Caro Desconhecido,
8 Sequestro
Notas iniciais
– Que cartas?
O sorriso anterior não chega nem perto da perversidade e do cinismo desse. E o batom extremamente vermelho que pinta os olhos dela deixam tudo muito mais sinistro, eles me lembram sangue, que me lembra suicídio, que me lembra Andressa, que me lembra cartas, a qual traz uma frase acompanhada "... do sangue jorrando do corpo quase imóvel que jaz no chão...". Não são lembranças muito bem-vindas, visto que estou mentindo sobre o fato de não saber de que cartas ela está falando.
– Tem certeza? – Faço um leve movimento com a cabeça, concordando. – Nesse caso, por que não se senta? – Nem pensar que vou sentar em frente a uma pessoa completamente suspeita, que por sinal nunca vi no IML. – Vamos lá, até comprei um suco para você. É de laranja, clássico e simples, geralmente as pessoas nunca o recusam.
Minha kriptonita, suco de laranja. Não meu vício, porque não é sempre que eu tenho o prazer de tomá-lo, mas com certeza posso ser subornado por ele. Sem nem pensar, na verdade sem continuar pensando, sento-me e trago o suco mais próximo de mim.
– Então, sobre o que você quer falar? – Não me importo se ela reparou que estou nervoso, se ela acha que sou louco, ou ainda, se estou me denunciando. Só quero saber o motivo disso tudo.
– Quem sabe você não possa responder isso por mim? Visto que não pôde responder à minha pergunta.
– Bom, a quanto tempo você trabalha no IML?
– Já que a nossa conversa está sendo extremamente sincera, – Senti a ironia dela me atingir. – comecei hoje mesmo. Na verdade ontem fui convocada para investigar o porquê do roubo do corpo no IML.
– Bom, isso é uma surpresa. O que me leva a acreditar que você acha que eu tenho algum envolvimento nesse acontecimento, estou certo?
– Certíssimo.
– E, será que seria muito atrevimento meu perguntar por que você suspeita de mim? – O meu desejo é sair correndo daqui agora mesmo, mas a curiosidade sobre ela me corrói, transformando-na em um motivo para morrer.
– Você realmente não sabe? – Ela ri. Como se tudo isso fosse uma piadinha. – Lucas, – Ela deixa o tom de voz mais sério, mas continua numa piada interna, só dela. – O seu rosto está nas gravações das câmeras de segurança do IML, além do seu amigo. – Droga. – Esse é um motivo bom o suficiente para você?
– Para falar bem a verdade, não. Afinal, trabalho no IML e com certeza meu rosto estará em diversas gravações, e Igor geralmente me dá carona para ir ou voltar, então esse fato não é lá essas coisas. – É sim, eu sei que é. Mas quem sabe ela não fica em dúvida e me deixa ir embora? Ou pode ser apenas um modo de enrolá-la.
– É um bom argumento, mas é incrivelmente estranho o fato de que o IML estava trancado e vocês pularam as grades e entraram pela janela, pegaram o arquivo, que tenho quase certeza de ser o de Andressa Lemos, e saíram correndo quando o segurança os encontrou. Mas, se interpretei os fatos de forma errada, por favor, me corrija.
– Acredito na liberdade de crenças e pensamentos, em hipótese alguma te forçaria a mudar de ideia apenas para acreditar no que eu disser.
– Essa conversa, aparentemente, não nos levará a lugar algum. Sendo assim, tenho coisas mais importantes para fazer. – Ela fala isso enquanto se retira. Seu rosto está calmo, mas seus olhos mostram um turbilhão de emoções. Além de que é extremamente estranho o modo como ela acabou com a conversa tão rápido.
– Claro. Até mais. – Ela não se dá ao trabalho de responder. Simplesmente acena com a mão e desaparece entre as pessoas.
