Caro Desconhecido,
5 Invasão
Notas iniciais
Levanto exausto e me sentindo um gênio da matemática que acaba de descobrir se a matemática foi descoberta ou criada.
Tudo bem, isso pode ter sido um grande exagero. Na verdade eu não sei por que eu penso coisas e depois me contradigo. Mas sem mais delongas decidi o que vou fazer: Tornar-me o investigador que nunca fui. O que eu realmente espero que dê certo.
E foi sentado na minha cama, com os olhos pesados, cara de sono, sem camisa e com um short que Deus me livre é que a memória vem como um chute na minha têmpora.
“Eu tinha exatos doze anos. 25 de novembro de 2001. Eram 15h35min e eu estava a todo o momento olhando para meu relógio de pulso novinho em folha, o melhor presente que eu poderia ter ganhado do homem que eu mais admirei, esperando que cada um dos garotos que eu havia convidado para a minha primeira, e última, festa de aniversário chegassem. Sentado quase em frente ao portão, com uma mesa sustentando um bolo decorado com uma imagem nerd que eu não me lembro, logo atrás de mim, alguns brigadeiros estão espalhados ao redor do bolo. Refrigerantes dão à mesa um toque informal e comum, mostrando que eu sou apenas mais um garoto de doze anos esperando. Esperando uma vida que nunca alcançarei. Uma família de verdade, amigos aos milhares, ter o suficiente para ter o que quiser, ser descolado e burro o suficiente para que os outros garotos me idolatrem como eu os idolatro, ter algo no que crer. Mas, o que realmente ganhei foi um abraço deslocado e um simplório sinto muito da única pessoa que sempre esteve presente. Igor. Meu irmão mais velho que nunca foi meu irmão mais velho, literalmente. Crescemos juntos e enfrentamos os maiores obstáculos da vida juntos. Na verdade aos doze anos éramos amigos e o maior problema que surgiu para nós foi quando, inocentemente, derrubamos cola misturada com tinta guache em cima das provas da professora Margarete da 4ª série. O melhor de tudo foi quando ele tornou um momento desesperador e vergonhoso em algo bom. Ele olhou no fundo dos meus olhos e disse: “Aqueles cretinos nos deixaram um banquete.” E rimos, comemos, e rimos de novo e de novo e de novo até que a comida estava subindo pela nossa garganta e nossas bocas não aguentavam abrir um milímetro se quer. Se foi de tanto mastigar e receber comida ou de tanto rir nunca saberemos. Mas lembro que vi minha mãe nos observando da fresta da cortina com um sorriso doce nos lábios que indicava satisfação e orgulho.”
Nunca entendi o porquê daquele sorriso. E talvez seja um mistério que sempre refrescará a minha memória e a manterá viva.
Daí você se pergunta: Que diabos isso tem a ver com a história?
Foi nesse dia que alimentei meu sonho de ser um detetive. Sherlock Holmes se tornou meu herói. E eu me tornei Sherlock Holmes Jr. e Igor, meu caro Watson. Eu fingia não ver os olhares tortos dos outros garotos e das garotas (que já não eram tão nojentas assim). E meu objetivo era descobrir porque as pessoas me tratavam diferente. Por que garotos de doze anos se acham o máximo quando não são? Por que ser inteligente não é descolado? Por que nos tornamos juízes como nossos pais? Por que vivemos em um mundo contra a integridade? Por que somos ensinados a nos dividir em grupos de acordo com o índice de descolaridade? Por que todos tratam Lucas Maretti como um pária?
Eu nunca consegui descobrir. Eu nunca tive argumentos o suficiente para responder cada uma dessas perguntas. E então eu desisti. Devo dizer que Igor nunca desistiu de mim. Ele podia ter simplesmente me esquecido como todos. Ele era descolado, afinal. Tinha tudo para ser popular e esnobe, mas tinha eu. Ele nunca me deixou sozinho no recreio, nunca me deixou transformar trabalhos em duplas em trabalhos individuais, nunca deixou que eu apanhasse sozinho. E ainda era popular.
