Notas iniciais
Olá amores!

Esta fic está participando do "desafio" Surprise. Em comemoração ao 1 aninho do perfil @QGDramione.

Fui desafiada a fazer uma fic em cima da cena; penetrando numa festa e descobrindo que a festa é de uma pessoa improvável.

Eu amei fazer, e espero que gostem! Hehehhee

~LUMOS!~

May, 2014 — London

— “Cara” a gente vai pra outra festa em qualquer lugar que o bonitão aí queira — anunciou Blás com seu sorriso sacana e debochado, girando a moeda entre os dedos e olhando para Draco — “Coroa” a gente entra nessa… — apontou para o folheto preto brilhante que tinha em suas mãos -

— É uma festa fechada! — interveio Draco carrancudo, olhando feio para o amigo que aparentemente havia bebido muito mais do que deveria.

— Dane-se. — Blaise dispensou, seu sorriso bêbado se tornando cada vez mais largo e demoníaco. — Quando que alguém ou algo conseguiu nos impedir de entrar em algum lugar? — perguntou ele puxando Theo que tentava falar ao telefone com a namorada misteriosa e Draco para mais perto, ficando no meio dos dois, com seus braços por cima dos ombros dos amigos. — Recordem-se sempre de Moscou, aquela festa fantástica em que entramos — olhou para frente com ar sonhador — Onde nosso amigo aqui ficou com a…

— Mais uma palavra e juro que nossa amizade toda vai ser jogada na vala. — Draco alertou interrompendo-o com os olhos faiscando em sua ameaça — Esqueça-a.

— Okay, nada de menções. — o moreno se retratou erguendo um pouco sua postura logo voltando a sorrir — Mas, vamos deixar a sorte nos guiar Draquito, e aí teremos uma noite realmente divertida.



Draco bufou. Ele sabia que iria se ferrar desta vez. Era sempre assim quando decidia dar um tempo da sua vida monótona de negócios para espairecer com seus amigos da época de Hogwarts. Blaise arranjava inusitadas maneiras de os meter em enrascadas que somente ele seria capaz de criar, e que Merlin estivesse olhando por eles sempre, pois em algumas destas ocasiões, ele mesmo julgou não conseguir sair vivo ou inteiro das confusões nas quais que se envolvia. Tudo sempre começava com a dita moeda e sua praga de jogá-la para cima para definir a sorte ou escolher a opção. Afinal, quem havia sido o desafortunado que inventou esta maneira ridícula de decidir as coisas? Questionava-se Malfoy. Só podia ser ideia de um trouxa mesmo.

Como num ritual sagrado, os três fecharam-se num círculo e Zabini jogou a moeda para cima, Draco viu tudo em câmera lenta, como se até mesmo aquela bendita moeda debochasse de sua cara enquanto girava em sua indecisão, até cair na mão de Blás e dizer o que iam fazer naquele início de madrugada.

***

May, 2014 — Paris

Ele se apoiou na borda da fonte, sentindo o álcool e o seu almoço querendo fazer o caminho inverso e voltar pela boca.

Péssima ideia deixar a maldita moeda escolher (como sempre.).

Péssima ideia sair com aqueles dois sem cérebros.

Péssima ideia ter bebido tanto e péssima ideia ter aparatado daquela forma e de tão longe.

Ilegal? Talvez.

Draco cambaleou um pouco para o lado, a fonte ainda sendo único seu apoio, e então ele se sentou esperando por aqueles retardados que algum dia ele considerou amigos. Ele apenas via alguns borrões e luzes que giravam à sua frente, estava em Paris, logo percebeu. Não que ele tivesse alguma lembrança em específico ou detalhe sobre a cidade, como cheiros ou sensações, apenas conseguiu ver entre todas aquelas luzes, o maldito reflexo da Torre Eiffel, imponente e tão procurada por turistas e suas chateações sobre amor e romantismo. Fechou os olhos por alguns segundos esperando que os efeitos da bebida passassem um pouco para ele ao menos conseguir se levantar sem ser aos tropeços, e seguir com o maldito plano arquitetado pelo insano Blaise Zabini.

