Capitulo Um
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Viventes Somnium
Usa, 13 September 2012
Os gritos que vinham da cada dos Johnson podiam ser ouvidos da rua. Mike estava mais uma vez bêbado.
- VOCÊ TEM QUE MORRER, AFINAL MATOU QUEM EU MAIS AMAVA, A MORTE É POUCA COISA PRA VOCÊ, SUA MÃE MORREU NO SEU PARTO, VOCÊ ACABOU COM A VIDA DELA E COM A MINHA. ALIÁS, NEM SEI SE POSSO CHAMAR ISSO DE VIDA NÃO É? TRABALHO PRA SUSTENTAR ESSA CASA, SUSTENTAR A ASSASSINA DA PESSOA QUE EU MAIS AMEI – ele estava fora de controle, olhava pra garota a sua frente com raiva, angustia ,dor e o pior, nojo.
- Mas eu não tenho culpa.. – ele a cortou e novamente gritou
- NÃO TEM CULPA? VOCÊ ACHA MESMO QUE NÃO TEM CULPA? CASO VOCÊ NAO TENHA ESCUTADO EU REPITO PARA QUE VOCÊ GRAVE BEM E NUNCA ESQUEÇA ISSO. MARIE MORREU QUANDO VOCÊ NASCEU, QUANDO ELA TE COLOCAVA NESSE MALDITO MUNDO, ELA MORREU POR SUA CULPA, SUA CULPA. – A garota de 16 anos estava sentando no chão segurando a cabeça com as duas mãos e chorando desesperadamente, seu pai, Mike, fazia questão de falar que sua mãe morrera por culpa dela, ela não tinha culpa, tinha?
-Por quê?- Ela se levantou e olhou bem nos olhos azuis igualmente aos seus — POR QUE VOCÊ ME FALA TUDO ISSO? VOCÊ POR ACASO ACHA QUE É FÁCIL PRA MIM AGUENTAR ISSO, ISSO QUE VOCÊ FAZ COMIGO, POR ACASO VOCÊ ACHA QUE EU NÃO QUERIA CONHECER MINHA MÃE? PEDIR CONSELHOS PRA ELA E TODAS ESSAS COISAS? VOCÊ ACHA QUE EU NÃO ME SINTO CULPADA? ACHO QUE VOCÊ NÃO SABE QUE HOJE É MEU ANIVERSÁRIO, E O QUE EU MAIS QUERIA ERA TER MINHA MÃE AO MEU LADO, MAIS EU NÃO TENHO, NÃO TENHO NADA. O QUE EU TENHO É O SEU ÓDIO, SUA RAIVA. EU NÃO AGUENTO MAIS ISSO, ANTES DE DORMIR A FRASE “A CULPA É SUA, VOCÊ MATOU SUA MÃE” SE REPETI EM MINHA CABEÇA, eu.. eu só queria ter ela ao meu lado.- Ela abaixou a cabeça e lágrimas insistiam em rolar por suas bochechas, John apenas a olhava com nojo, nojo da própria filha, ele saiu em passos largos e subiu os degraus, um a um sem pressa e sem olhar pra trás. A garota secou os olhos com a palma das mãos e subiu as mesmas escadas que o pai subirá a pouco tempo.
Ela abraçava o travesseiro deitada em sua cama e chorava sem parar, como sempre as palavras dele rodavam em sua mente, atormentando-a. Ela tinha culpa? Ela era culpada? Uma assassina? Não, não e não. Ela não queria acreditar naquilo, ela não podia acreditar naquilo. Ela olhou o pulso esquerdo e ali estava uma pulseira que ganhou assim que nasceu, a pulseira tinham pequenas pedrinhas rosa; ela também tinha alguns dizeres em uma língua que Sam desconhecia. Talvez aquela pulseira fosse passada de geração pra geração.
Samantha não conseguia dormir rolava de um lado pro outro. Mais ela tinha que dormir afinal, amanhã ela teria mais um dia de aula, mais um dia naquele inferno, literalmente, ela não agüentava mais aquele lugar, aquelas meninas mimadas cheias de frescuras apenas a irritavam mais ainda.