Quando o Ensino Médio chegou, uma esperança brotou. E eu a reguei. Cuidei dela com dedicação. Igor esteve o verão todo ali. Treinamos como ser mais descolados, na verdade ele me treinou, e logo no primeiro dia todo o nosso trabalho foi por água abaixo. Eu continuei sendo o nerd e Igor o descolado que andava com o nerd. Isso me abalou durante os primeiros dois anos, mas nunca abalou o Igor. Ele ria e me protegia dos ataques morais. Ele estava lá. Mas, tudo se torna insuportável. A proteção, a pena de garotas não mais nojentas, e o desdém.
Então no terceiro ano, o último, eu estava preparado. Colégio particular, alunos esnobes e inteligentes. Eu entrei no pátio completamente invisível. Um moletom preto, calça jeans preta. Um protesto silencioso. Não cumprimentei ninguém, evitei o olhar e o cumprimento de Igor, não respondi ao meu nome nas chamadas, não prestei atenção às provocações. Mas não foi fácil ignorar Igor Auguste. Ele me importunou até que eu o deixasse invadir meu espaço pessoal. Ajudou em alguma coisa? Provavelmente não. Minha fase rebelde me tornou uma pessoa melhor? Não. Mudou minha forma de pensar? Sim.
Eu me tornei um emo depressivo que só pensava em morte. Me envolvi com uma turma da pesada, comecei a usar drogas, ingerir álcool, ir a festas onde os remédios se tornaram drogas baratas, me envolvi com pessoas que me mantiveram na palma de suas mãos. Não foi Igor que me salvou. Não foi minha parte racional que sobreviveu que me fez acordar para a realidade. Foi minha fé. Minha fé em um Deus. Minha fé na esperança. Minha fé em dias melhores. Minha fé nos meus sonhos. Minha fé no Igor. Minha fé em mim mesmo. Patético? Sim. Mas eu realmente não me importo. E eu agradeço por essa minha rebeldia ter durado apenas um mês. Por que com a minha força de vontade e inteligência e a torcida do Igor eu me formei como melhor aluno da classe e passei em primeiro lugar em medicina. Não, eu não me tornei um detetive, eu havia deletado aquilo da minha mente a alguns anos. Eu decidi que queria mostrar a verdade, ser útil e descobrir o quê levou pessoas para o outro lado. Então, alguns anos depois aqui estou eu. Um médico-legista que trabalha para o IML local, na verdade esse caso estranho é o meu primeiro como já havia comentado anteriormente, moro com meu melhor amigo que ainda está decidindo o que fazer da vida. Mas, neste exato momento eu decidi mudar isso. Eu vou ressuscitar meu antigo sonho e levar Igor no banco da carona.
Abro um sorriso enorme e dou um salto em direção ao guarda-roupa (que por sinal não me deixou entrar em Nárnia) para vestir uma aventura.
Saio do quarto com uma mochila nas costas, um sorriso e determinação. Dou dois passos e encaro a porta do quarto em frente ao meu. E então sem mais hesitação bato firme e com entusiasmo até que Igor venha cambaleando, deduzo isso já que ouço quando ele tropeça em alguma roupa jogada no chão e quase derruba algo pendurado na parede. Ele abre a porta com um olhar de sono e um meio sorriso que informa sua falta de vontade e sua raiva contida por ter sido acordado tão cedo.
– O que você quer?
– Se você quiser participar da investigação criminal à La Sherlock Holmes tem exatos cinco minutos para colocar uma roupa decente e me encontrar na garagem. – Então saio em direção à porta. Não me viro ou espero, sei que ele estará lá. Dito e feito. Exatos cinco minutos depois vejo um Igor esbaforido saindo do elevador. Ele me olha e, provavelmente para provocar vem caminhando lentamente na minha direção, como naqueles filmes americanos. Não me estresso. Sorrio. Ele sorri, mas sustenta um olhar de curiosidade.
