Cara-a-cara com a Morte
1 História da Morte de George
Desde meus 13 anos nunca tive medo da morte, mas isto não significa que eu ficava arriscando a minha vida com qualquer bobagem. Meu nome é George, digo que nunca tive medo da morte, por quê ? Sempre confiei nela, acho que quando chegar minha hora, chegou... Mas como eu sou um ser humano, tinha um desejo antes de morrer: Uma morte feliz.
Você já teve a sensação de estar sendo seguido? Se não é melhor começar a desconfiar, a morte pode estar na sua cola.
Já estive cara-a-cara com a morte muitas vezes, sim, morrer é natural, me diz... Existe alguém que não morra ? Até os Cullen\'s tem um jeito de morrer. Mas voltando, quem nunca encontrou a morte ? Dou a minha palavra, todos encontram a morte em um momento de sua vida, e às vezes nem se dão conta que estiveram cara-a-cara com algum ceifador, quer ver ? Quando algum avô, um amigo querido, a esposa morrem... Achamos que a Morte é uma carrasca, que tira à quem se ama da gente, mas não é bem assim, ela apenas cumpre o seu trabalho.
Sempre disse, como no começo, nunca tive medo da morte, mas uma coisa que eu nunca até o dia em que ela tocou em meus ombros...
Contarei a história da morte de George Hackson, a minha história:
Sempre fui uma garota saudável, mas não era por isso que não pegava doenças, mas eram raras vezes que isso acontecia... Bem começamos a história:
- 27 de Outubro, 2028 — 10:10 pm -
Olhei para o relógio, eram 10:10 da noite, estava um tempo frio, as ruas desertas, e eu ali no ponto de ônibus, sozinha... Mas espera, nós nunca estamos sozinhos ! Senti um arrepio quando uma leve brisa soprou em meu ombro, não... aquilo definitivamente não era uma brisa, parecia... não, era uma mão, uma mão gélida que dava para perceber mesmo com as 3 blusas que eu usava, sorri:
- Nunca tinha pensado como seria esse dia — Pensei — Mas sempre quis morrer feliz. Idéia !
- Nossa ! Nunca pensei que seria convidada para participar do filme \" Todo Mundo Em Pânico 7\" ! — Comecei a rir, às vezes dizemos uma coisa, mas na hora agimos totalmente o contrário. Sim, eu estava com um pouco de medo, tenho que admitir. Mas já que eu atravessei metade desse caminho, por que NÃO continuar ?
- Você deveria ter mais respeito, moça — Sua voz era feminina e sensual. Seu hálito era gélido, arrepiou-me até os mínimos fios de cabelo em minha nuca, queria correr, mas isso não adiantaria, adiantaria ? Não... — Sabe quem sou ?
- Não é falta de respeito dona Morte — Dei um suspiro, cada vez que respirava, meu coração pesava — É que sempre quis morrer feliz sabe ?
- Mas caçoando de minha pessoa ? — Eu não ousava olhar para trás — Isso não arriscaria mais sua vida ?
- Mas eu já não vou morrer ? — Perguntei. Ela tentava colocar mais medo, eu estava me controlando, pra quê se preucupar ? Venci um pouco do meu medo, olhei de soslaio para a mão que tocava meu ombro. E não é que eu tive uma surpresa ? Sua mão era branca feito neve, suas unhas eram compridas, mas nada horrorosas, eram cumpridas do jeito que todas as mulheres desejariam ter. Reparei que tinha uma manga preta cobrindo-lhe o pulso, deduzi que era sua capa. Uma autêntica estripadora sinistra ! — Além de me divertir, quem sabe alegrar a senhora ?
Ficamos em silêncio, eu e a Morte numa rua deserta, estranho não ? Nunca tinah imaginado isso. O silêncio durou cerca de 1 minuto ou mais, percebi que eu estava mais descontraída. Resolvi quebrar o silêncio:
- Geralmente as pessoas não correm ?
- É, com você não deu muito certo — ela sorriu, percebi isso pela sua voz — Tem certeza que não quer correr ?
- Sei, quer dizer, pela lógica — me sentia cada vez mais segura — Se eu começar a correr, algum veículo pode me atropelar, não quero morrer desesperada e...
- Você bem que poderia — Passou a mão no meu ombro até o cotovelo — Não vai doer nada...
- Meu dentista vive dizendo isso, e acontece que dói muito.
- Você não confia em mim ?
- Acho que todos vão morrer, confiando ou não ? — Senti uma vontade de virar, me conti — E, bem, eu confio desde que nasci.
- Por que você diz isso ?
- Porque quando nascemos, assinamos um contrato com a senhora. Ainda assim, te acho uma grande amiga do ser humano. A prova é muito simples: Quem cuida das almas das pessoas ? Quem tira elas do mundo, porque se continuarem a viver sofrerão ? Quem ? A Morte, sempre a Morte...
Parei para respirar, para me certificar que ainda estava viva.
- Bem, nisso você tem razão — Ela parecia pensar — Já que é assim dá prqa sair pulando feliz da vida ? ¬¬
- Posso fazer umas perguntas antes ?