O dia amanheceu nublado, o céu estava cinza e as pessoas andavam totalmente agasalhadas e com seus guarda-chuvas em mãos, prontos para abri-los assim que o primeiro pingo caísse em suas cabeças, uma garota dos longos cabelos castanhos escuro, andava em meio à multidão, seu olhar era vago, parecia estar em outro mundo, perdida em pensamentos. Uma forte rajada de vento passou por ela e Samantha puxou o casaco contra o corpo com a intenção de se esquentar, ela usava um jeans, um grande casaco cor de vinho e um all star branco surrado. O vento batia em seu rosto fazendo cócegas e levando seus cabelos para trás. Ela olhava tudo mais de algum jeito não enxergava nada, em seu pensamento apenas uma coisa aparecia “culpada”. Será que ela sempre ia ser perseguida pela culpa? Será? Será? Existem tantas hipóteses, tantos “talvez “. Afinal, por que tudo tem que ser incerto? Por que em tudo existe um “mas”, um “talvez” um “porém”. Por quê?
E finalmente chegou à escola, aquele lugar chegava a ser patético, pessoas que se acham melhores que tudo e todos, que acham que podem humilhar as outras, pisar nos outros como pisam em insetos que podem passar doenças contagiosas a todos a qualquer momento. Sam andava pelos corredores da escola olhando às vezes pro lado, até que uma garota do bando das “populares metidinhas que acham que podem pisar nas pessoas” apareceu em seu caminho, seu cabelo era tão loiro que chegava a ser branco, a garota olhou Samantha de cima abaixo, enquanto ela apenas pensava o que aquela garota mimada fazia em seu caminho.
- Ora, olhem quem está aqui, a garota sem mãe, ops. Desculpe por falar isso em publico queridinha. – Samantha a olhava com raiva, aquilo não ia ficar assim, ela não ia humilhá-la daquele jeito. Ah, não ia mesmo.
-Ora, se não é a garota sem cérebro do bando as patricinhas mimadas. Diga-me, como é ser apenas um objeto na cama de todos os jogadores do time de futebol? Ops, desculpe. Ah, não vale pedir desculpas não é? Afinal isso é a verdade que todos sabem, mas tem medo de dizer, mas pra que eu iria temer um nada como você? Bom, se você me permite eu tenho que passar. – Antes que a garota falasse qualquer coisa Sam saiu, apenas ouvia burburinhos e risadas, alguns a olhavam com curiosidade, ela não ligava o que mais queria era achar um lugar pra se trancar e chorar.
Aquele assunto mexia demais com ela, apesar da pose de durona na frente de todos o que ela mais queria era gritar pra pararem de falar sobre sua mãe e chorar. Quando percebeu que não tinha ninguém atrás dela, Samantha seguiu pro teatro. Era muito raro haver pessoas lá, por esse motivo ela queria tanto ir pra lá. A pouca luz do lugar era bom, as poltronas da platéia eram confortáveis, mais a garota dos olhos azuis sentia a necessidade de andar, não estava ajudando ficar parada em um lugar. Ela se levantou e andou para a coxia, ela nunca tinha ido ali. O chão era de uma madeira antiga, os passos leves e que faziam pouco barulho se tornaram pesados e que faziam um eco por todo o teatro. Seu celular escorregou do bolso e caiu em cima de uma das madeiras que fez um eco um tanto diferente. A garota se abaixou e deu duas pequenas batidas na onde o celular tinha caído novamente o eco se repetiu, Samantha analisou bem aquela madeira e percebeu uma pequena cordinha na lateral esquerda, tentou abri-la uma, duas e enfim na terceira tentativa a “porta secreta” se abriu. Pelo estado que aquele lugar se encontrava com certeza ninguém entrava ali a um bom tempo.
Uma lâmpada estava pendurada no meio do lugar, ela apertou o interruptor e a luz ficou piscando por alguns segundos até que acenderá totalmente. A primeira coisa que ela viu foi varias fotos coladas na parede e alguns baús antigos no chão. Ela não iria pra aula, seu animo pra ficar ouvindo qual cor de esmalte é melhor nas unhas da professora de português estavam em zero por cento. Samantha observava as fotografias, todas eram de uma única bailarina, a garota olhava as fotos com curiosidade, enquanto dava pequenos passos pro lado pra ver as outras fotos, chutou alguma coisa que não conseguiu distinguir o que era, ela se abaixou e viu que o objeto que chutou era uma sapatilha de ponta que já estava um pouco desgastada, antes de pensar o que estava fazendo se sentou no chão e calçou uma das sapatilhas, por incrível que pareça elas serviam perfeitamente bem. Ela sorria olhando pros próprios pés, aquilo de alguma forma a deixou melhor, a trazia certa paz que é inexplicável. Ela olhava aquele lugar como o seu grande tesouro, como uma criança olhava seu novo brinquedo.