– Pronto? – Pergunto.
– Um segundo. – Ele se vira para uma das janelas do carro. Exibe um sorriso sedutor e passa as mãos pelo cabelo, os deixando no devido lugar. Repete o gesto mais uma vez e se vira para mim. – Agora sim, pronto.
– Ótimo. – Entro no lado do motorista jogando a mochila no banco de trás. Quando Igor se acomoda no banco da carona dou a partida.
– Só tenho uma pequena dúvida. – Igor diz calma e indiferentemente. – Qual é o seu plano brilhante?
– Invadir o IML. – Digo no mesmo tom casual.
– E depois?
– Faremos uma visita ao apartamento onde Andressa morou.
– Certo. – Essa nossa conversa durou o suficiente para sairmos da garagem do prédio. O resto do caminho foi silencioso. Um silêncio confortável. Viramos em algumas ruas e desviamos de cachorros que caminhavam tranquilamente no meio da rua. Não apreciamos a vista. Passo por esse caminho quase todos os dias, sei onde tudo está. Ao entrarmos na rua do IML nos surpreendemos. Ela está completamente vazia. Nenhum carro, nenhuma pessoa. Parece um lugar deserto. Um prédio abandonado. Estaciono o carro alguns metros antes da entrada por precaução. Andamos com receio até a entrada apenas para ver o que já sabíamos: trancada. Em uma folha sulfite colada na porta lemos:
O IML LOCAL ESTARÁ FECHADO DURANTE AS PRÓXIMAS 48H
POR MOTIVOS CONFIDENCIAIS.
ATENCIOSAMENTE, DIREÇÃO DO INSTITUTO MÉDICO LEGAL.
Ficamos parados durante alguns segundos diante da porta olhando para a folha. O que provavelmente nos levou a ter a mesma ideia, a única diferença foi que Igor a levou a sério e eu não.
– ‘Tá pensando o mesmo que eu? – Ele dá um sorriso maroto.
– Eu não me orgulho de dizer que realmente pensei nisso, mas nós não vamos, em hipótese alguma, invadir o IML.
– Vamos lá, Lucas, não é nada de extraordinário. Além do mais, ninguém vai nos ver.
– Sério? Porque eu acho que as centenas de câmeras de segurança são o suficiente para informar que o invadimos.
– Um pequeno detalhe insignificante.
– Claro. Já que é tão insignificante qual é a sua brilhante ideia?
– Eles colocaram câmeras de segurança na entrada. Mas não colocariam nas laterais também se pagam para um segurança ficar rondando todo o prédio. Não é?
O pior de tudo é que ele tem razão.
Damos a volta e ficamos do lado oposto da entrada. Um portão de ferro impede nossa passagem, é por ali que entram os carros que possuem acesso direto a todas as salas, mas geralmente são os carros trazendo pessoas mortas que o utilizam. A realidade não é tão impressionante. Mas a nossa vantagem é que o portão foi instalado alguns anos depois da construção do prédio, então de um lado foi feito um muro alto para sustentar o portão, mas, do outro lado são grades. Ponto para os invasores.
– Agora é só escalar e estaremos quase lá. – A confiança na voz de Igor chega a ser preocupante. Mas, sabendo que ele fez isso algumas vezes sei o porquê disso. Invadir locais públicos era um hobbie para ele e sua turma descolada, eu sempre fui convidado a participar, mas recusava educadamente. Ele nunca foi pego. Então eu realmente espero que hoje não seja o dia de azar dele.
Começamos a escalar e enquanto eu estou a apenas alguns centímetros do chão Igor já esta a pelo menos um metro. Ele obviamente chega primeiro, tendo que me esperar durante alguns segundos.