Primeiro foi Theo a aparatar em sua frente, totalmente embriagado e risonho, era sorte que não tivesse estrunchado no caminho, mas ele não conseguiu evitar de cair dentro da fonte. Draco até pensou em ajudar, mas a cena cômica dele todo molhado se debatendo na fonte rasa e dizendo que ia morrer afogado simplesmente fazia-o rir descompassadamente e o impedia de ir até o outro. Blás, por sua vez, aparatou tranquilamente, retirando a mini garrafa do bolso interno de seu casaco e dando um longo gole no que Draco supôs ser Uísque.

— Theo, seu idiota, levante-se! — rugiu o negro em uma autoridade que sempre recaía a ele quando estava a frente das saidinhas com os amigos. — Temos uma festa a invadir.

Theo com um esforço digno de merecer um lugar na Ordem de Merlin, se ergueu da fonte e Draco finalmente foi ajudá-lo.

— Eu odeio isso! Podemos entrar em qualquer festa, porque justo essa QUE NÃO PODEMOS te atrai tanto? — questionou Draco ainda quase sem fôlego, lançando em Theo um feitiço para secar suas roupas -

— Adoro aquilo que me é proibido. — ele respondeu, seu sorriso misterioso apenas se alargando — Qual é, pelos velhos tempos!

— Passado tem que ficar no passado, Blás. — Draco lembrou-lhe — Sou um homem de negócios, meu nome vai parar na sarjeta caso eu seja pego como penetra em uma festa. Por Merlin, isso é ridículo!

— Você já esteve na sarjeta e se reergueu, meu caro. Podes fazer isso de novo. — desdenhou ele seguindo para a avenida quase sem movimento -

— Você é um babaca! — rosnou o loiro contrariado.

— Acho que perdi meu telefone. — Theo chiou de repente apalpando os bolsos que outrora estavam encharcados.

— Ótimo. — afirmou Zabini sorridente — Sem comunicação com o mundo, exatamente perfeito!

Draco revirou os olhos mas seguiu Blás. O loiro só era pedidos a Merlin que ninguém o reconhecesse e que não fosse parar em nenhuma manchete da Rita Skeeter. Já podia visualizar algo como; “Redimido? Draco Malfoy é pego como penetra em uma festa. Estaria ele planejando algo maléfico?” seria uma matéria engraçada, se não fosse sua nova reputação que estivesse em xeque.

Eles andaram pelo centro de Paris trocando pés. Por sorte, a vista de Draco recuperou-se e ele já conseguia vislumbrar melhor as ruas pelas quais era arrastado por Zabini. Os três caminharam por alguns minutos em silêncio, nada que pudesse ser constrangedor, estavam acostumados a isso desde sempre, a apenas estar juntos e cada qual com seus pensamentos.

Pararam na esquina de uma rua deserta, tudo indicava que era ali onde deveriam ter “uma noite daquelas” — segundo Blás. Ao final da mesma podia ver dois homens altos e vestidos de preto, uma pequena fila de pessoas existia ali, provavelmente se identificando para poder entrar.

— Seguranças trouxas, quanta facilidade! — chiou Blás, sua excitação sendo palpável no ar olhando sorridente para ambos os amigos.

— De quem é mesmo a festa? — Theo quis saber, abrindo alguns botões da blusa quando duas garotas de vestidos justos passaram por eles e sorriram -

— Não faço ideia. — ele disse — Mas depois de ver essas gracinhas nós temos que entrar aí. -

— Vocês e sua mania de pensar com a cabeça de baixo. — balbuciou Draco, mas seus olhos seguiam ambas as silhuetas das moças que desapareceram depois de passar pelos seguranças.