Sam olhou o baú e ele por algum motivo estava aberto, ela engatinhou até ele e o abriu por inteiro, a garota olhava o vestido que havia achado maravilhada, todas aquelas coisa a estavam fazendo esquecer seus problemas, de algum modo a faziam bem. Ela olhou pra pulseira e tudo que esquecerá a pouco tempo veio á tona em sua mente. Lágrimas começavam a querer descer por suas bochechas, ela não iria mais chorar, ela iria se superar, não iria mais se culpar e isso era uma promessa, e aquele lugar seria seu lugar secreto, ela iria arrumar tudo aquilo e uma idéia se formava em sua mente.
O tempo passou muito rápido, antes que ela percebesse já era à hora de ir embora, afinal ela por mais que terrível que fosse ela ainda tinha uma casa e um pai. Ela pegou sua mochila e apertou o interruptor e a lâmpada apagou. Ela subiu a pequena escada de madeira que dava acesso à saída daquele lugar e empurrou com um pouco de força a passagem. Sam bateu as mãos em sua própria roupa pra tirar o pó e saiu correndo em meio às poltronas do teatro. Os portões enferrujados da escola estavam quase se fechando, sua sorte foi que alguns garotos estavam enrolando pra sair da escola e apenas por isso não haviam fechado o portão. O sol ainda estava encoberto pelas nuvens cinza, ainda ventava.
Você já se sentiu sozinho em meio à multidão? Era exatamente isso que Samantha sentia.
Samantha chegou em casa e assim que abriu a porta de casa viu seu pai jogado no sofá com latas de cerveja a sua volta e algumas embalagens, ele olhava para ela novamente com nojo. Em dizia pra sim mesma “não chore, não chore, não chore Samantha, você não pode acreditar em tudo que te falam”. E conseguiu segurar o choro, antes que ele falasse qualquer coisa ela foi pra cozinha pegar algo pra comer. Talvez tivesse alguma coisa que desse pra improvisar um sanduíche. Ela comeu e logo subiu pro seu quarto sem falar nada. A curiosidade a corroia por dentro. A todo instante ela se via pensando no lugar secreto que achou na coxia do teatro de sua escola. A garota sentou na cama encostada na cabeceira e pegou seu notebook. Samantha queria achar alguma coisa sobre a bailarina misteriosa daquela escola, óbvio que ela era uma estudante, entre 15 e 18 anos. Sam procurou pelo nome da escola e alguma apresentação da bailarina. E então se lembrou de dizeres que viu no baú do vestido “Viventes Somnium ”. A garota procurou por aquilo e achou uma foto do vestido quando ele ainda era novo. Uma garota de longos cabelos castanhos escuros e olhos verdes o vestia, ela era realmente linda. Ali havia somente seu sobrenome. “Sparks”. Era esse o sobrenome da garota, talvez fosse ela a bailarina. E porque os dizeres do baú estavam em latim? Porque ela não falava seu nome? Questão de segurança, talvez? Provavelmente não, ela não tinha cara de ser essas garotas que fazem sexo sem camisinha, ou que estava fugindo da policia por ter se metido em confusões por drogas e bebidas alcoólicas.
E assim, Sam passou a noite, procurando coisas sobre a bailarina misteriosa, descobriu que a tal garota com o sobrenome de Sparks era mesmo a garota das fotos do seu lugar secreto. Sim, seu. Ela iria cuidar daquilo a partir de amanhã, provavelmente mais ninguém da escola saberia da existência daquele tipo de porão. Ela limparia tudo e iria renovar aqueles móveis, ia arrumar tudo do seu jeito. Já era de madrugada quando o sono deu boas vindas a Samantha.
Não se importava se ia acordar morrendo de sono pra ir à escola, afinal os professores não passavam tarefas e nem se davam ao menos o trabalho de preencher a lista de presença, ela ainda se perguntava o porquê de estudar para as provas, que pareciam ser as mesmas em todos os quatro bimestres.
E pela primeira vez durante anos a palavra “culpada” não dominava seus pensamentos e sim uma cena que acontecera há muito tempo atrás.
“A garotinha de olhos azuis estava sentada no ultimo galho da árvore de Ypê rosa, olhava tudo a sua volta com um pequeno sorriso. Primavera, sua estação favorita, as flores enfeitavam os belos jardins de todo o lugar. Muitas crianças brincavam, algumas com suas bolinhas de sabão, outras corriam pelo parque.
