Notas iniciais
Essa história acontece entre lua nova e eclipse, sempre fiquei imaginando o que poderia ter acontecido entre esses dois livros, visto que Bella e Edward se reencontraram depois de tanto tempo separados. É bem meloso, porque sinto falta disso nos livros.
Espero que gostem.

POV Bella

14 de fevereiro, dia dos namorados. Eu tentava não pensar muito em como fora a mesma data apenas um ano antes, enquanto me arrumava para sair com Edward. Ele conseguira (a muito custo e com a promessa que não gastaria uma fortuna comigo) me convencer a sair com ele para comemorar a data agora que ele estava de volta. Eu estava nervosa, seria nosso primeiro dia dos namorados juntos e eu não sabia o que esperar. Resolvi me arrumar um pouco mais, coloquei um vestido preto que havia ganhado de Alice e passei um pouco de rímel (que eu esperava não borrar com lágrimas até o final da noite, tinha a péssima mania de chorar por qualquer coisa). A noite era agradável, com uma brisa morna soprando por debaixo da inevitável camada de nuvens que cobria forks eternamente. Charlie estava de plantão e ia passar a noite toda na delegacia, então eu poderia ficar fora o quanto quisesse.

Desci, quando terminei de me arrumar, e sentei no sofá à espera de edward. Estava ansiosa. Desde que ele voltara da Itália eu desejava um momento a sós, um momento só nosso. Eu estava absorta em fantasias de como seria a noite quando ouvi suaves batidas a porta. Corri para abri-la e lá estava ele, lindo como um sonho, me olhando com aqueles olhos dourados brilhando, um largo sorriso no rosto. Edward vestia uma camisa cinzenta e um blazer preto, e vi que estávamos combinando, provavelmente graças a sua talentosa Irma adotiva.

—Oi- ele disse, simplesmente

—Oi- respondi, tocando seu rosto

Ele estendeu a mão que levava atras das costas e nela havia uma única rosa cor de vinho, cujo perfume eu podia sentir mesmo a distancia.

—Você está tão linda que eu me sinto envergonhado de chegar aqui apenas com uma simples flor. Você merecia um campo inteiro delas.

Eu sorri. Ele era impossível!

—Isso já basta. Obrigada, é linda

—Não há de que

Edward estendeu a mão e levantou meu rosto para olhá-lo nos olhos, e então me beijou delicadamente. Meu pulso acelerou como sempre, e eu respondi com um pouquinho de entusiasmo demais. Ele se afastou, rindo.

—Você está pronta?

—Sim, vamos. E é bom que você cumpra sua promessa, seja lá onde esteja me levando.

Ele riu mais uma vez e sussurrou algo que soou como "sim, senhora" enquanto nos afastávamos da casa de mãos dadas.

Eu estava tão absorta em meus pensamentos que quase não reparei que o carro havia mudado. Ao invés do volvo familiar e aconchegante, uma grande caminhonete preta com a caçamba coberta com uma lona estava estacionada no meio fio. Ao que parecia, eu jamais saberia quantos carros os cullen tinham em sua garagem.

—Belo carro- comentei, olhando desconfiada para Edward

—Gostou? Emprestei de emmet por uma noite-respondeu, tranquilamente

Edward me ajudou a subir, e a colocar o cinto, e, assim como da primeira vez em que ele me levara para sair (em um carro e circunstâncias parecidas) suas mãos se demoraram em minha cintura.

Ele não havia me contado onde iríamos, e dirigia tranquilamente, bem abaixo da velocidade em que costumava andar, o que me deixou curiosa.

—O que? Não vai colocar meus nervos à prova dirigindo como um dos velozes e furiosos hoje?

Seu riso preencheu o ambiente

—Hoje não. Não tenho pressa

Edward passou um braço por minha cintura e me trouxe para perto, onde encostei minha cabeça em seu ombro. Assisti-lo dirigir era incrível: fazia tudo com naturalidade, com apenas uma mão no volante. Parecia que havia nascido para isso, mas a essa altura eu já sabia que ele era assim em tudo o que fazia, era parte de ser um vampiro.

As nuvens foram ficando mais ralas e a noite mais clara a medida que andávamos. Estávamos saindo da cidade, aparentemente.

E então, Edward pegou uma trilha que eu não havia enxergado ao lado da pista. O cascalho irregular me fez sacudir dentro do carro, e ele riu. Andamos por 5 min na trilha e de repente estávamos no meio de uma clareira circular, cercada por grandes árvores. Eu podia sentir o cheiro de pinho e ar fresco.

—Espere aqui um minuto, eu imploro- Edward me pediu, e eu pude ver que era importante para ele, então resolvi esperar mesmo com a curiosidade me corroendo.