— Dou créditos à cabeça que me dá mais alegria. — disse Blás enchendo o peito de ar. — Vamos entrar. — sentenciou ele -

O moreno foi na frente enquanto Theo e Draco se entreolharam, no entanto, nenhum deles foi capaz de se opor a palavra de Blás. Seguiram-no como de costume. Talvez, mas somente talvez, Malfoy tenha se destraido demais, pois tudo o que viu em seguida foram os dois homens caindo no chão com um baque surdo, e Zabini passando por cima deles ao tempo que bebia mais de seu uísque.

— Vão ficar aí parados esperando eles despertarem? — perguntou o moreno e desapareceu para a festa -

Rendido, Draco se deixou pensar que Blás não estava louco, que ninguem tinha visto nada, e que aquela poderia, no fim de tudo, ser uma boa noite.

Ele passou com cuidado por cima dos seguranças, e logo estava num local barulhento. A música era extremamente alta, e ele mal conseguia ouvir seus próprios pensamentos ali. O loiro procurou por Blaise, e o viu indo em meio a uma pequena multidão de pessoas em direção ao bar do local. O loiro olhou para o lado, a procura de Theo, mas o mesmo ja não estava mais lá também. Virou-se, no entanto não o viu.

Se está no inferno, abraça o diabo. Ou melhor, dança com ele.

Ele deu de ombros e seguiu para a direita, começando a tentar se divertir.

O ambiente era diferente. E, apesar de estar muito mais familiarizado com festas mais sofisticadas e menos ensurdecedoras, ele estava até conseguindo sentir vontade de se mexer, as várias luzes davam uma alegria diferente ao lugar, ele gostou.. Pegou um copo com uísque que um garçon estava servindo, e ficou observando as pessoas, especificamente as mulheres. Haviam tantas e de todos os jeitos, uma variedade absurda que já fazia valer a pena um pouco de toda aquela loucura.

Draco era e sempre seria um homem sedutor, por tal, não era de se espantar que houvessem várias mulheres olhando para ele, assim como ele olhava para várias mulheres. O clima era solícito para paqueras, a bebida ajudava a ser mais ousado, não que ele precisasse dela. Era um caçador nato. Um amante da arte fazer uma mulher se entregar a ele por vontade própria.

Nunca havia perdido uma sequer.

Todas as quais tinha paquerado e seduzido haviam ido parar exatamente onde ele queria; na sua cama.

Exceto…

— Malfoy? — a voz dela soou extremamente alta no meio de todo aquela barulho, o que o surpreendeu completamente — O que faz aqui?

Torcendo para não ser ela*, ele se virou para a direção do som que chamava. Qual tamanho de sua irritação quando viu que quem estava ali era justamente aquela que ele não queria que fosse?

Ele apertou o copo com força e soltou um sorriso afetado em direção a ela.

— Como vai, Granger? — ele perguntou debochado e bebeu um longo gole de sua bebida -

— Surpresa. — ela disse, os olhos castanhos dela brilhando por conta das diversas luzes coloridas que dançavam sobre suas cabeças — E então, o que faz aqui? — tornou a perguntar -

— Fui convidado. — respondeu naturalmente -

— Não, não foi não. — ela retrucou, seus olhos se apertando em desconfiança -

— Sim, eu fui. — rebateu, tentando parecer ofendido. Talvez assim ela acreditasse mais fácil. -

— Eu fiz a lista de convidados, você decididamente não estava lá. — Hermione cruzou os braços, e neste gesto fez com que seus seus seios subissem um pouco devido ao decote de seu vestido -

Draco olhou para o decote dela mas tão logo desviou os olhos pensando no que dizer. Teria de sustentar a mentira de que fora convidado.

— Foi de última hora, por isso que não está na lista.

Hermione riu e descruzou os braços, batendo no ombro do loiro com humor.

— Viktor nunca convidaria você. — afirmou convicta e sorriu com desdém -

— Krum? Essa festa é do Krum? — ele perguntou, seus olhos se arregalando.

Nunca imaginou que o Búlgaro curtia aquele tipo de festa.

Bufou.

Que ridículo, invadindo a festa do patético do jogadorzinho metido. Quão decadente aquilo ainda poderia se tornar?

