, pelo menos até ser apresentada como sucessora do trono. Não podemos correr o risco.


Quando ele disse aquilo pra mim, pensei que não faria diferença. As coisas eram encantadoras através da janela, mas eu tinha medo de sair e me perder. Não me importava de ficar confinada dentro do meu quarto, brincando com os ornamentos na madeira das mobílias. Sabia que ali, ao lado de Tsunade e Kakashi eu estaria segura.


Só que os dias foram passando e o tédio foi se tornando algo íntimo ao longo dos dias. Meus cabelos, antes na altura dos ombros, já ultrapassavam a altura dos meus seios e eu parecia mais alta e corpulenta. Era difícil eu me olhar no espelho, e sempre quando olhava parecia me deparar com um reflexo diferente, sem nunca me esquecer da primeira vez em que me vi. Corpo doentio, olhos opacos... Àquela altura eu já tinha a cor rosada de Tsunade, um aspecto sadio e cordial, meus olhos mais intensos não poderiam ficar, de um verde tão vivo quanto o do gramado em que eu nasci.


Kakashi ensinou-me a ler os símbolos dos livros e não precisei mais de sua ajuda para traduzir as palavras. Ficava entretida lendo contos e livros da história de Ongrir por horas a fio, parava para comer e rondar o corredor atrás de Tonton, a porca de estimação de Tsunade. Ia descobrindo coisas, histórias... Desenvolvendo habilidades e formando meu próprio eu.


Eu sabia o que deveria ser, sabia qual era o propósito de eu ter nascido, mas os livros, as histórias, me levavam para aquele mundo através da janela que tanto me encantava e ao mesmo tempo tanto me amedrontava. Naquele momento eu lia Contos dos Camponeses, lendas repassadas pelas famílias bucólicas através dos anos. Sem jamais ter saído do castelo, eu já sabia como eram aqueles trabalhadores que eu avistava toda manhã pela fresta da cortina. Camponeses. Famílias grandes, supersticiosas e tradicionais, de economia escassa e pais das garotas mais belas do reino.


Em um dos contos, mencionam a existência de uma camponesa tão bela, tão bela, que quando o príncipe a avistou apaixonou-se imediatamente, mas não queriam que ele pedisse a mão da moça em casamento justamente por causa das diferenças financeiras entre ambos. O príncipe se matou. A camponesa foi morta, acusada de culpada. Trágico. A maioria das histórias eram assim e eu apreciava, faziam eu imaginar como era me sentir assim.


Só aprendi a sentir fome, sono e medo.


Depois de muito tempo, quando estava prestes a implorar para que mudassem as mobílias e papéis de parede do meu quarto para eu ter coisas diferentes para fitar e não me afogar no tédio, Kakashi me trás a notícia de que o castelo, agora, estaria totalmente liberado para eu passear.


Era difícil eu sorrir. Só sorria quando davam um sorriso pra mim, num reflexo educado que Tsunade ensinou-me, tirando essa ocasião, eu ficava impassível como sempre, mas naquele momento, eu não pude conter-me. Acho que meus lábios se estenderam até as orelhas de tanta felicidade.


Naquele momento eu senti felicidade. Descobri o que era.


–Mas não decidiram que iram manter sigilo sobre mim? –Perguntei e ele confirmou. –Não entendo... Por que isso de repente?


–Não está contente?


–Sim, estou, muito! –Disse animada. –Só um pouco confusa.


–Pra variar. –Ironizou.


–Posso te perguntar uma coisa?


–Vá em frente.


–Já chegou a hora? –Ele arqueou uma das sobrancelhas. –Digo, chegou a hora de me apresentarem para...


–Não, não! Se acalme! Eu e Tsunade tomamos essa medida por meio de que você fique entediada. Da última vez que Shizune te examinou, disse que você estava com indícios de depressão e não queremos isso. Creio que ficar aprisionada dentro de um quarto não seja uma das melhores coisa.


–Eu não conheço o mundo lá fora, então, às vezes, é como se não fizesse diferença, como se tudo se resumisse a essas paredes frias. Entretanto, você tem razão, estou agoniada. Meu único prazer é os livros e nossas conversas. –Confessou.


–Pois bem, vamos tirá-la desse sufoco. O castelo está à sua disposição para explorar, mas tem condições. –Acrescentou. –Você usará uma roupa igual a das empregadas para poder rondar todo o castelo e não ser reconhecida. –Olhei as roupas que ele me indicou, não eram muito diferentes das minhas, exceto pela cor e textura áspera. O acessório a mais era um chapéu de camponesa com um laço de cetim que Kakashi me disse para prendê-lo abaixo do queixo. –Só assim para não você ser ignorada. Tudo bem para você. –Assenti pegando os trajes. –Ah, e não saia do castelo.


–Não irei.


–Boa menina. –Acariciou meu rosto com um sorriso e se retirou.


Percebi que a liberdade que haviam me dado era uma oportunidade perfeita para me desprender do mundo dos livros e descobrir a mim mesma, quem sabe encontrar a biblioteca de onde Kakashi tirava os livros para eu ler.


Sakura. Meu nome é Sakura. Eu moro no Vale dos Pinheiros. Vou assumir o trono de Ongrir.

Notas finais
- Sakura vai explorar o castelinho do Vale dos Pinheiro hehehe Será que esta foi uma boa idéia? Será que ela vai achar a biblioteca? Vish.
Próximo capítulo uma coisa MUITO inusitada vai acontecer, e como eu disse, o circo começa pegar fogo agora