Ele saiu, e então estava de volta, em tempo recorde. Edward abriu a porta, e me pegou pela cintura para me ajudar a descer. Eu olhei em seus olhos, e de repente, lá estava ela, aquela eletricidade tensa que fluía sempre que estávamos próximos. Coloquei minhas mãos em seu pescoço, e, tão rápido que não cheguei a ver o movimento, eu estava presa entre o carro e ele, minhas costas pressionando a lataria os veículo. Eu sentia cada linha do meu corpo colada ao dele, e sua boca tomou a minha com uma intensidade que não era rotineira. Eu enterrei minhas mãos em seus cabelos, e enlacei minhas pernas em sua cintura, tentando prolongar aquele momento. Nossas bocas se separaram, e eu não era a única ofegante. Seus lábios se ocuparam em beijar meu pescoço, meus ombros e toda a extensão que alcançavam. Estremeci, mas não foi de frio.

—Bella, antes que eu perca minha sanidade, é melhor que eu lhe mostre a razão de ter lhe trazido aqui- Edward falou, num tom mais rouco que eu não conhecia bem.

Eu apenas concordei com a cabeça, ele se libertou das minhas pernas e me deu mais um beijo de tirar o fôlego. Então, quando estávamos no chão, passou o braço por mim e eu me agarrei a ele, querendo deixar o menor espaço possível entre nós. Nos contornamos a caminhonete e então eu parei: Edward havia transformado a caçamba da caminhonete em algo incrível. Havia uma pequena mesa na lateral, com duas cadeiras e um prato colocado em cima. No meio, um colchão de aparência muito confortável, com vários travesseiros e cobertores de tons claros dispostos. E, para iluminar, luzes brancas em cordões. Era lindo, simples e perfeito. Eu estava admirada.

—Quer jantar comigo?- Edward perguntou, me estendendo a mão, com o meu sorriso torto favorito no rosto.

—sim- respondi, fracamente, pegando sua mão.

Ele riu e me levantou pela cintura, me colocando em pé em cima da caçamba do carro. Depois, puxou a cadeira e esperou que eu me sentasse. Tomou seu lugar a mesa e me observou atentamente, enquanto eu, ruborizada, olhava o prato de comida disposto.

—Não acredito!- disse, sorrindo ao ver meu jantar. Era ravioli de cogumelos, o mesmo prato que eu pedira em Port Angeles, na primeira vez que ficamos sozinhos juntos.

—Você se lembra dessa noite?- me perguntou, os olhos dourados brilhando com a luz difusa das pequenas lâmpadas.

—É claro que lembro. Você me salvou, e, além disso, essa foi a primeira vez que conversamos sem nenhuma barreira entre nós.

—Naquela noite, você quase me matou de susto. Duas vezes! Uma, quando precisei te resgatar, e a outra quando simplesmente revelou que sabia o que eu era, mesmo depois de eu tentar esconder a todo custo. Eu devia saber que era inútil tentar, você é a pessoa mais teimosa e inteligente que eu conheço.

Ele riu, e eu me juntei a ele. Ficamos assim até eu terminar o jantar, rindo, conversando e lembrando nossos dias passados.

Depois ele ficou de pé, pegou minha mão e me ajudou a me levantar.

—Bella, agora, feche os olhos, por favor.- disse, a voz macia como veludo.

Eu obedeci, e senti suas mãos traçando meu rosto, leve como asas de inseto: seus dedos passaram pelas minhas têmporas, minhas sobrancelhas, delinearam meu maxilar e a curva do meu pescoço, depois traçaram levemente a curva cheia do meu labio inferior. Minha boca se abriu sob o toque, e de repente os dedos foram substituídos por outra boca, macia sobre a minha.

Edward me beijou por um breve momento, de forma doce e delicada. Depois, me pegou em seus braços e me deitou no colchão no assoalho da caminhonete.

Senti-o se esticar para alcançar algo, e depois seus braços me circundaram, mantendo meu corpo junto ao dele.

—Pode abrir os olhos agora, Bella.

E eu o fiz.

Minha respiração saiu num ligeiro "oh!" quando vi o céu acima de nós. Era cheio de estrelas, constelações inteiras delas. Era vasto, infinito, luminoso, imponente.

—Edward, isso é lindo!- eu disse, maravilhada, ainda olhando o céu como se fosse a primeira vez.

—Não é mesmo?- seu tom era grave, a voz baixa. Virei meu rosto para descobrir a razão do tom, e me deparei com o lindo rosto me olhando fixamente, a pouca distância. Reuni forças e olhei nos seus olhos.

—Edward, você é minha alma. Eu o amo- sussurrei.

Ele fez um som de contentamento, e de repente sua boca estava na minha, exigente. Eu correspondi o beijo, minhas mãos se enroscando em seus cabelos. As mãos dele, incomumente passeavam pelo meu corpo. Eu me senti subitamente quente, minha pele se arrepiando onde seus dedos traçavam.