Aquele lugar na opinião da pequena garotinha de seis anos era um dos mais bonitos de todo os Estados Unidos. Talvez por ser ali onde tenha feito algumas amigas, que ela via praticamente sempre que ia aquele parque.
-Sam, Sam, venha aqui, olhe essa joaninha – Falava a garotinha de cabelo loiros , que era dois anos mais velha que Sam olhando para um pequeno inseto que achará em uma das flores que haviam em baixo da árvore em que a garota de olhos azuis estava. Sam desceu da árvore com estrema facilidade. Samantha agachou do lado de Bler e olhava curiosa o pequeno bichinho.
- Ela é diferente, tem manchinhas amarelas, e não vermelhas como é nos desenhos, será que é legal ser diferente de todas as outras joaninhas? Ela é bonita, mesmo sendo diferente.
- Bem, eu não sei você que é diferente. – A garotinha loira falava com a voz baixa, era extremamente tímida.
- Mas porque eu sou diferente Bler? Ué, eu sou normal olhe. Dois braços, duas pernas, dois olhos, duas orelhas, dois pés, duas mãos. Sou normal, como você. – Sam ainda não tinha entendido o que a pequena Bler tinha falado.
- Mas todos têm uma mãe e você não, você é especial, diferente de todos – Foi então que o mundo da pequenina garota de olhos azuis desmoronou, seus olhos se encheram de lágrimas. -Mais sabe Sam, eu queria ser diferente. Você é especial igual a essa joaninha, ela é linda assim como você. Vocês são parecidas, superam a diferença e conseguem ser felizes. — Bler olhou pra Sam e sorriu.”
Sam sorriu ainda se lembrava de Bler, ela fora sua melhor amiga até os 12 anos de idade depois disso a garota loira foi embora para a Califórnia com seus pais e elas perderam totalmente o contato.
O sono dessa vez veio mais forte e Sam acabou por adormecer.
Usa, 14 September 2012
O despertador tocava em cima do criado. A garota sussurrava alguns xingamentos e lentamente se sentou na cama. Samantha simplesmente odiava acordar cedo, principalmente acordar cedo pra ir àquela escola. Mas hoje ela não iria á aula novamente, passaria o dia arrumando o “porão” que achou no teatro.
A única coisa que considerava boa em sua casa de manhã era que seu pai já havia saído para o trabalho. Para ela, quanto menos contato os dois tivessem seria melhor. Ela o amava quando era pequena, mais com o tempo ele começou a culpá-la pela morte de Marie, e isso a fez ter um tipo de ódio por ele.
Samantha pegou o pote de biscoitos e comeu alguns, pegou duas latas de refrigerante, alguns salgadinhos e uma garrafinha de água e colocou dentro da mochila, seu notebook já estava dentro da mesma. E saiu apressada pelas ruas, praticamente corria em meio à multidão. Já eram 06:57 e o portão da escola fechavam ás 07:00 em ponto, não eram permitidos atrasos.
Samantha esbarrava em algumas pessoas e por várias vezes ouviu xingamentos dirigidos á ela, mas isso era o que a menos preocupava no momento.
06:58.
- merda, merda, merda, merda de despertador, merda de vida, merda de horário, merda de escola, merda. – A garota reclamava enquanto corria nas ruas das proximidades do colégio. A última coisa que queria era encontrar a garota do bando as metidinhas que tanto a irritavam.
06:59.
Sam já estava quase nos portões da escola, faltavam apenas alguns metros. Já não agüentava mais correr, ela arfava a todo o momento, sua boca estava seca e alguns fios de cabelo já tinham caído do seu coque frouxo.
07:00.
Samantha andava pelos corredores lentamente, não iria para a aula mesmo, então não tinha nenhuma pressa pra nada. Na verdade apenas tinha curiosidade por aquele lugar, mais ainda. Ontem não havia descoberto praticamente nada sobre aquilo, só o nome da possível bailarina, e nem certeza de que era mesmo ela, Sam tinha.
Havia alunos conversando, outros riam do que alguém falava e como toda escola não poderia faltar o grupo das populares, o dos revoltados com a vida e o dos jogadores da escola, perfeito, não falta mais nada.
Samantha bufou e continuou andando e o que mais desejava que não acontecesse, aconteceu.
A tal garota estava na sua frente com um sorriso amarelo de orelha a orelha.
