Capuz Vermelho - 3ª Temporada
54 O Voo da Fênix (Parte 6)
As veias pareciam terem se transformado em estreitos canais por onde se sentia passar um calor similar ao de lava derretida após expelida de um furioso vulcão.
Rosie, o rosto suando profusamente e sentindo os olhos arderem, cambaleava pelo corredor do primeiro andar do Casarão, batendo os ombros nas paredes à medida que o desequilíbrio físico tentava evocar sua desistência reprimida.Entrara no banheiro com impulsividade, quase tropeçando, logo acendendo a luz e apoiando uma mão na pia, em seguida estando frente ao espelho onde observava algo diferente do reflexo esperado. Via-se uma face sacana e canalha. A sua faceta indesejável escarniava silenciosamente a condição da jovem em um sorriso debochante.— Você perdeu, Rosie. Pare de insistir numa batalha que não tem como vencer. — dizia o reflexo, incitante. — Só resta se entregar e mais nada. Não queria alcançar o sol? Veja só, aí está. Queria a sua salvação, a sua libertação. Mas as trevas a afastaram. Então pare de bancar a heroína de si mesma e aceite de uma vez... o seu destino!Rosie grunhira em ódio intenso, fazendo o espelho rachar-se por inteiro.Baixou a cabeça, a respiração ainda extremamente pesada."Me perdoe... Hector".O corpo, aos poucos, reduzia a tensão ao passo em que a jovem reerguia a cabeça e voltava seus olhos para o espelho destruído. De seus olhos piscara uma luz amarelada e meio tremeluzente. Alguns fios de seu cabelo adquiriam uma coloração loira em uma velocidade espantosa.Um sorriso tenebroso foi esboçando-se lentamente... ***— Por favor, se quer me matar, vá em frente, não me importo! — dissera um dos lacaios de Sekhmet ao ser agarrado por Hector pela gola rulê de sua camisa por baixo do colete marrom, contra a parede.— Apenas me diga como realizar um sigilo teleportador. — pediu o caçador, com rudeza na voz.— Posso fazer um para você agora. — disse ele, mostrando-se intimidado. Hector sacara uma adaga dourada e aproximou a ponta ao rosto do soldado, logo encostando-a com mais profundidade.— Não confio em você.— Por que não pediu ao maldito herege? — perguntou ele.— Áker e eu confiávamos que as coisas sairiam bem diferentes. — explicou Hector, a fala rápida — Ou me diz como se desenha o sigilo... ou farei com que tenha um destino bem pior que a morte.O lacaio rira zombeteiramente com os olhos fechados, estimulando a ira do caçador.— Agora sei o que houve. — disse ele — Sei porque nossa imperadora nos trouxe até aqui. A indigna Rosie Campbell...— O sigilo! — vociferou Hector, largando a lâmina e o desencostando da parede.— Está bem, o farei. — cedera ele, fitando-o seriamente — Mas só porque me ameaçou com um neutralizador. Não duvido que o herege colocou em todas as partes. — esticou o braço direito em direção à uma parede, movimentando os dedos com lentidão por alguns segundos.— Será que dá para ir mais rápido? — indagou Hector, apressando-se.— Está quase pronto. — garantiu o lacaio. — Caso não saiba como funciona... basta imaginar o local para onde quer ir no exato momento da ignição. Normalmente isso funciona com os forjadores, mas como é uma situação desesperadora... — estalara os dedos, ativando-o.O símbolo acendera sua luz amarelada no mesmo instante. Hector deu alguns passos adiante, sentindo o efeito de atração. Olhou mais tranquilamente para o soldado.