Caraminholas

6 Quero explodir as grades e voar, não tenho pra onde ir, mas não quero ficar.


Que a chuva caia como uma luva, um dilúvio, um delírio... Que a chuva traga alívio imediato...

–Engenheiros do Hawaii

Às vezes de manhã eu me acordo e me olho no espelho, querendo negar que as cicatrizes existam. Vasculho na mente as circunstâncias que sempre me levam aos mesmos pensamentos, mas nunca chego a um resultado. É estranho, porque quem mais deveria me conhecer não me conhece. Eu não me reconheço.

O rosto pálido, o olhar perdido, a cabeça baixa, os suspiros constantes. As marcas na pele nem importam mais. As emoções distantes nem fazem tanta diferença. Você sorri para as pessoas, para que elas não façam perguntas como “Você está bem?” ou “O que você tem?”. Porque respondê-las é mais difícil do que guarda-las. Você busca coisas para distrair a mente, encontra, distrai. Até fica feliz de verdade por alguns momentos. Mas ai você escuta aquela música, você relembra aquela conversa e o nó na garganta já se faz presente. E você balança a cabeça, imaginando que nesse simples gesto os pensamentos vão sair, e eles não saem.

E na dúvida do que fazer você não faz nada. Apenas espera que o tempo passe, as coisas mudem, você esqueça e tudo volte a como era antes. Até porque você está assim por ser idiota. Até porque você está assim porque você quer estar. Então só deixa o tempo passar e consertar os pedaços. Fazer remendos. Mas também não fique esperando que tudo se ajeite sozinho, porque o tempo pode passar e aliviar essa tensão, mas o tempo que passar não volta mais não e depois você vai estar se julgando “Eu deveria ter melhorado antes”, mas ai vai ser tarde, porque o tempo já passou.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.