Caring Is Not An Advantage
8 Capítulo 8
– Não vai me perguntar para onde estou o levando?
O silêncio era a única resposta.
– Tudo bem, já que não vai perguntar... Estou o levando para casa.
O carro parou lentamente.
Mycroft abriu a porta do apartamento.
Sherlock levantou os olhos e se surpreendeu com a definição de ‘lar’ do irmão.
Era um espaçoso lugar, ambientes planejados, lustres, poltronas, uma lareira grande que já o aguardavam acessa. Quadros pintado por consagrados artistas, no chão tapetes do mediterrâneo.
Com o queixo levemente levantado Mycroft escondeu o sorriso ao notar o quão surpreso o irmão estava.
– Eu te disse, my little brother... Que sairíamos daquela miserável vida.
X
Sherlock quase o perdoou, quase teve orgulho do irmão, quase acreditou que de fato valeu a pena.
Sherlock acreditou que a espera havia chegado ao fim, mas quanto mais os dias se passavam mais seu cérebro se agitava.
Aquela sala vazia, o silêncio que ecoava por todas as paredes, todos aquelas paisagens pintadas, tudo aquilo passou a não ter mais significado. O apartamento era tão frio quanto as ruas em noite de inverno. O jovem sentiu a fúria voltar a cada vez que se permitia esperar e desejar ser surpreendido pelo peso do irmão no colchão, despido de qualquer traje social, sendo apenas o My – o irmão mais velho – que o protegia dos pesadelos.
E então Sherlock conheceu. Experimentou. Gostou. Pediu por mais. Perdeu a conta de quantas vezes estivera estirado no chão solucionando casos que somente acompanhava na TV. Toda aquela química que corria por suas veias, toda aquela sensação, a dormência de qualquer dor física ou psicológica... Tudo aquilo era bom demais para ser deixado de lado.
Quando as substâncias rodopiavam pelo corpo o jovem sentia o tédio se desfazer.
Sua mente pediu por mais, seu corpo pediu por mais, sua alma pediu por mais e ele não hesitou.Tinha o endereço em mente tão claro quanto o sol de meio dia. Reconheceria de longe o rosto do homem que o ajudaria a sobreviver.
Os passos do jovem o levaram até a delegacia e á distância ele viu o homem. Os traços ainda conservados, as mãos carregavam uma caneca de café. Sherlock nunca sentiu seu sangue correr em agitação pelo corpo quanto naquele momento. Lestrade ainda não havia abandonado a carreira como anos antes o menino havia previsto, mas também não estava longe de disso.
Sherlock entrou no cômodo daquela sala para mudar a vida não só do inspetor, mas de si mesmo, de toda a cidade. Como antes, revirou os arquivos, fez bagunça, provocou o caos.
Achou o propósito para a vida que não era a espera era a ação, era o agora, o atirar e o se esconder, o prender e o sobreviver.
A vida era mais do que esperar alguém se importar.
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