— Só pra constar: não há sigilo nenhum gravado previamente neste museu.O lacaio franzira o cenho, visivelmente sentindo-se ludibriado.A atração puxara o caçador com mais força enquanto ele tentava proteger os olhos da claridade até, por fim, "colidir-se" com a parede. ***Com desprazer puro na expressão, Áker, numa área relativamente escura e cheia de pilastras, caminhava por entre os corpos carbonizados outrora ocupados por sentinelas que eram de sua filiação. Entreviu a figura de Sekhmet próxima ao pequeno muro, em frente à saída daquela área que ficava perto de uma espaço aberto com piso de cerâmica quadriculada.O sol fazia os lisos e pretos cabelos do receptáculo da deusa reluzirem. Estava parada, de costas, à espera do subordinado a fim de compartilhar uma verdade que passara um certo tempo reprimindo. O muro, por sinal, ia até a sua cintura.— Esqueceu de avisa-los antes sobre minhas intenções. — disse ela, sentindo a presença do arauto atrás de si, a face de satisfação e tranquilidade. — Até tentei explicar, mas não pouparam as ofensas, então... — virou-se para ele. — ... tive que elimina-los por crime de petulância. Desculpe, foi a força do hábito.— Os matou de propósito porque se negou a ser específica. — acusou Áker, fitando-a com rigorosidade ao andar na direção dela. — Você não muda mesmo. Nunca vai mudar.— Tenho certeza de que algo mudará depois desta conversa. — salientou ela, segura.— Diga de uma vez porque me chamou de um modo tão... atípico. — disse Áker, pouco paciente. — Sei que é sobre Rosie. Prefiro que seja rápida.
— Você quer tanto saber as razões que me levaram a paralisar minhas atividades ultimamente, certo? — perguntou ela, dando uns dois passos à frente — Posso ver a hesitação estampada no seu rosto, mas não se descontrole a ponto de sair fugindo como um covarde, não o encurralei numa armadilha.— Era o que Hector certamente estava pensando quando eu o deixei sozinho. — afirmou Áker, com seriedade na expressão.— Ele, por sinal, está perdendo o seu tempo. Gostaria de vê-lo mais vezes. — disse a deusa, demonstrando vontade em se encontrar com o caçador com o qual teve um breve contato uma única vez no antiquário desconhecido apoderado pelos coletores.— Vá direto ao assunto. — exigiu Áker severo.— Meu amado havia partilhado comigo as informações necessárias sobre a tal lenda. — disse Sekhmet, andando devagar por um lado. — Isto foi logo após eu descobrir o que ele verdadeiramente tramou. O que você entendia como golpe herético nada mais foi do que uma tentativa para lutar por uma causa justa que preservaria algum vestígio de ordem no império.— Tentativa de assassinato, pra ser mais exato. — retrucou Áker, pouco convencido.— Será que dá para ao menos desta vez não enxergar as coisas na camada mais rasa? — perguntou a deusa, estreitando os olhos. — Você não faz ideia do quanto eu tentei... do quanto eu implorei para que ele mudasse de ideia e se desprendesse desse sonho venenoso. Nunca se tratou de conservar a honra do império.Áker se viu em uma encruzilhada, sem saber como decidir a respeito do que acreditar. Entretanto, algo lhe dizia que nas palavras daquela que atentou contra a vida da inocente que jurou proteger haviam nebulosos rastros de sinceridade, além de aparentemente estar avisando-o para ignorar a forte perspectiva negativa que adquiriu após os atos malignos da deusa para dar espaço à uma compreensão adormecida perante ao seu manifesto. Resolveu tentar dar uma chance a si mesmo e à ela.— Está dizendo que...— Sim, serviçal. — disse ela, fortemente convicta, os braços cruzados. — A prioridade sempre foi finalizar de vez uma rivalidade estúpida que destruiria ambos e ainda levaria o império junto para o abismo. Só eu sei o quão obcecado ele estava com esta suposta lenda desde o dia em que a ouviu pela primeira vez. O amor próprio o consumiu, tornando-o egoísta e preso em si mesmo. E eu odiava sempre que ele usava a fachada de Rei inabalado para não levantar suspeitas. — fez uma pausa, desviando o olhar para um canto. — Tive minha deixa perfeita quando ele se enclausurou na própria mente para aguardar a resposta, depois que ele lhe deu a ordem explícita. Liquidar Rosie Campbell tornou-se a missão de extrema importância, e, admito, também estive obcecada... eu só não tinha certeza de como realizar meu desejo, então todas as provocações não passaram de mero improviso. Mas quero que fique claro que nunca tive intenção de mata-la apenas por obediência ao instinto. — confessara, lançando um olhar duro para o arauto. — Todas as vezes em que investi contra ela foram para salvar o nosso lar. Por que esse era...