– Bom, pelo menos vou tomar o suco. – Após terminá-lo, me levanto e encaminho-me até o guichê, para pagar pelo estacionamento. Enfrento a fila, as pessoas decidiram ir embora ao mesmo tempo que eu, e, após pagar, pego o elevador até o andar do estacionamento. Por incrível que pareça, ele está vazio. E, tudo fica mais vazio, quando as portas do elevador se abrem e não tem ninguém, nem uma alma, no estacionamento.
Usando minha visão periférica vejo um vulto, me viro rapidamente e não encontro nada. Talvez, tenha pelo menos uma alma viva por aqui. Encontro meu carro e procuro as chaves no meu bolso. Primeiro no bolso de trás, nada. No bolso da calça na frente, nada. Nunca coloco as chaves nesses bolsos mesmo. Então, bolso direito da jaqueta, nada. Bolso esquerdo? Nada. Droga. Isso só pode ser brincadeira com a minha cara. Eu simplesmente não posso ter perdido a chave do carro e do apartamento. Não posso. Claro! O bolso interno da jaqueta. Bingo!
Enquanto desligo o alarme sinto alguém atrás de mim, e antes de conseguir me virar, sinto uma dor terrível no braço direito e então...
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Não sei onde estou.
A última coisa da qual me lembro é de ter perdido a consciência. E então, acordei. Na verdade, não consigo nem abrir os olhos. Sei que estou amarrado em uma cadeira e com a boca tampada, provavelmente por uma fita. Os meus olhos parecem pregados, e por mais que me esforce ao máximo, não consigo abri-los. A dor é insuportável. É como se tivessem colocado algum peso sobre eles. Mas, como se não bastasse a dor dos olhos, meu corpo todo dói, o simples ato de respirar é doloroso. Não faço a mínima ideia de como eles fizeram isso, e muito menos o porquê.
Estou quase achando que me jogaram no vácuo. Para fora da atmosfera. Não ouço nada, não vejo nada, não sinto nada além de dor. Estou quase certo de que esta cadeira não está no chão. Sei disso por que a única vez que tentei mexer a perna não senti o chão, bom, talvez eu tenha sentido mas a dor me impediu de pensar em qualquer outra coisa senão nela; egoísta.
Tento abrir os olhos novamente. Quase lá. Você consegue Lucas. Os olhos te obedecem. Na verdade eles obedecem meu cérebro. Da na mesma, o cérebro é seu. Mas que porcaria é essa? Eu realmente preciso me contradizer nesse exato momento. Na verdade, você deveria se concentrar no abrir dos olhos, Lucas. Pare de falar comigo consciência. Tudo bem. Consegui!
Num primeiro momento, não consigo ver nada. Tudo está ou preto ou embaçado. Felizmente, não há luz, assim consigo me costumar rapidamente a escuridão do lugar. Posso ver algumas coisas, como um sofá escuro, e provavelmente bem desgastado, à minha direita. Minha cadeira, que descobri estar no chão, foi posta bem em frente a porta que está fechada. Não consigo distinguir mais nada, parece que além do sofá e de mim, esse lugar está vazio. É uma sala relativamente grande, visto que não consigo ver se ela continua às minhas costas. As paredes não parecem estar pintadas, o chão é rústico, não possui piso nem assoalho, é apenas de cimento. O ar está abafado e úmido, o que me leva a crer que estou no subterrâneo de alguma casa ou de outro lugar qualquer. O barulho, inexistente, prova que estou em um lugar afastado.
A dor está começando a tornar-se suportável a medida que o tempo passa. Não sei a quanto tempo estou aqui e nem quanto tempo se passou desde que recobrei a consciência. Mas, se o local for longe da cidade, já se passaram no mínimo uma hora desde que entrei no estacionamento. E é assim, do nada, que percebo que meu coração não está acelerado, não sinto nada além de confusão. O medo nem sequer deu uma espiadinha na situação. Eu simplesmente não estou entendendo nada. Afinal, não sou ninguém importante para que me sequestrem por dinheiro, não existem motivos para me matar, eu acho. A única coisa que talvez tenha chamado a atenção deles é fato de que eu trabalho no IML. Mas, depois do corpo de Andressa desaparecido, não estou em nenhum outro caso. Ou será que é exatamente isso? Não, por que eles me sequestrariam por causa das cartas? Eu não contei para ninguém, além de Igor. E Letícia e o IML não fariam isso, seria ridículo demais. A não ser que ela não seja do IML.
