Sherlock estava longe. Seu pensamento voava através de cenas que seus olhos nunca presenciaram e em meio à bagunça da sua mente ele encontrou. A solução para o caso, o fim de todo o mistério que o consumia por horas e apesar de não conseguir focar os olhos onde realmente estava aquela resposta não poderia esperar.



I was looking for a breath of life

A little touch of heavenly light

But all the choirs in my head sang no

To get a dream of life again

A little vision of the start at the end

But all the choirs in my head sang no


Cambaleando ele levantou, vestiu o casaco e entrou no táxi de um velho motorista: — Meio cego, meio surdo – que não notou o grau de química no corpo do passageiro. Em poucos minutos ele estava na delegacia, deixando uma nota alta para pagar a corrida curta. As mãos trêmulas ajeitaram o sobretudo e com o pé esquerdo o detetive invadiu o escritório de Lestrade, que para a sua surpresa não estava sozinho.


Havia outra sombra na sala — sem muitos detalhes porque sua visão estava confusa. Ele piscou os olhos duas vezes e aos poucos as coisas tomaram sua forma.


Era um homem e disso ele tinha certeza. Estatura alta, pouco cabelo. O homem se virou e a visão ficou borrada mais uma vez. Tudo parecia em câmera lenta. Os lábios eram finos e se mexiam muitas vezes – estava falando algo, na verdade falando muitas coisas.


Em todo caso, o detetive estendeu a mão para um cumprimento acreditando estar em meio a uma apresentação. A mão de Sherlock ficou estendida no ar por horas – o detetive não saberia dizer quanto tempo – até que os olhos se levantaram e ele pode finalmente reconhecer o rosto.


– Mycroft?


Com o susto metade dos sentidos do detetive voltaram a funcionar e ele pode ouvir com clareza as vozes.


– Vamos para casa. – a voz do irmão soou cansada e Sherlock deu um passo para trás.


– Richard Brook!


– Quem? – Era a voz de Lestrade atrás de Mycroft.


– Richard Brook é o assassino no caso da Sra. Smith! Tudo se encaixa!


– Sherlock... – Mycroft suspirou baixo e manteve o tom sereno. – Me desculpe por isso Inspetor, peço para desconsiderar as palavras do meu irmão...


– Nós não temos nenhum Richard Brook, mas podemos investig...


– Inspetor, por favor. Eu creio que seria perda de tempo.


Os olhos de Lestrade pousaram sobre Mycroft.


– Richard Brook é o nome que meu irmão deu ao boneco pirata de madeira que tinha quando criança. Em sua imaginação o boneco Richard era o vilão que batia em todos os outros.


Um silêncio desconfortante pairou pela sala.


– Richard Brook é real!



And I need one more touch

Another taste, a heavenly rush

And I believe, I believe it so


Arrastando o irmão menor pelo braço, Mycroft saiu da delegacia. O jovem ainda gritava o nome do boneco.


Notas finais
Música: Florence and The Machine - Breath Of Life
Pra quem não conhece, recomendo muuuito ouvir é uma das minhas músicas preferidas ♥.