— O único jeito. — interrompeu Áker, um tanto pensativo e aparentemente desolado.— Exato. — concordou Sekhmet, assentindo positivamente. — Fiz tudo parecer uma revolta motivada por um ciúme doentio e fico feliz que funcionou. Mais do que raiva... eu tive medo. — disse, chegando mais perto do arauto. — Que gerava mais raiva por eu ser a única a tê-lo. Eu culpo a maldita quimera por contamina-lo com sua sede insaciável por mais poder do que consegue suportar. Mas... As vezes penso que... lá no fundo já estava esperando para despertar... O alto escalão nunca se prestou ao trabalho de puni-lo, mesmo que eu, sua consorte legítima, recorresse. Adivinha porque. — fez uma pausa, imaginando o momento com certa mágoa. — Era seu problema. Não deles. Meu amado estava à beira de pôr o império em colapso ao confiar a um mortal despreparado um poder que estava o matando.— A energia... — disse Áker, fitando-a curioso. — ... se tornou nociva?— Iria mata-lo em questão de pouco tempo. — revelou a deusa. — A batalha contra a quimera o forçou a ir além de seus limites. Não é que eu queira que este duelo não tenha fim, quero, na verdade, acima de tudo, a sobrevivência do império. Eu quis tomar para mim a dor que ele sentia. Mas ele rejeitava e dizia que só poderia ser de uma única forma... ***"... que só um mortal o faria alcançar o patamar superior, muito embora o meio por si só fosse considerado inferior, mas nele morava a vantagem e ele pôde comprova-la...O sigilo formou-se numa árvore brilhando intensamente sua característica luz amarela. Logo Hector saíra, seus pés arrastando para frente no solo e o brilho refulgente diminuindo em rapidez. Olhou ao redor desnorteado, mas conseguiu se reorientar e reconhecer o local como a área florestal de Raizenbool. Correu em disparada assim que entreviu o Casarão à uma distância relativamente média."... O pássaro flamejante da lenda era o próximo estágio evolutivo e com sua vinculação foi como se ele se sentisse... escolhido. Como se ninguém além dele fosse digno de tal posição. Era tentador, sei que era. Mas qual era a garantia de que um poder tão entorpecedor não pudesse leva-lo à loucura?"O caçador arrombara a porta com um forte chute e entrara rapidamente, vasculhando com os olhos cada ponto da sala de estar. Não tardou a se deparar com dois corpos de caçadores carbonizados largados no chão próximos um do outro. Encarou-os com temor enquanto passava por eles. Os mesmos sentinelas afiliados à Sekhmet. E aquilo só lhe significava uma coisa.— Rosie! — chamou ele, adentrando no corredor que levava para o quarto da jovem. — Rosie? — o lugar estava meio escuro, mas pensou ter escutado um ruído vindo do banheiro. — Rosie, apareça!Tomara um susto que descompassara seu coração e o fez estacar no mesmo instante.— Lamento informa-lo, senhor Crannon, mas Rosie decidiu hibernar para esquecer todo esse inferno. — disse Yuga, no corpo de Rosie, exibindo os cabelos da jovem, outrora pretos, como sendo de um loiro dourado. Esticou o braço direito, violentamente empurrando o caçador com sua telecinesia.Jogado feito um boneco, Hector voou com suas costas indo de impacto contra a parede. Seus membros foram completamente paralisados.O deus solar, desfilando ao sair do corredor e entrar na sala, mantinha o braço esticado para fazer o caçador permanecer imóvel e esboçava um sorriso maquiavelicamente cínico.