Seus lábios se separaram dos meus me deixando respirar, e foram para meu pescoço, meus ombros, meu rosto. Eu ergui a cabeça para o céu e sorri, me sentindo feliz e leve.

Edward voltou a me beijar, de forma mais controlada e me apertou junto a seu corpo. Minhas mãos acariciavam seus cabelos, do topo da cabeça a nuca.

Algum tempo depois, ele se afastou e se esticou para pegar uma garrafa prateada ao lado do colchão. Colocou-a na minha mão e deitou a cabeça nas minhas pernas, fechando os olhos.

—beba para não ficar com frio- disse

—obrigado- respondi, tomando um gole. Era chocolate quente, e estava delicioso, eu podia sentir o calor da bebida irradiando por meu corpo. Minhas mãos voltaram para seu cabelo e ele sorriu. Eu tracei suas feições perfeitas com as pontas dos meus dedos, demorando-me nas pálpebras e nos lábios, que tremeram quando meus dedos fizeram o seu contorno.

Ficamos assim por um bom tempo, até que ele de repente virou e se apoiou nos cotovelos, ficando com o corpo sobre o meu, mas sem que eu sentisse seu peso.

—Eu queria que você pudesse sentir a intensidade do que eu sinto por você, mas acho que o corpo humano não suportaria. Eu a amo mais que qualquer coisa no mundo, Bella.- disse, me olhando intensamente.

—eu sei.- ri baixinho, ainda tonta pela declaração.

Ele sorriu e me beijou, rolando para que eu ficasse em cima de seu corpo. Eu arfei, mas resolvi não falar nada com medo de estragar o momento. Continuamos a nos beijar até precisarmos parar para retomar o fôlego.

Quando seus lábios se separaram dos meus, pedi para que ficasse imóvel. A essa altura do campeonato eu já devia estar acostumada a sua habilidade de virar uma estátua, mas ainda assim me surpreendi quando ele ficou completamente parado sob mim.

Passado o choque, coloquei meus lábios em suas pálpebras, e depois fiz uma trilha de beijos por seu rosto. Apesar do corpo imóvel, seus lábios se abriram com a proximidade dos meus, e a respiração saiu entrecortada.

Sorri sobre sua pele, e movi a boca para sua garganta, mordendo de leve a pele dura e macia. Incapaz de se conter, ele riu diante da ironia da situação.

—eu sou o vampiro, e você morde meu pescoço- disse, ainda rindo, mas eu conseguia ouvir a instabilidade escondida em sua voz.

—shhhh- respondi, beijando seu ombro.

Depois de um longo tempo, voltei a seus lábios e seus braços se fecharam a minha volta. Eu não me lembrava qual era a última vez (ou se havia tido uma) que ficamos assim, totalmente a vontade um com o outro, sem pressões, sem pensar em mais nada além de nós dois. É claro que o perigo ainda nos rondava, os Volturi ainda queriam me ver morta ou transformada, Victoria ainda queria meu sangue por sua vinganca, e Jacob ainda estava profundamente magoado comigo. Mas, naquela noite, tudo isso parecia insignificante, como se fosse uma realidade distante demais para me alcançar.

Eu suspirei e apoiei a cabeça em seu peito, totalmente contente. Seus dedos alisaram meus cabelos, da cabeça a cintura.

A brisa da noite balançava as folhas dos grossos pinheiros em volta da clareira, fazendo sons baixos da natureza. Uma coruja piava em algum lugar perto de nós. Eram sons pacíficos, agradáveis, como se estivéssemos isolados do mundo.

O barulho baixo, aliado ao carinho de Edward em meus cabelos cobrou seu preço: por mais que tenha tentado ao máximo ficar acordada, em poucos minutos estava dormindo.

Não vi quando ele me carregou para dentro do carro, nem quando me levou para a cama. Se deitou junto comigo, e me segurou pelo resto da noite.

Quando acordei pela manhã, ele se fora. Passando as mãos pelo pescoço, notei uma fina corrente prateada, com um pequeno pingente brilhante. Apesar de eu ter implorado para que ele não gastasse nada comigo, era linda e delicada.

Em cima de minha mesinha havia um papel com meu nome escrito em uma letra preta inclinada e elegante. Sorrindo, peguei-o e sentei na cama para ler.

"Bella" Edward escrevera "por favor não surte com a gargantilha. Ela me faz lembrar do brilho das estrelas refletido nos seus olhos. Por favor, aceite, como um lembrete da noite passada e de meu amor. Você é minha vida."

Abaixo do curto bilhete estava sua assinatura. Eu o guardei com cuidado no meio de um dos meus cadernos, e depois fui me arrumar para mais um dia, sabendo que Edward era a minha maior certeza.

Notas finais
Sempre que escrevo historinhas assim eu tendo a ficar com vergonha alheia depois, mas até que enfim tive coragem de postar. Se gostaram, por favor comentem.