É pensando nisso que ouço um barulho. Parece que alguém finalmente decidiu me visitar, que cordial. Ele está andando bem acima de mim, o som de passos está mais alto e aparentemente o homem cordial não está sozinho. Agora o barulho é como o de um sapato de salto, uma mulher. Eles falam alguma coisa que não consigo entender. As vozes vão aumentando de volume e o ruído de passos acaba. A conversa parece ter se transformado em uma briga feia. A mulher fala sobre manter o plano, e o homem parece discordar do plano. Muito estranho e confuso. Então eles parecem se acalmar, as vozes voltam a ser baixas e o silêncio se torna insuportável.
Então, o ruído de passos volta, se tornando mais alto a medida que eles se aproximam da porta. Um interruptor é ligado, deixando que a luz escape pelo vão porta, chegando até mim. Eles descem algumas escadas e, por um momento, ficam quietos. O som dos seus sapatos parece alto demais. Posso ver a sombra de seus pés por baixo da porta. Uma chave é colocada, a maçaneta é empurrada para baixo, e discreta e lentamente a porta é aberta. A luz irradia e os meus olhos fecham, incomodados.
O homem solta um riso discreto e quase imperceptível.
– Ora, ora, ora, a bela adormecida finalmente decidiu abrir os olhos? – Ele ri. O tom de sua voz é tão sarcástico que o sinto pairar no ar. – Não vai abrir os olhos para nós? Ou está doendo muito? – Abro os olhos lentamente. A dor agora é quase nula. A sala está iluminada, mas somente pela luz vinda do corredor. Estava certo quanto a sala, apenas um sofá, extremamente velho e deteriorado, o chão é de concreto e as paredes não estão pintadas. Mas, o que realmente mudou é que meus olhos veem um grande homem parado a minha frente. Ele deve ter um e noventa de altura, seu porte é de um lutador, aproximadamente 90kg, sua pele é tão pálida que o contraste com o terno preto é gritante. Os cabelos são curtos e loiros, e uma longa cicatriz atravessa sua sobrancelha. A boca está contorcida em uma careta, por mais que tenha quase certeza de que a intenção era dar um sorriso intimidador. Os olhos são escuros e frios. Assustador seria uma característica desinteressante, ele é intimidador ao primeiro olhar, mas então parece só mais uma pessoa que desistiu da carreira de lutador.
– Deixe-me vê-lo. – A voz é feminina. E é só agora que me permito olhá-la. – Eu não lhe disse para não bater nele? – A voz dela é autoritária. Seus olhos azuis estão compenetrados em olhar cada centímetro da minha pessoa, e eles carregam um pouco de preocupação. Aparentemente, a surra foi feia. Ela continua me olhando, os cabelos longos e negros escorrem por seus ombros. Ela é relativamente alta, um casaco branco encobre parcialmente um vestido de mesma cor que emoldura seu corpo, apesar de não parecer justo. Os sapatos claros realmente são de salto. Sua expressão não condiz com a voz autoritária que ela usou alguns minutos antes. O silêncio entre nós pode ser classificado como constrangedor. E nenhum dos dois parece estar querendo quebrá-lo.
– Solte-o. – O lutador não parece muito feliz com a decisão dela, mas obedece. Seu olhar frio não me intimida. Ele pega uma faca, afiadíssima, e corta a corda que prendia minhas mãos atrás da cadeira. Quando sinto que elas estão livres trago-as para junto de mim e passo as mãos no pulso dolorido, a sensação é de alívio, por mais que os músculos pareçam rígidos. Então ele vem a minha frente, se abaixa e corta a corda que mantinha meus pés juntos e amarrados a cadeira. A sensação de liberdade é gritante em minha mente. Quase me levanto, mas acho melhor continuar sentado e em silêncio. O lutador se posta ao lado da mulher, esperando outra ordem.
