Caring Is Not An Advantage
16 Capítulo 16
Mycroft não saberia dizer por quanto tempo exatamente o irmão ficou internado, ou pelo menos se convenceu que era melhor fingir não saber. A estadia de Sherlock na reabilitação foi silenciosa, não houve telefonemas de desespero por alguma maluquice que o mais novo havia feito e nem mesmo qualquer outro tipo de reclamação. Tudo o que os médicos diziam era que o jovem se mantinha quieto a maior parte do tempo, parecia desvendar mistérios imaginários outras vezes, desprezava a presença de todos e se mostrava alegre em raras ocasiões por motivos não esclarecidos.
E então houve o telefonema de que Sherlock estava finalmente limpo e pronto para a vida social novamente. Mycroft sentiu os batimentos cardíacos se alterarem por alguns segundos e esfregou as mãos pelo rosto.
Entre a neblina daquela manhã fria Mycroft assistiu Sherlock se aproximar. Primeiramente sendo somente uma sombra, uma silhueta alta com um objeto nas mãos. Aos poucos os detalhes vieram: Os cachos permaneciam lá, bagunçados como costumavam ficar. O violino era a única coisa que Sherlock fez questão de levar consigo. Finalmente quando já não havia mais espaço para quebrar, os olhos se encontraram e houve minutos – talvez horas- de completo silêncio.
O mais velho sabia exatamente o que se passava naquela cabeça de cachos confusos, Sherlock era a pessoa que Mycroft poderia ler mesmo de olhos fechados. Ele conhecia todos os detalhes e até mesmo os novos ele reconheceu sendo apenas uma outra versão dos antigos.
Toda aquela fixação no olhar, toda aquela respiração profunda e lenta, os dedos que esmagavam o violino, todas as reações que Sherlock lutava tanto para não ter, todas elas foram vistas pelo irmão mais velho. Mycroft soube que havia mágoa, havia raiva e interessantemente havia certa dose de desinteresse.
Sherlock sentou no banco do carro e durante a viagem não houveram palavras trocadas. Mycroft se lembrou de quando manteve os lábios cerrados por medo de perder controle sobre as palavras, o mais novo parecia uma bomba prestes a explodir a qualquer momento.
O momento da explosão não aconteceu. No lugar dos gritos não havia nada além do som das respirações alteradas. Por menos de 1 hora os dois irmãos dividiram o teto sem trocar palavras. Sherlock parecia incomodado por estar novamente em meio a uma grande casa, decorada e planejada de maneira mais luxuosa do que da última vez, um retrato físico do grande auge da carreira do irmão.
- Não vai colocar suas coisas no quarto?
- Não vou morar com você.
Mycroft fixou o olhar no irmão.
- Então aonde pretende ficar?
Sherlock respondeu com um pequeno sorriso enigmático e saiu pela porta para não voltar mais – por pelo menos alguns meses.
Naquela mesma tarde o detetive se encontrou com uma senhora que poderia fazer um bom preço pelo apartamento que alugava. Seu nome era Mrs. Hudson e o endereço Baker Street, 221B.
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