- Arrume as suas coisas, Sherlock.

A voz firme despertara o mais novo. Mycroft se mantinha de pé ao lado da cama do irmão.

- Pra onde vamos?

A pergunta não foi respondida e logo os irmãos estavam saindo porta a fora carregando pequenas malas com os poucos pertences. Mycroft se manteve em silêncio por toda a caminhada. Pararam em frente a um extenso muro que protegia o imenso prédio.

Naquele momento Sherlock percebeu do que se tratava. Os braços agarraram na cintura do mais velho.

- O que está fazendo, My?

- Estou cuidando do seu futuro, Sherlock. Por favor, não torne as coisas mais difíceis.

- Eu não quero ficar aqui, nós somos irmãos devemos ficar juntos!

- Não... Não podemos mais ser irmãos.

Com uma respiração pesada Mycroft se despediu do irmão o deixando sobre os cuidados de um internato. Durante o caminho de volta as palavras me desculpe eram repetidas mentalmente diversas vezes.

A primeira lição que o mais velho aprendeu era bem clara: Os inimigos atacam quem você ama, quem você se importa. Quando amamos nos tornamos fracos e vulneráveis. É preciso separar as coisas, é preciso manter certa distância.

Mycroft viu isso claramente com a experiência em casa. Seu pai gostava de atacá-lo, mas havia uma espécie de prazer maior em ir para cima do mais novo. Sherlock que era com quem obviamente o mais velho se importava e isso só o fez se sentir cada vez mais miserável. A única solução era manter o mais novo afastado, dando-o a chance de ser alguém melhor. Logo Mycroft completaria maioridade e teria que deixar a casa para seguir em frente nos estudos, Sherlock sendo mais novo não poderia acompanha-lo. Deixa-lo sozinho em casa não parecia seguro.

Tinha sido numa terça feira chuvosa quando Mycroft entregou o irmão como um garoto anônimo sem lar. Os gritos do mais novo ainda ecoavam em alguns de seus pesadelos recentes. Infelizmente era a maneira mais segura: Sem parentes na ficha, sem chance de ser procurado pelo pai.