— Maldito... — disse Hector, os dentes trincados em sua face raivosa.— Alguns de vocês dizem que se um deus é todo poderoso ele não pode ser de todo bom e se ele é de todo bom então não pode ser todo poderoso. — disse Yuga, andando em direção ao caçador imobilizado na parede. — Eu sou bom... e sou poderoso. — deu uma risadinha infame. — Eu sou bom em liberar todo o meu poder.Hector podia sentir o ar pouco à pouco querendo escapar de seus pulmões.— Mas de que vale tortura-lo — disse Yuga, resolvendo liberta-lo da pressão telecinética, baixando o braço -, se esta visão já cumpre toda a demanda?O caçador pôde novamente sentir o chão nos pés, arquejando em recuperação do fôlego.— Rosie Campbell é um caos aqui dentro. — disse ele, profundamente sério, dando dois passos adiante. — E quanto á você? Por onde será que eu começo?— Até gostaria de saber... o porque de me poupar, mas percebi que ainda posso usar um trunfo. — disse Hector, retirando algo do bolso externo do sobretudo de couro marrom. — Antes de me dizer porque me libertou... vou mostrar como prendê-lo. — exibiu o pequeno amuleto dourado na palma da mão direita, diante do ponto onde o deus solar estava parado: o tapete verde.O sigilo acendera em poucos segundos.Hector, confiante, transpareceu sua segurança com um sorriso torto.Contudo, Yuga mostrou-se indiferente, para a estranheza súbita do caçador.— Olha, eu realmente admiro sua auto-confiança, não é a toa que tive o escrúpulo de mantê-lo vivo. — disse Yuga, dando passos, ultrapassando o sigilo como se nada significasse, deixando Hector boquiaberto de tão estupefato. Ergueu a mão esquerda, logo estalando os dedos para apagar o sigilo. — Mas não será hoje que fará de mim seu prisioneiro. Se é que um dia realizará tal façanha. — falou, a expressão de deboche.Após baixar a mão, manteve-a aberta para surrupiar de Hector o amuleto por meio da telecinesia. Num piscar de olhos, o objeto voou em direção ao seu poder. Fechara a mão, olhando-a
— Sabe... Houve um tempo... em que eu mataria por um desses. — disse Yuga, logo incinerando o amuleto com sua energia, uma luz amarela sendo produzida como efeito. Abriu a mão e deixou as cinzas derramarem-se no chão. — Bons tempos. — disse ele, olhando para Hector com as sobrancelhas arqueadas.— Promete não me matar... Por qual razão? — perguntou Hector, o tom ríspido.— Para concretizar as premonições de um velho amigo. — justificou Yuga, tornando a direcionar-se ao caçador em passos lentos. — Descartar você à essa altura seria, no mínimo, desperdício.— E para quê, afinal? — questionou Hector, tenso.— Não é óbvio? — indagou Yuga, franzindo o cenho com um sorriso infame. — Assim como foi na morada dos deuses... deve ser na morada dos mortais.— Isso jamais vai acontecer. — rebateu Hector, desafiante, fitando-o com ódio.— De uma forma ou de outra, vai sim. — disse o deus solar, assentindo lentamente. — Mas não quero apressa-lo. Muito embora eu não deva garantir que Rosie volte ao controle, muito menos permitir que dividamos o mesmo espaço, porque, sinceramente, ela não durou muito enquanto tentava me prender com sua fraca mente. Não sabe o quão intenso foi o seu desespero à medida que eu...— Chega, pare de falar! — esbravejou Hector, no limite da impaciência.— Você pode tentar. — disse Yuga, o semblante de infâmia. — Mas não é tão estúpido.— Esse golpe foi bem conveniente. Você sabia que a enxurrada de memórias enfraqueceria a mente de Rosie para ter o menor tempo possível em assumir o controle. — constatou Hector, sem erro, o ar de desapontamento. — É tão podre quanto o seu arqui-inimigo.