– Sinto muito pelos machucados e pela dor, Lucas. Não era a minha intenção fazê-lo sofrer. – Ela lança um olhar cortante para o lutador, que engole em seco. – Mas, trazê-lo até aqui era necessário. Precisamos que divida conosco algumas informações. E antes que recuse, apenas ouça, tudo bem? – Eu não ia recusar tão imediatamente, então concordo com um leve movimento. Ela se aproxima alguns passos. – Eu simplesmente não sei como começar. É tudo tão diferente do que esperávamos. Nada era para ter acontecido dessa maneira, eu jamais planejaria algo nessa magnitude se não tivesse um motivo de extrema importância. E, por mais que a história pareça egoísta ou narcisista para você, considere que o ser humano não pensa em alguns momentos, ele simplesmente age. Ele não pondera nem por um momento que essa decisão pode afetá-lo com mais força do que à pessoa que ele quer prejudicar. Eu não sei o porquê de ter decidido te trazer até aqui para te contar algo, que me assusta e parece tão irreal na maioria dos momentos, mas senti que poderia confiar em você. Por que ela confiou.
– Ela? – Minha voz sai rouca e baixa. Eu não consigo absorver tudo de uma vez. E eu realmente não quero acreditar no que a minha mente está dizendo.
– Andressa. – Ela deve ter percebido minha total confusão e assombro. – Eu sei que isso é tudo muito confuso, e que talvez você não queira levar isso a sério, mas eu quero que saiba que todas essas cartas são importantes, e você não precisa negar nada sobre elas, eu sei que você as recebeu, eu também recebi algumas. Claro, que talvez não da mesma forma que você, se não me engano você precisou encontrá-las, não é?
– Como você sabe disso tudo? – Minha surpresa é surpreendente – Você não precisou encontrá-las?
– Não. Pelo menos não as duas primeiras. Mas, acho que a partir de agora precisarei procurá-las também. Eu sei disso porque ela me disse, não ela literalmente, mas as cartas dela. Na última ela me disse que havia deixado uma carta escondida em seu corpo, para que outra pessoa encontrasse, como um plano B. Então fui até o IML e procurei saber quem era o médico-legista que estava analisando o corpo dela. Eles me disseram que provavelmente era Lucas Maretti. Você.
– Sim. Eu. – Ainda não consigo entender tudo. – Mas, por que tudo isso?
– Por que eu preciso da sua ajuda, Lucas. Eu preciso que você me ajude a encontrar as outras cartas, preciso da sua ajuda para descobrir o que ela deixou. E sinto que a carta não foi parar em suas mãos por acaso. Sinto que ela queria que fosse você.
– Como você pode ter tanta certeza?
– Eu não sei. É só um sentimento, lá no fundo sabe? Como se minha intuição dissesse.
– Eu não entendo. O que você quer que eu faça?
– Você não precisa entender nada. Eu sabia que essa não era uma boa ideia. – Esse foi o lutador.
– André! – A voz dela faz um eco fraco. E o lutador, vulgo André, ficou parado com um ar de quem não está gostando disso. – Andressa, em sua última carta para mim, disse que eu precisaria de ajuda para encontrar as outras, ajuda da única outra pessoa que havia recebido as cartas, além de mim. Eu não sei por que ela queria isso ou por que o fez, mas sei que precisamos fazer exatamente como ela quer. Então estou aqui precisando e pedindo sua ajuda.
– Como?
– Eu não sei ainda. Eu só preciso de uma resposta e de um voto de confiança, Lucas. Você pode me ajudar?
– E como vou saber que essa é a coisa certa? Você praticamente me sequestrou!