– Como você sabe que aqui não tem câmeras? – Pergunto enquanto termino de descer.
– Eu não sei, só sei que nas laterais provavelmente não tem.
– Certo, então temos 99% de chance de sermos pegos e presos.
– Por aí.
– Então é melhor nos apreçarmos.
Vamos meio correndo meio andando até a lateral onde fica minha sala. Mesmo termos certeza que na sala existe uma câmera, vamos correr o risco. Felizmente a janela é baixa e está aberta, possibilitando nossa entrada. Logo que entramos fechamos a janela e olhamos em volta. Nenhum alarme soou, ninguém apareceu. Andamos depressa até as gavetas onde se encontram os documentos e a ficha das vítimas. Abro ansioso e pego o primeiro arquivo da gaveta, no alto da pasta um Andressa Lemos ocupa tudo de uma extremidade a outra.
– Encontrou? – Igor pergunta com uma calma estupenda visto que eu estou com as mãos tremendo e morrendo de medo de algo acontecer.
– Sim. Já podemos ir.
Ele vai até a janela e sai sem problemas, quando é a minha vez eu derrubo a pasta, felizmente ela cai nas mãos do Igor, mas, isso não acontece comigo. Me ajeito na janela me preparando para pular quando ouço alguém abrindo a porta, olho para trás alarmado. O segurança. Ele me olha e grita alguma coisa que eu não escuto, pois já estou a no chão gritando para Igor correr. Na verdade não era necessário ter gritado, ele já estava correndo. Chegamos à grade e escalamos depressa. Quando chegamos do outro lado avistamos o segurança saindo da porta dos fundos. Não esperamos que ele nos veja. Corremos até chegarmos ao carro. Entramos e dou a partida imediatamente chegando a derrapar os pneus.
– É disso que estou falando, cara. – Igor diz, ou melhor, grita. Por incrível que pareça não consigo parar de rir, a situação foi tão ridícula que parece uma piada.
– Acha que nos identificaram? – Pergunto ainda rindo.
– Tomara que sim. – Igor responde. O que faz com que eu o encare confuso. – Eu sempre quis ser um fugitivo da policia. – Rio. É tão estranho o que pensamos, temos sonhos reais e loucos. Imaginamos o inimaginável e as coisas mais ridículas. Sonhos.
– Abra a pasta e procure o local em que ela foi encontrada. – Igor abre a pasta e depois de revirar diversos papéis encontra o local.
– Foi em um prédio na Paraná. Edifício Vinícius. Quinto andar. Apartamento 512. Sabe onde fica isso?
– Acho que sim. Pronto para parecer que está investigando um suicídio?
– Você vai me perguntar isso a cada meia hora? – Simplesmente o ignoro e continuo dirigindo. Após alguns minutos que ficamos perdidos encontramos o prédio. Estacionamos um pouco longe devido a dificuldade de encontrar uma vaga, e a cidade nem é tão grande assim. Vamos até o prédio e explicamos ao porteiro que estamos ali para analisar o local onde Andressa Lemos cometeu suicídio. Ele nos deixa entrar sem mais perguntas.
Quando chegamos ao andar certo o silêncio é assustador. Procuramos pelo apartamento 512, este estava no lado oposto ao do elevador. Tocamos a campainha e esperamos. Tocamos novamente e ouvimos passos. O barulho da chave girando no trinco. A maçaneta se vira e aporta é escancarada. Uma garota de aparentemente desenove anos está parada segurando a porta. Pela cor de café. Olhos azuis e cabelos castanhos. Com um olhar gélido e carregado de magoa e raiva ela nos observa. Então pergunta:
– Em que posso ajudar? – Ela não sorri. Não demonstra nenhum sentimento. Apenas a raiva nos olhos. A voz calma e firma nos pega de surpresa. Olho para Igor mas ele não retribui o olhar.