— Eu nunca subestimo meus favoritos. — declarou ele, firme no tom. — Ela realmente se mostrou uma criatura forte para os seus padrões e por isso tem meu respeito eterno.Hector fazia que não com a cabeça, vagarosamente, exibindo todo o seu repúdio escancarado na face.Yuga prosseguira:— Só existe uma verdade que o torture mais do que eu pretendia fazer: Você e Rosie nunca estiveram destinados a ficarem juntos. Não por um longo tempo. No mais, a escolha é sua: Pode ficar, cair no chão e se afogar nas suas próprias lágrimas em sofrimento interno ou... — inclinou a cabeça um pouco mais à frente — ... concordar com os meus termos. — fez uma pausa, percebendo a relutância do caçador, logo aproveitando-se disso — Dou-lhe uma... Dou-lhe duas...— Está bem! — dissera Hector, erguendo mais a cabeça após tanto hesitar — O que você quer de mim?— Vá até aquela besta abominável e diga que estou pronto. Além disso, diga que aceita a oferta. — disse Yuga, olhando-o fixamente.— Que oferta? Do que está falando? — perguntou Hector, enraivecido.— Há uma memória clara em Rosie na qual você e ele estão diante um do outro, ao mesmo tempo em que ela ansiava por convence-lo a não cair no suposto golpe. — disse o deus solar, provando ter total acesso às lembranças da jovem, das mais enevoadas às mais nítidas. — Meu segundo em comando também estava presente.— Deixar que Abamanu me possua!? — reclamou Hector, ciente de que estava sem saída. Olhou para um canto por alguns segundos, pensativo. — A troco de quê?— A vida de todos aqueles que ama. — salientou Yuga, sem rodeios. — Todos eles, sem nenhum arranhão. Sei como isso soa desagradável, deve estar se sentindo em um déja vu que está lhe corroendo até a alma.— Aceito. — disparou o caçador, voltando os olhos sérios para a divindade. — Me dê cinco dias.— Ótimo. É isso que chamo de convicção e atitude, gosto disso. — aquiesceu Yuga, abrindo um sorriso mefistofélico e enojante. — Seus amigos acabam de ganhar uma sobrevida.— O que vai fazer nesse tempo? — quis saber Hector, embora sentindo um medo terrível lhe dominar por ter perguntado.— Explorar meu potencial. — disse ele, afastando-se aos poucos em passos para trás. — Desfrutar do poder que este lindo corpo ajudou a fortalecer. Nos vemos em cinco dias.O deus solar desaparecera em nanosegundos diante do caçador, deixando-o a ver o nada.— Ou não. — disse Hector, recostando-se na parede em desolação cáustica até deixar-se abaixar e sentar-se no chão, externando em uma lágrima ao perceber que arriscaria perigosamente se valendo de alguns benefícios, dentre eles Údon.Mas algo lhe dizia que muitas das vantagens que possuía não trariam uma salvação duradoura.Fechou os olhos em tristeza profunda e teve como única certeza de que a verdadeira guerra havia finalmente começado. ***Em algum ponto do centro de Londres, Yuga desfilava, em meio às pessoas que iam e voltavam, com um sorriso fechado de pomposidade e altivez, apreciando o controle que matinha reforçadamente sobre o corpo de Rosie.Porém, estava literalmente invisível para todas aquelas pessoas que desprezava.Um homem de meia idade, calvo e de rosto meio quadrado, usando um chapéu e um casaco marrom alaranjado, esbarrou seu ombro direito com o da jovem, mas continuou caminhando como se nada tivesse acontecido — ou não tivesse sentido.Ao dobrar para um beco, ele sentiu-se estranho... por inteiro.Quando menos percebeu, seu corpo converteu-se em cinzas puras e desmanchou-se ao chão antes que ele pudesse emitir um grito por socorro.Ainda caminhando em meio à multidão de reles mortais, Yuga, satisfeito por sua primeira vítima, fez esvoaçar de leve a capa vermelha que sua escolhida tanto zelava.
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