Caos coercitivo

1 CAOS COERCITIVO


Quantas vezes ainda terei que dizer adeus? Eles apenas fingem ir embora, estão sempre no meu rodapé, minhas pulsações atraem os fantasmas do chão, seguem-me aonde for que vou, já tentei de tudo... Ou não tentei nada? Acredito que tenho me acostumado a viver com certas criações, o demônio virou rotina e um trago de cada vez, diária.
Thomas Hobbes, filósofo inglês: “O homem é o lobo do homem”, sem dúvidas somos caçadores e predadores reivindicando a mesma área, falamos muito de Jesus, porém estamos mais para Bonaparte. Está nos livros de História, riscado nas paredes, emoldurado em quadros, com sangue de guerreiros que estavam munidos de sonhos e munidos morreram. Há duas vertentes nessa afirmação, por um lado podemos ter total concretização que um homem destrói o próprio irmão por inveja, maldade, a natureza de Caim, somos tomos movidos pelo ego e também por nossos fantasmas, cabe-nos escolher a dedo quem fará de parte de um arsenal ou de um buquê. No outro radical, com olhos arregalados voltados para própria alma. Não é necessário bombas nem escopetas para acontecer uma guerra, por causa da vivência contemporânea afirmamos com convicção entre os dentes travados que a maior guerra, longe de Síria, Iraque e espaço sideral acontece nos confins estranhos, semelhantes a becos escuros e as profundezas perigosas de um oceano, intitulamos: Mente.
Tentamos vencer as más tendências, os seres humanos não nascem com virtudes ou qualidades, e sim certas tendências, algumas que carecem urgentemente de auxílio para aflorar, outras que não devem ser tocadas nem em noites escuras sem um cobertor quente. Quando um ninfomaníaco percebe o quão bom é o prazer proporcionado por um vai-e-vem incessante, não planeja parar e sim arregaçar as mangas e continuar.
Temos tamanho poderio para incêndios ou aquecimentos, nossa força é feita as paixões, gosto sempre de lembrar de uma reflexão que tive nos primórdios da minha juventude: “Não sabemos se a paixão irá aquecer nossa moradia ou derrubá-la em chamas”. Somos a bala, responsáveis pelo disparo, encarregados da arma.
Um certo dia um professor de ciências renomado que agora se dá de corpo e alma para artes cênicas, disse-me uma vez com certa inglória nas palavras: “Nós nascemos da imperfeição”, respondeu angustiado tentando mascarar sua atual situação quando afirmei com um sorriso no rosto: “Nossa, tudo isso é tão perfeito!”, tenho medíocre certeza que haveria muitas outras lembranças que deveriam ser grafadas, todavia foi uma memória que mudou meu jeito de ver, acredito conscientemente que de um modo inarrável a ponto de não saber exemplificar o que ao certo mudou.
Estamos a procura de amores, conexões, criamos expectativas e em total paradoxo esperamos que as decepções tendam a diminuir, contudo acontece o antônimo, não que esse destino coercitivo seja horrendo, ele nos molda, talvez bem demais.
Sou um planador, em meio de pássaros e adagas rasgando o céu, o que esbarro ou atraio decide muitas vezes qual será o fundo do poço que me encontrarei, ou talvez, no mar de rosas que mergulharei.

FIM
16/08/14

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