os gritos eram escutados por quem morasse nas proximidades. cada voz voava por aí como morcegos pela noite. bruna estava acostumada com toda essa baderna e indiscrições, afinal, é melhor muita gritaria e chamação de atenção do que um lugar solitário e escuro — pelo menos ali na rua ela não chamava a atenção de assombrações, como bruna pensava que aconteceria se ela ficasse sozinha no galpão enquanto a irmã e suas colegas saíssem. bruna mora num galpão abandonado da cidade, ela, a irmã mais velha e outras 13 garotas. as duas tiveram de fugir da casa em que moravam há 1 mês e meio. elas são de origem pobre e moravam com a mãe, o pai (até aí normal), três irmãs e mais duas famílias num sobrado velho (já complicou). cada família precisava da outra, elas viviam ali numa relação mutualistica: se fulano da família tal não desse parte do aluguel, todos sofreriam com aquilo. ninguém ali tinha uma renda mensal maior que 300 reias, e 150 reais de cada um já era destinado ao aluguel.
era um sufoco ainda ter várias outras despesas fora o aluguel, cuidar de 3 filhas pequenas, cozinhar, limpar e aturar um marido bêbado quase todo dia. e assim vivia a mãe das meninas. tinha a aparência de quem tinha um leão desobediente dentro de casa (era quase isso), porque quando ela ia para rua e o sol iluminava aquela figura, via-se uma mulher cansada e machucada, só não sangrava (não por fora). além dos problemas de casa, ana, a mãe, enfrentava problemas com o marido. quando ele bebia, ela era obrigada a satisfazer as vontades sexuais insaciáves do marido. ela já não sentia desejo nenhum pelo marido, ficava com ele pelo pouco dinheiro que ele trazia para casa, e na situação a qual ela se encontrava, nem à custa de sua vida ela queria sexo (para ela, seria na verdade uma ajuda se alguém a matasse, mas as filhas precisavam dela). porém, seu marido não entendia isso, e quando ela fechava as pernas ou tirava à tapa a mão
do marido que se aproximava demais da sua virilha, ele virava bicho. tal criatura essa que merecia viver em jaulas enternas junto aos piores monstros de sua espécie. e não só batia em sua mulher, também batia nas filhas mais velhas; dizia em voz alta enquanto as maltratava: "e é assim que vocês vão aprender a obedecer um homem! o que um homem pedir a sua mulher, ela faz!". ele batia de mão aberta na cara de cada filha, enquanto mantinha uma conversa próxima com o olhar. era a pior conversa de todos e não precisava de palavra alguma, eram só 4 olhos: dois vermelhos como o fogo, que pareciam queimar o tanto quanto, e mais dois, que já pareciam ter derramado toda a água do corpo ao qual pertenciam (mas não chegava perto de ser água suficiente para apagar a raiva desse homem). elas apanhavam pelo menos uma vez na semana, todas as três. a mae, alem de apanhar, via as filhas apanharem e ela não podia ficar mais louca do que já era, tinha 3 filhas para criar, então mandou as duas filhas mais velhas fugirem de casa. bruna e marcela já estavam fora de casa na noite seguinte, cada uma com os 5 reais que a mãe tinha pra dar, morando no galpão que moram hoje em dia, juntas com mais 13 garotas. o que as deixam seguras nesse galpão é a divída que recebem ao entrar ali. a entrada do galpão também é a entrada para uma rede de prostituição. se elas forem às ruas e pagarem a sua dívida diária, ninguém mexe com elas enquanto estiverem no galpão. era isso que a irmã de bruna e as 13 garotas faziam. bruna ainda era muito nova para se prostituir e se ela o fizesse, mais problemas surgiriam para os investidores dessa rede de prostiuição. para ela ser aceita no galpão, a irmã teve de aceitar a condição de ser quem leva mais lucro ao galpão (até agora ela fazia isso bem).
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
Fale com o autor