Capsule

6 Amor, Silêncio e Luto


Notas iniciais
Adivinha quem arrumou uma beta? Euuu >..< Obriagada Marii sa linda Bem tá ai esse capítulo mais que suado e lutado, foi o mais difícil para terminar e o que mais mexeu comigo, então está ai.

Luto

Ela estava deitada no colchão, rendida a si mesma, fugindo do homem que a ameaçava lendo apenas seu silêncio, então se mantinha calada, o silêncio corroía suas bordas tentando lhe alcançar por inteiro, mas ela simplesmente corria. Havia dentro de si um vazio que devia ser preenchido de qualquer forma.

Ele entrou em silêncio, em seu silêncio tímido não havia timidez, não havia nada, apenas o silêncio, o pior deles, o vazio.

_ Anna. – Ele não a chamou, apenas disse seu nome como se falasse sozinho, como se quisesse guardar aquilo dentro dele, mas ela o olhou e sem pensar foi até ele.

Eles se olharam, sem sorrisos, sem palavras em uma profusão de silêncios que brigavam entre eles causando um novo que nem mesmo Anna poderia ler. Eles não fizeram nada, na verdade nem se olharam, seus olhos apenas estavam direcionados na direção do outro, mas eles se encontravam em outro lugar.

Ela para preencher seu vazio deu um passo à frente, um erro. Ele por não ser capaz de fugir ficou lá, covarde por ser covarde. A distância diminuía e o silêncio se unia e sem perceber estavam um junto ao outro, seus lábios levemente encostados impedidos pelo destino não se importaram, nada mais existia. Eles voltaram a ser apenas Anna e Roy, sem Capsule, sem nada, apenas duas crianças ligadas por algum propósito, ligados para se apoiarem, para se impedirem de cair. Lá havia a realização de um pedido impossível, lá havia duas crianças que se amavam sem saber, duas crianças que sabiam o que era a dor, mas não se importavam, pois um tinha o outro, lá havia um garoto sonhador e quebrado e uma garota gênio e vazia que se completavam com sorrisos e silêncios escondidos em olhares. Naquele momento, apenas naquele curto momento onde se beijavam da forma mais inocente possível eles eram apenas Ele e Ela sem “mais” ou “mas”, era assim.

Ela se afastou com medo, outro erro. O olhou, ele não disse nada, sem perceber havia escolhido o silêncio, mas aquele ela não conhecia, ela não sabia o que era, não sabia qual era aquele sentimento que surgia-lhe nos olhos, nas mãos ou em toda parte do corpo. E sem perceber cometeu o último erro.

_ Me desculpe. – Disse ela.

Ele ficou lá, da mesma forma, inquieto, obscuro e cansado. De alguma forma cansado, aqueles olhos brilhantes estavam foscos e haviam olheiras enfatizando aquilo que Anna ainda não havia percebido.

_ Desculpas? Pelo quê?

_ Pelo beijo. – Disse ela sem jeito.

_ Então para você foi um erro, algo que não deveria ter feito? Me diz Anna, por favor me diga, não me deixe aqui, desse jeito perdido sobre o que você faz e simplesmente desfaz. Não percebe o quanto é egoísta, mesmo depois de tudo que fiz por você? Você me pede desculpas por um beijo? Eu que peço desculpas por ter te incomodado.

Ela ainda não havia notado, estava sem reação, queria toma-lo para si, mas só estaria sendo mais egoísta.

_ Não minta para si mesma Anna, um dia será tarde demais. – Ele jogou algo em cima dela, um bilhete. – Ele estava nos aguardando. Isso é para você se não for incômodo vá vê-lo... – As palavras garravam e ele chorava, e ela ainda não havia percebido. – pela última vez, ele gostava de você, vá vê-lo pela última vez, é só o que te peço. – Então ela entendeu.

Roy em seu terno preto foi embora e levou consigo o seu silêncio incompleto, e ela em sua ignorância forçada leu com dor o bilhete que dizia: “Quero te ver mais uma vez Anna, venha me ver logo, e, por favor, cuide do Roy ele não tem a mais ninguém. Beijos, Luke.”.

E lá estava a garota gênio vendo o enterro do pequeno Luke de longe, não estava de preto, não chorava, nada fez, apenas se culpou pela morte do pequeno anjo que pensou conseguir salvar.

E de longe um homem de cabelos brancos avistava Anna em seu estado deplorável. Em seu rosto não havia nenhum sorriso irônico nem nada deste tipo, apenas um olhar vago.

_ Eu lhe disse que seu egoísmo iria lhe tirar tudo pequena garota.