– Somos do IML. Sou médico-legista e gostaria de analisar o quarto de Andressa Lemos. – Não queria parecer insensível, mas a garota não parecia estar querendo que a tratássemos com compaixão.
– Vão procurar a arma do crime? – A pergunta dela é racional, mas o tom de voz melancólico. Pergunto se ela era próxima da vítima.
– Sim. Ela era minha irmã. – É óbvio, como não percebi antes, a única diferença é a idade e os olhos.
– Sentimos muito pela sua perda. – Fico assustado por ver que quem tomou a iniciativa foi Igor. Ele parece estar soando sincero.
– Obrigada. Desculpe, podem entrar. – Os olhos dela estão marejados, ela se afasta para o lado para que possamos entrar. Ela fecha a porta e nos olha. – O quarto dela fica no fim do corredor. Eu não entrei lá depois do ocorrido. Fiquem a vontade, se precisarem de alguma coisa ou se descobrir qualquer coisa que explique o porquê dela ter feito isso. Ela era minha única família. – Dizendo isso sai da sala. Nos olhamos e seguimos para o quarto de Andressa. Abrimos a porta, receosos. O quarto está escuro devido às janelas e cortinas estarem completamente fechadas. Acendo as luzes. O quarto está completamente organizado, tudo está no seu devido lugar. O quarto é grande. Ao lado da porta foi posta uma mesa com papeis, livros canetas e algumas coisas para decoração. Ao lado da mesa a cama está perfeitamente arrumada. O guarda-roupa cobre toda a parede oposta a da cama. A única janela fica junto de uma prateleira cheia de livros e bugigangas. Abro as cortinas e a janela, Igor apaga a luz e o que vemos é um quarto. Dizem que o quarto diz muito sobre a personalidade de uma pessoa, sendo assim Andressa parece ser calma e equilibrada. Estudiosa e inteligente. Além de extremamente organizada. O chão foi limpo no mesmo dia do suicídio, e sem sangue ou qualquer tipo de desorganização o quarto não parece ter sido uma cena de suicídio.
– Acha que vamos encontrar alguma coisa aqui? – Igor pergunta. Eu não sei o que dizer. Mas era o primeiro passo a ser dado.
– É o que espero.
Andamos pelo quarto e pegamos tudo que pareça ser útil. Encontro alguns livros interessantes e que estavam destacados, vou até a mesa e vejo que do lado esquerdo tem três gavetas. Abro a primeira e não encontro nada. Está vazia. Na segunda a apenas uma foto com a irmã. Já na terceira, encontro alguns papeis e cadernos, os pego. Me viro para Igor e vejo que ele também segura alguns cadernos mas, na outra mão ele segura um envelope. Uma carta, para ser mais específico. Jogos o que encontrei na cama e vou a passos largos até ele. Pego a carta e coloco no bolso de dentro do meu casaco. Apreensivo, digo para que ele fique quieto e com um sinal indico que saia do quarto. Vou logo atrás com os livros e cadernos. Encontramos a irmã de Andressa no meio do corredor.
– Espero que não se importe. Devolveremos tudo assim que possível. – Estou sendo sincero, mas vejo que ela não se importa tanto com coisas materiais. Ela só queria a irmã.
– Não, tudo bem. Vou levá-los até a porta. – A seguimos em silêncio, ela abre a porta e nos deixa passar, mas antes que entremos no elevador ela diz:
– Descubram o porquê. – E fecha a porta. Quando entramos no carro e deixamos o que encontramos no banco de trás ficamos em silêncio.
– Onde encontrou a carta?
– Estava presa no canto superior do guarda-roupa, eu não teria visto se não tivesse olhado com atenção. Havia uma lanterna muito pequena que apontava para lá. Aparentemente ativada quando eu abri a porta. Ela queria que alguém encontrasse. – Concordo com um movimento afirmativo usando a cabeça. Tiro a carta do bolso do casaco e a encaro.
Eu realmente quero fazer isso?
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