Caretrisse

2 UNO e salgadinhos


Notas iniciais
Eu espero que gostem!! Comentem alguma coisa, se puderem. Obrigada a quem está acompanhando, e desculpa qualquer coisa. Bjos

2

Quando chego na biblioteca, sento em uma das mesas e penso sobre as coisas que a professora Julia me falou, queria ter dito para ela que quero sim me esforçar porém nem tudo é tão simples, mas não disse nada, só fiquei escutando enquanto ela falava e falava do quanto venho sendo irresponsável com os trabalhos e as provas da escola desde o ano passado.

A nova bibliotecária entra e coloca alguns livros em cima da mesa dela, em seguida vem falar comigo, pergunta se eu estou precisando de alguma coisa e respondo que não, ela fala que pode me ajudar a encontrar um livro que eu queira ler, agradeço e falo que só quero ficar ali. Ela diz que tudo bem e sai, então vejo que a porta da sala abre e Jeanine entra com o seu namorado rastejando aos seus pés, Luara, melhor amiga que na verdade é escrava dela, vem logo atrás.

Eu conheço Jeanine a bastante tempo, começamos a estudar juntas quando tínhamos três anos de idade e continuamos na mesma turma até o sétimo ano, nunca fomos amigas mas costumávamos falar coisas como: “Oi.” Na terceira série quando tirei uma nota maior do que a dela em uma prova de Português, ela ficou com muita raiva e estava decretado que não seriamos amigas nunca. Jeanine é a melhor aluna da escola desde sempre, é praticamente impossível alguém vencê-la, não consigo entender porque ela se preocupa.

Eles se sentam em uma mesa e eu resolvo me levantar, faço exatamente isso mas quando chego perto do bebedouro que fica próximo da porta, escuto o barulho de uma cadeira arrastando no piso, acho que uma pessoa levantou.

“Vai saindo só porque eu cheguei, queridinha da professora Julia?”, paro por um instante e não preciso me virar para descobrir quem é, qualquer aluno dessa escola saberia.

As vezes algumas pessoas mudam mas outras permanecem as mesmas pra sempre. Eu poderia revidar e ela ia adorar, só que não faço isso, apenas caminho em direção a porta e saio.

No corredor já tem vários alunos conversando fora das salas, procuro com os olhos algum colega meu e encontro Juliana, uma morena baixinha que não gosta de estudar, caminho até ela e pergunto como foi a prova.

“Péssima! Eu me dei muito mal e minha mãe vai me matar, tenho que pedir a Deus para me ajudar, não sei o que fazer da minha vida.”, ela responde como quem vai chorar.

“Sinto muito, mas pelo menos você fez.”, digo.

“Preferia não ter feito, eu não vou passar esse ano, estou sentindo isso. Que Deus me ajude!”, ela sai e vai em direção ao banheiro feminino.

Eu vou para minha sala e assisto duas aulas de Matemática, onde durmo durante toda a primeira e na segunda fico perguntando o tempo todo que hora é a meu amigo Paulo, que é muito estudioso e esforçado, senta do meu lado e tem um relógio. Ele parece ser o único que tem porque todo mundo o pergunta. Uma vez ele ficou muito estressado por conta disso e começou a gritar que não aguentava mais e saiu da sala, eu, meus colegas e o professor Mauricio rimos até cansar, foi uma das coisas mais engraçadas que aconteceu esse ano. Tive que contar essa história para o Miguel vulgo Porteiro-Idoso que riu muito, principalmente quando eu imitava como o Paulo fez, balançando as mãos e falando “Não, eu não aguento mais!”.

No intervalo, sento na mesa com Ana, uma garota legal que morava em outra cidade, chegou aqui em Fevereiro e é um ano adiantada. Depois o Junior, meu melhor amigo, chega e os dois começam a falar sobre a prova de Português, aquela que eu não fiz. Fico só escutando os dois, então o Paulo nos encontra e começamos a jogar UNO e a comer salgadinhos, que a mãe do Paulo faz e ele traz todos os dias, fazemos isso até tocar para quarta aula.

A ultima aula passa correndo e assim que o sinal toca, saio bem rápido e tento encontrar a professora Julia mas sem sucesso. A secretária acha que ela foi para casa depois que acabou a terceira aula. Vejo Cristina e corro para alcançá-la, ela senta em um banco e tenta ajeitar o tênis, sento do lado e conto para ela que não pude fazer a prova.

“Nossa, porque a Julia fez isso com você?”, ela diz.

Penso em tudo que a professora Julia me falou.

“Não sei.”, é o que eu respondo.

De repente percebo a Isabela, uma colega de Cristina, conversando com o Porteiro-Idoso. Ela está bem perto dele e as vezes solta uma gargalhada, enquanto ele dá umas risadinhas. Cristina segue o meu olhar e também fica observando.

“Ela estuda comigo.”, ela fala, ainda olhando para eles.

“Eu sei.”, digo.

“Acho que ela está a fim dele.”, ela levanta e começa a caminhar, eu faço o mesmo.

Miguel não é idoso coisa nenhuma, é um apelido irônico.

Passamos pelo portão e estamos na calçada, tem vários alunos conversando tanto os que esperam ônibus como os que não precisam. Eu caminho olhando para os meus pés por alguns segundos enquanto meu cabelo balança em um rabo de cavalo que fiz na quarta aula, um garoto passa perto de mim e aproxima a boca na minha orelha.

“Você está muito bonita hoje.”, ele sussurra e sai caminhando bem rápido, viro e o vejo seguindo para um grupo de alunos, onde um acena pra ele.

È o namorado de Jeanine.

Percebo que Cristina escutou o que ele disse, porque ela começa a gargalhar e a fazer uma dancinha esquisita.