Carmim

1 Capítulo 1


Os sons da meia noite cessam o bater de asas

A metódica lágrima que é a chuva

Lentamente se vai,

A cada toque um tormento, a cada lágrima um lamento.

Lágrimas de vidro carmim dilaceram faces sem dor.

Lábios de Mármore tocam o suave veludo com terror.

A lua disco de prata maldito entre o tempo

Destila seu veneno sobre a mais pura dor.

A floresta encobre o terror do verde

Num toque e não mais estarei

A cada passo a névoa bendita esconde a face alegre

Que me traz tanta dor.

Golpes de vidro desferidos sem dor.

Sorrisos malignos cheios de amor.

Trina magia da tristeza

Que o guerreiro em si carrega a solidão.

A força que vem das trevas, o acalento da escuridão.

Lágrimas de vidro descem quão gelo num estupor.

Doce e sublime o terror dilacera com um sorriso,

Mas mata com o amor...

Terra de sol e beleza,

Que me traz a tristeza do dia,

E na noite o alivio para a dor.

Abandonaste a mim sua filha,

Doce veneno entre o amor.

Tão suave como a rosa carmim goteja o sangue

Entre as páginas funestas

Alegria e tristeza tão sublimes...

Tão suaves,

Diferenças a parte...

Suave noite que acalenta,

Maldito sol que atormenta.

Deixa-me sozinha no abismo.

Abrigo divino.

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