- Você tá com medo — Ignorou a minha pergunta.
- Tá tão visivel assim ?
- Claro, a prova é você não se virar
- Eu sei — Dizendo isso, me virei. Não me senti tão surpresa. Já havia deduzido pela sua mão. A Morte era loira, o capuz cobria-lhe metade do rosto, não pude ver seus olhos, seus lábios que sorriam cinicamente para mim, eram bem traçados, seu rosto lhe era proporcional. Olhei-a de baixo para cima, vestia uma... uma roupa que geralmente os freis que usavam [esqueci o nome agora \'o\'] preta, com um cordão de couro trançado cor de ouro amarrado em sua cintura, carregava um punhal — Que tal assim ?
- Melhor — Seu sorriso ainda era cinico — Que tipo de perguntas ?
- Bom, você sabe meu nome certo ?
- Quer saber como eu sei seu nome e a hora de sua morte ? — Ela me cortou.
- Não, porque se existe um contrato meu nome e a hora da morte estariam marcados no mesmo — Me lembrara alguém que adorava me cortar, mas quem ? — Queria saber seu nome.
- Meu nome ? Hmm. Como você acha que é meu nome ?
- Não faço a mínima...
- Pense bem, você sabe — Me cortou novamente. DROGA ! De onde conhecia esses cortes ?
Pensei, viera uma pessoa em minha mente: George, não, não podia ser. A nossa morte, a ceifadora que todos temem... era nós mesmo ? Continuei a pensar, 5 minutos se passaram, mas quando se conversa com a Morte o tempo pára, esqueci de comentar esse fato. Estava indecisa... Quem seria a minha Morte ?
- Hmm, antes de eu responder... Sabe... é que você se parece com várias pessoas, impossível dizer qual... — Não poderia errar nesse jogo de cintura — Então poderia tirar seu capuz ? Se realmente você me conhece, sabe que pra mim descobrir a vida — ou a morte — dessa pessoa, tenho que olhar em seus olhos.
- Pensei que nunca ia pedir — Dizendo isso, a morte que não se chamava Morte, tirou seu capuz. Finalmente pude ver seus olhos, eram vermelhos cor de sangue, fitei-a nos olhos — Sabe, enfim... Quem sou ?
Aqueles vermelhos vibrantes, suas iris preta, não podia-se confundir, não a mim, ela amara muito, mas também se decepcionara.
- Você amava uma pessoa, sempre lhe disse que ela era cruel, mas você nunca me ouviu né Gabrielly ? Morta aos 18, tiro a queima-roupa, uma das minhas melhores amigas — Tinha que me conter, não queria chorar, não, não poderia — Estou certa ?
- Você nunca se engana com as pessoas George. Ninguém — Começou — Quais mais perguntas você quer fazer ?
- Não tenho mais nada a te perguntar, quer dizer, só mais uma:
- Pra onde vou quando morrer ? — Lembro-me, zuava sobre essa pergunta, com a mesma resposta sempre: \" Não quero ir pro céu, ter que ficar rezando o dia inteiro, todo o tempo...
Ela se aproximou de mim, encostando os próprios lábios em meu ouvido e sussurrou:
- Se preucupa com isso agora ?
- Nem tanto sabe ? Só que, eu queria saber, sabe que eu não gosto de surpresas...
- Vou atender seu pedido, não vou te mandar pro céu — Um frio percorreu minha espinha, iria pro inferno então ? Ela parecia adivinhar pensamentos, deu uma risada — Nem pro inferno... Você vai ser uma ceifadora de almas depois de morrer.
- Não parece ser tão desagradavel — Ela se distanciou de mim e pude novamente ver os seus olhos — Espero né ?
- Já soube o que queria. Agora quer correr logo ?
- Pareceria idiota não ?
- Mas...
- Mas eu sempre me fiz de idiota, uma última vez não faria mal — Suspirei — Pera, isso não seria suicídio ?
- Não, apenas a morte que te assustou — Recomeçou a rir — Agora vai logo ! Já enrolamos demais não acha ?
- Ok, ok — Dei o primeiro passo, estava sozinha novamente — Espero que não machuque muito...
Atravessei a rua, não iria sair correndo, com a Gabrielly sempre gostei de fazer tudo ao contrário, ela sabia disso. Vi um par de luz forte, era do ônibus, ouvi sua buzina também, não me importei. Pra quê lutar contra a morte ? Não queria sofrer. Minha vida não passou diante dos meus olhos como um Flash Back, apenas a imagem da minha querida amiga Morte. Lembro-me antes do ônibus me fazer de purê, minhas últimas palvras, a qual em um corte, a Morte não me deixou terminar:
- To fu...
Acordei confusa, levantei-me e avistei meu corpo detonado, depois olhei para a Gabrielly, sempre com aquele sorriso cinico, mas que eu amava tanto.
Não tinha certeza de mais nada, nunca tive mesmo... Só uma coisa eu tinha a verdadeira certeza: Meu destino recomeçaria como uma ceifadora de alma, não deixaria ninguém sofrer, absolutamente ninguém...
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