Carolina
2 Capítulo 1 - A Irmandade
Notas iniciais
CAPITULO I: A Irmandade
A Irmandade era a coisa mais perto que Carolina tinha de uma psicanálise, elas perguntavam tudo, tirava cada informação possível e tentavam construir um quebra-cabeça de emoções e sentimento, fatos e motivos. E era disso que Carolina precisava. Terapia grupal.
“O que você aprontou desta vez Carol?” Era a voz de Sofia. Sofia sempre tão racional. Nunca vi Sofia perder a cabeça por nada. Na verdade era a ela em especial que eu recorria quando tinha problemas, Sofia era uma leitora de livro compulsiva, mesmo entre a ficção e a realidade ela estava sempre focada, centrada e isso me fazia respeitá-la incrivelmente, mas sua impessoalidade a fazia parecer insensível, justamente a parte que eu não gostava, ela podia ser muito radical nas suas opiniões.
“Não fiz nada Sofia... ainda”. Respondi.
“Como você tem coragem de ponderar essa possibilidade? Vocês acabaram de se conhecer...” e Sofia continuou a falar enquanto eu tomava uma postura defensiva.
“Mas ele é um gaaaato!” Joy ponderou puxando a letra “a” da palavra, esticando-a como se fosse o próprio chiclete que estava na sua boca.
Sofia revirou os olhos. “Tinha que ser Joy a falar, por sorte ninguém normal dá atenções à sua palavra por aqui”. Mas eu não estava bem certa disso, como Joy concordava que Pedro era um gato, e nossa, dava para sentir a eletricidade no ar quando eu ouvi sua voz.
“Meu nome é Alice e essa é minha amiga, Carol”. Sai do transe e sorri meio embaraçada diante da mão de Pedro que se estendia esperando que eu respondesse a saudação. “Prazer meu nome é Carol”. Estudei Pedro e adorei o que vi. “Vocês estão indo assistir a palestra?” Pedro perguntou, e reparei nos seus olhos, como parecia que eles captavam tudo á sua volta. “Sim, estamos indo sim!” respondi empolgada. “E vocês gostaram?” “Sim, nós gostamos muito.....”. E mais uma vez me perdia á um turbilhão de pensamentos.
“Não tem problema, da mesma forma ele está super interessado na Alice” era Marina que se manifestava timidamente. Marina era assim mesmo, extremamente tímida, mas era confiável e sincera. “Oque é uma pena.. bem.. vocês dariam um casal lindo, mas é impossível olhar para meninas simples como nós quando se tem ao lado uma menina linda como Alice”. Era verdade, a intenção era fazer Alice encontrar um cara legal e parece que ela achou. Carolina sorriu pouco a pouco se acostumando com a idéia,ela não ia permitir que Alice perdesse um partidão desse....
“Então Carol... vamos?” era a voz de Alice me tirando do transe de novo... eu queria entender. “Para onde?” Alice olhou pra mim como se eu fosse uma lunática, “você não acabou de ouvir nada do que falamos?”. Sorri embaraçada novamente. “Desculpa, eu me distraí...” Alice sorriu, aquele sorriso de derreter calotas polares, e eu percebi que o charmoso jornalista já estava ganho. Ele continuou a falar e eu me perdia em meus pensamentos... ele era tão inteligente.
Reparei pelo canto dos olhos que Sofia começava a olhá-lo com outros olhos, enquanto Alice se perdia em suas palavras.
Estávamos sentados em um bar de frente para a universidade. Eu estava dividida entre Sofia e Joy. Na verdade Naomih tomou o rumo da conversa.
Naomih era a tagarela da nossa equipe, era a mais amiga de todos. Dançava e brincava, tinha mil amigos e não ligava para o sofrimento. Mas na verdade não confiava em ninguém, ela queria era se divertir e sabia que o sofrimento vinha quando se abria o coração para confiar em outra pessoa. Mas depois que passava a confiar ela não calava mais a boca, e assim foi.
Pedro pescou Naomih também, foi a conquista da Irmandade. Sofia estava fascinada por todo o conhecimento de Pedro, Marina se sentia estranhamente confortável, Joy o achava irresistível e Naomih confiava nele. Quando Carolina deu por si estava num encontro à quatro. Pedro chamou um amigo super divertido para fazer companhia à Alice e Alice não pareceu se importar com o arranjo.
Combinamos de ir à Lapa, mas antes passaríamos na casa de Pedro para tomarmos um banho, tínhamos trabalhado o dia todo. “Coloque o cinto Alice”, falei dando voz à Sofia, e Alice recusava. “Alice coloque o cinto por favor” e Alice cada vez ficava mais incomodada. Ela não conhecia essa minha faceta. Mas eu tinha medo de um acidente, como eu e Pedro estávamos no banco de trás eu não me sentia tão exposta, mas Alice mesmo assim se mostrava rebelde. Fiquei muito irritada, e Pedro passava a mão nas minhas pernas. Meu lado Marina se sentia constrangida, minha parte Sofia dizia que eu deveria colocar juízo na cabeça de Alice, Naomih estava apenas empolgada com uma futura noite de dança na lapa e Joy... Joy estava perdendo o controle absolutamente. Me abandonei ao beijo do Pedro. Incrível. Maravilhoso, ele me conquistou por completa com pouco esforço. Era tão inteligente e cavalheiro, e gentil e sexy. Como pode um homem ser tão completo? De repente esta complexidade foi a responsável pela minha conquista completa. Eu nem me importava, ele salvou um fim de semana fracassado.
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