Caro Desconhecido,
1 Prólogo
Notas iniciais
Caro Desconhecido,
Em nenhum momento da minha vida medíocre pensei que estaria envolvida em tamanha armadilha. Um assassinato. Eu deveria ter ficado em casa, deitada tranquila na minha cama, lendo um livro cheio de romance ou sonhando com um príncipe encantado que nunca existiria.
Não.
Eu, definitivamente, não estava tranquila. Remorso. Um sentimento incurável e perverso. Você acordará todas as manhãs o sentindo, irá dormir o sentindo e, em todos os momentos em que você estiver perdido em pensamentos, ele estará lá. O corroendo, te lembrará do olhar cheio de pavor de sua vítima, dos gritos clamando por socorro, dos gemidos de dor, do sangue jorrando do corpo quase imóvel que jaz no chão e do último suspiro que levou um anjo para longe.
Durante toda minha vida vivi para ler, sonhar e escrever. Era meu refúgio, meu consolo e primeiro amor. Mas, nem meus antigos e leais amigos, que sempre me esperaram e ouviram minhas dores e murmúrios, conseguiram exercer seu papel.
A dor é minha maldição.
O remorso, meu monstro.
A solidão, amarga lembrança.
Minha única saída é o suicídio.
(In)felizmente, se tornou a única ambição para a qual eu vivo. O que soa totalmente errado; viver para morrer.
E esta carta será a única pista que você terá sobre mim. Claro que somente se você, caro desconhecido, for corajoso o suficiente. Será meu meio de comunicação com as pessoas que realmente precisam do que escondi. E, ao concordar em fazer tudo o que uma morta disser terá 100% de chance de morrer. Talvez sua morte seja lenta e dolorosa ou você será esquartejado vivo e em grande agonia dará seu último suspiro.
Tenho uma notícia má e uma boa. Primeiro a notícia má: você certamente morrerá. A notícia boa, bem não existe nenhuma notícia boa. Eu, claro, poderia dizer que você pode sobreviver no fim, que se apaixonará, e encontrará um tesouro que o deixará multimilionário, mas isso nunca acontecerá.
Te desejo apenas uma única palavra: morte.
E saiba que essa não é uma simples carta de suicídio, é uma carta que te matará e transformará sua vida em um inferno, você matará, apanhará, buscará, sofrerá, torturará e passará por momentos aterrorizantes, além de viver em uma farsa, no qual um passo em falso o fará cair em uma armadilha eterna.
Apenas se lembre de que o remorso será seu melhor amigo e seu pior inimigo. Ele é incansável, insaciável, controlador e sanguessuga. Ele o matará.
Só peço um único favor. Se passar por todos os obstáculos que lhe serão impostos e sobreviver, fuja. Viva. Esqueça cada detalhe do que você viu, ouviu e sentiu. Deixe os sentimentos mais profundos de lado e se afaste de todos os que você ama. Seja forte. E, quando isso acontecer, mude. Mude a cor do cabelo, o seu estilo de vida, seus hábitos antigos e os que você adquiriu durante nossa jornada. Seja outra pessoa. E, assim como eu, você morrerá de remorso.
[Como você deve ter percebido suas chances de sobreviver são praticamente inexistentes, se não morrer durante a jornada (o que é bem provável), você morrerá após ela.]
ASS. Andressa Lemos
Fale com o autor