– Por favor, eu estava desesperada e não sabia o que fazer. Foi um ato impulsivo. Me desculpe.
Por um momento eu pensei seriamente em recusar, tudo isso era tão absurdo, tão surreal. Mas vi nos olhos dela a sinceridade. Ela também queria saber o que aconteceu, ela estava sendo sincera. Andressa parecia ser muito importante para ela.
– Sim, eu farei o possível para te ajudar. – Só o sorriso e o alívio nos olhos dela me passaram toda a sua confiança.
– Obrigada. Muito obrigada. Eu nem sei como agradecer. – Ela sorria mais largamente. – Eu vou te mostrar todas as cartas que recebi, e gostaria de ver as suas também.
– Claro. E, como faremos isso?
– Amanhã. Podemos nos encontrar em um lugar neutro. Discreto.
– E, suponho que a noite.
– Sim. Conhece algum lugar?
– Não.
– Então, venha até aqui mesmo. Te darei um papel com o endereço e amanhã a noite estarei te esperando. E, se quiser trazer seu amigo junto, se achar que é necessário, sinta-se a vontade.
– Obrigado. Trarei e virei.
– Ótimo.
Ela se vira e anda até a porta. André, o lutador, fica parado e dirige olhar de cortar cabeças para mim.
– André? Lucas? Vamos.
André a segue e eu também. Atravessamos o pequeno corredor, um atrás do outro, e subimos as escadas. André apaga a luz e fecha a porta. Nos encontramos em uma sala grande, com um piso de madeira lustroso e as paredes pintadas com uma cor clara, aparentemente creme e três sofás estão no centro. Uma das paredes está encoberta por uma estante enorme, cheia de livros. Na outra, duas janelas com cortinas que vão até o chão, me impedindo de ver o lado de fora. No meio dos sofás há uma mesa baixa e, em cima dela, uma pilha de papéis e uma caneta. Ela pega um papel e a caneta, senta-se no sofá e começa a escrever no papel, provavelmente o endereço. Fico em pé, e André se posta ao meu lado.
– Prontinho. Aqui está o endereço. – Ela diz se levantando e vindo até mim.
– Obrigado. Então, acho que nos vemos amanhã.
– Sim. – Ela sorri docemente. – Vou te acompanhar até a porta. – E dirigindo-se a André. – Pode ficar aqui ou ir para seu quarto.
André sai. E ela me mostra a direção que devo seguir. Andamos por um corredor e passamos por uma escada que leva ao segundo andar. Paramos junto a porta, esta que ela abriu sem o uso de chave. Olho para fora e vejo meu carro.
– Muito obrigado, Lucas. – Olho para ela, e ela para a lua. – Eu não sei por que ela fez aquilo. Eu não quero acreditar. – Não sei o que falar, então apenas escuto. – Bom, acho melhor você ir. Se seguir a rodovia por dois quilômetros encontrará as placas para voltar para a sua casa.
– Tudo bem. Até amanhã.
– Até amanhã.
Ela fica olhando para mim, como se quisesse dizer algo. Então, ela me surpreende com um abraço apertado, que após um momento de choque, retribuo.
– Você sabe meu nome, mas eu não tenho nem ideia de qual é o seu. – Ela não desafrocha o abraço, então posso sentir ela sorrir.
– Meu nome é Antonella. – Ela se afasta.
– Até logo, Antonella.
– Até mais, Lucas.
Sorrio, e vou até o carro que está aberto, quando entro me toco de que as chaves não estão comigo. Mas, antes que eu possa chamá-la, vejo elas na ignição. Ligo o carro e olho para a porta. Antonella já entrou. Entro na rodovia e dirijo até o apartamento. Não sei o que pensar de tudo isso, não sei se posso confiar nela. Eu não sei de mais nada.
Mas, sei que tudo o que Andressa me pedir para fazer, farei.
Porque eu estou oficialmente dentro do jogo.
E não vou desistir.
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