Se pudesse, Malfoy teria feito um buraco e se enfiado dentro dele. Agora, por culpa de Blás, ele estava com Hermione Granger rindo dele, por tê-lo pego como penetra na festa do Viktor Krum.

Sem alternativa, ele murchou os ombros e soltou todo o ar que existia em si, não tinha mais como sustentar aquela farsa, e por mais que detestasse o fato de ter de se render, ele nada pode fazer além de admitir.

— Tudo bem, espertinha. Você me pegou. — ele revirou os olhos e enfiou as mãos nos bolsos — Estou de penetra.

Hermione maneou a cabeça e deu um meio sorriso de puro escárnio. Draco odiava isso nela. E, maldição, ela ficava tão linda quando fazia isso. Os lábios repuxados minimamente para o lado deixavam-na com ar misterioso e sexy. Inferno! Inferno!

— Como conseguiu entrar? — ela perguntou risonha, passando por ele e seguindo em direção ao bar -

Por alguma razão desconhecida, ele a seguiu.

— Blás estuporou os seguranças. — ele contou sentindo-se um pouco melhor por não ter de sair escorraçado pelos seguranças -

Ela parou no balcão e se debruçou sobre o mesmo fazendo o vestido esmeralda subir alguns míseros centímetros. Míseros mas suficientes para brincar com a imaginação do loiro.

— Um drinque de frutas. — ela pediu — Isso, sem álcool.

Hermione virou-se para a frente, encostando as costas nuas no balcão e olhando para frente, para nada especificamente.

— Desde quando sem álcool? — o loiro se viu perguntando, escorando-se no bar como ela -

— Estou a trabalho. Zero álcool por hoje — ela disse e olhou para ele de forma avaliativa — Vejo que você está cem por cento álcool.

Ele riu pelo nariz. Observadora — como sempre.

— Estou sempre cem por cento em tudo. — Draco debateu, e num impulso, aproximou-se dela, só um pouquinho -

— Inclusive em modéstia. — Granger disse, aquele sorriso ladino ancorando em seus lábios -

— E você em irritação. — Draco devolveu e teve mais alguns centímetros de aproximação.

Era algo automático. Cada diálogo trocado, um centímetro ou talvez mais eram perdidos entre eles. O que já tinha posto-os em situações que ele jamais teria pensado poder existir. Não entre eles.

Hermione era pra ele como um maldito pecado. Uma maldição e uma bênção. Aquela pessoa que ele não sabia se queria perto ou longe. Ela tinha o poder de fazer ele ficar disperso, sem entender o que fazer ou para qual direção deveria seguir. Sua infeliz exceção

para tudo e nada. Suspirou resignado quando notou-se muito perto.

— Eu lembro de Moscou. — ela falou, repentinamente, mirando nos olhos dele -

— Eu não esqueço. — ele admitiu e umedeceu os lábios -

Ambos riram.

— Preciso voltar ao trabalho. — ela informou e se afastou do balcão, ajeitando o vestido como se tivesse bagunçado-o -

— Sem nem me dar um resquício da lembrança de Moscou? — ele questionou, agitando suas sobrancelhas em uma animação contida.

Hermione aproximou-se dele e pôs suas mãos em seus ombros e lentamente levou sua boca ao ouvido dele.

— Tire no cara ou coroa — sugeriu a morena — Se der “cara”, então poderá me procurar no final da festa. Se der “coroa”, então vai ter que ficar na vontade. — ela riu e deu uma mordida na orelha dele. — Até mais.

Ela saiu graciosamente e desapareceu em meio as pessoas. Draco, por sua vez, só teve tempo para pensar em Blás e começou a gritar;

— Blás, onde está aquela maldita moeda?!

Notas finais
Gostaria de agradecer ao QG por ter me recrutado. Tenho orgulho de poder fazer parte deste projeto! ❤

Então, desafio cumprido?

Hehhee.

Beijos de luz, amores!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!