“o que falta pra minha vida ficar melhor?” Samantha se perguntava em pensamento. O sorriso falso daquela garota a estava irritando profundamente
- Você achou que poderia falar comigo daquele jeito e simplesmente sair andando? Como se nada estivesse acontecido queridinha? – A garota a olhava com uma mão na cintura e apontava o dedo para o rosto de Sam. Ela estava procurando briga, com certeza estava.
- Primeiro: Para de apontar o dedo pro meu rosto antes que eu o quebre, e ah não duvide disso. Segundo: É a segunda vez que me chama de queridinha, e pare de me chamar assim ou.. — A garota loira a cortou e elevou seu tom de voz.
- Ou então o que? Você acha que por acaso eu tenho medo de você? Ah faça-me um favor. Queridinha. – Ela falou dando ênfase no “queridinha”. Aquilo foi à gota d’água pra Sam, ela aumentou sem tom de voz o deixando igual daquela garota ridícula.
- Me chame de queridinha novamente e você verá o que eu faço – Samantha cruzou os braços e sorriu debochada, sabia que aquilo iria irritá-la. E de fato irritou, a garota alargou o sorriso falso dela.
-Q-u-e-r-i-d-i-n-h-a. Agora o que você vai fazer mesmo? Me bater ? Só saiba que eu não tenho medo de você.
- Se eu brigar com você quero apenas que saiba que eu não irei brigar puxando cabelo e também não tenho medo de quebrar a unha. – Sam sorriu e deu um passo a frente a garota estava paralisada, nunca ninguém daquela escola haviam a desafiado, sempre zombou dos outros e nunca ninguém tinha feito nada com ela.
- Então, você não queria brigar queridinha? Então estou aqui. – Sam estava disposta a irritá-la ao seu máximo. Ela estava se virando quando a garota simplesmente puxou seu cabelo. Muito previsível. Sam se virou e deu um tampa no rosto da garota que caiu no chão com a mão no lugar onde tinha levado o tapa.
- Você não sabe nem brigar e quer vir me bater, tsc, tsc. Inútil.
- Inútil é você Samantha Johnson, a órfã. Que triste não? Eu não iria querer ser você, deve ser horrível viver sem sua mãe e com um pai que não liga pra você, não é mesmo queridinha? – Ela havia tocado na ferida da garota. Ela poderia chorar, mais chorar não iria resolver seus problemas, só iam mostrar que ela é uma fraca, uma garotinha tola. — Agora vá lá chorar, queridinha.
- Não me chame mais de queridinha. Você acha que é quem pra humilhar os outros? Você não é nada, NADA. Prefiro ser órfã e ter cérebro do que ser igual a você. Eu não sei nem seu nome e também não quero saber. Desisto de brigar com você. Sabe porque? porque você é uma mimada que tem medo dos outros que não te obedecem.
- PARE DE FALAR ASSIM COMIGO — A garota gritou, as pessoas ao redor prestavam atenção em tudo.
- Ora, porque eu pararia? não é você que gosta de humilhar os outros? Pois então, prove do seu próprio veneno. Bom, vamos falar a verdade não é? Você não passa de uma garota mimada que tem tudo o que quer, quando quer. Humilha os outros, já dormiu com praticamente todos os garotos desse colégio, vê apenas os defeitos dos outros e esquece os seus. Quer que eu fale mais ? ok, vamos lá. Seus pais já subornaram o diretor para que você passasse de ano, porque nem capacidade de fazer uma prova que é igual em todos os bimestres você tem. Agora vá chorar, e ah cuidado pra não borrar a maquiagem e virar um panda. — Todos os alunos estavam surpresos com Samantha, afinal ela nunca se misturava com os outros, e quase não falava nas aulas. A garota loira já havia se levantado e ido em direção ao banheiro. Samantha apenas enrolou o cabelo e o prendeu no mesmo coque de antes e voltou a caminhar em direção ao teatro.
Como sempre aquele lugar estava vazio, apenas um ou outro aluno iam lá. Ela foi para a coxia e dessa vez rapidamente abriu a tal porta que dava acesso ao porão. Entrou e acendeu a luz. Limparia aquilo, porque era certo que ficaria espirrando até o próximo ano se ficasse naquele lugar cheio de pó. Sam se sentou no chão e abriu a mochila, o lugar não era tão alto e ela mal conseguia ficar de pé sem bater a cabeça no teto. O jeito era ficar ajoelhada ou sentada.
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