Notas iniciais
Desculpem a demora, eu estava com barreiras na minha criatividade mas agora estou de volta!!!! O capítulo ta em edição de celular, ou seja, sem demarcações de parágrafos, sorry :((( mas espero que gostem! Enjoy Xx
O dia amanheceu cedo, ensolarado, mais claro do que o normal. Diana esquecera-se de fechar as cortinas, pois a primeira visão que teve ao despertar, ainda muito sonolenta, foi a imagem distorcida do sol, cegando seus olhos por um milésimo de segundo antes de cobrir a face e se proteger. Nesse momento, a cabeça doía um pouco, mas nada tão forte quanto sua dor nas costas. Tinha dormido sentada. Ou era do que se lembrava. Parecia mais um borrão. E agora muito confuso. Diana tinha a cabeça encostada no travesseiro, deitava-se confortavelmente na sua cama como normalmente fazia todas as noites antes de dormir. Também usava uma coberta que ia até os ombros. Não lembrava dessa parte, nada de estar confortavelmente na cama, coberta pelo seu cobertor favorito. Na verdade, do que se lembrava?
Levou uns dois segundos para a noite de ontem vir à tona e Diana se levantar num sobressalto, sentando-se na cama, varrendo o quarto com os olhos e procurando algo bastante particular. Estava mais para um alguém. Onde estava o Hans? Adam, para falar a verdade. Ela lembra muito bem, por mais que tivesse seus dias terríveis onde sua memória não guardava quase nada, nunca se esqueceria da noite passada.
O metrô. Os amigos do Adam discutindo sobre um assassinato. Chegada de estranhos e o palco de uma briga. Logo ela se viu salva por Hans e a espera de que ele saísse são e salvo de lá quando a polícia chegasse. A resposta veio logo depois. E mais aterrorizante. Havia sim visto-o a salvo da polícia aqui, mas tivera que se esforçar para não entrar em pânico quando descobriu que tinham atirado nele. Mesmo que ele voltasse a dizer que havia sido de raspão. A noite passada estava bastante vívida na sua memória, principalmente o fato do que eles fizeram.
Oh, droga. A cabeça de Diana voltou a arder. Também tinha beijado-o e mesmo que tentasse negar, havia sido o melhor beijo da sua vida. Voltou a se perguntar o que estava acontecendo com ela?
O quarto estava mais vazio do que o normal, talvez porque a lembrava de Adam ocupando o cômodo a fizesse ter essa sensação. Ele tinha se levantando mais cedo? Fugido? Tomado café? Ou roubado ela? Diana saiu da cama no mesmo segundo, tentada pela curiosidade. Vasculhou pelo quarto alguma coisa que entregasse que havia dormido com Adam na noite anterior, mas nem marcas do corpo dele no colchão havia. Ela foi para o corredor. Ultrapassou o banheiro e o espiou. A toalha. A toalha que havia lhe dado ainda estava ali e isso queria dizer que ela não havia inventado nada. Diana andou até a cozinha. Vazia como o resto dos cômodos. Ela vasculhou na sala e até mesmo no quarto de Abby. Sem rastro dele ou mesmo da possibilidade de sua amiga ter chegado.
Num movimento rotineiro, ela percebeu as horas. Seis e meia. Cedo ainda para sua aula que começava as oitos. Tirando as segundas que tinha a liberdade de chegar até as nove horas, Diana sempre teve comprometimento com seus horários. Nunca chegava tarde. Até conhecer o Hans. Desde que ele apareceu sua vida entrou numa desordem total, desandou ladeira abaixo, parecia um sinal de como ela viveria se deixasse que ele ultrapasse mais as barreiras que limitavam os dois. Hans e Diana não combinavam e ela sabia disso, ele também sabia, na verdade, não havia comprometimento algum dos dois, e entre os dois. Eles se conhecerem não queria dizer que algum dia poderiam dar um salto enorme para algo mais íntimo e serio. Diana não sentia nada por ele, além de uma atração — que ela acreditava ser passageira -, principalmente quando ele se obrigava a provocá-la. Não podia negar que Adam era repleto de uma mistura sensual e atrativa, embora nunca fosse algo que ela procurava em um homem. Diana tinha que colocar na cabeça que nada iria acontecer e que ela não precisava ficar com medo disso, pessoas faziam amigos, mesmo que fosse estranho se tornar amiga de alguém com a vida do Hans.
Embora também sua vida tenha ganhado um rumo perturbador nos últimos dois dias, parecia que hoje o dia estava parcialmente normal, tirando o fato de ter perdido Adam de vista. Isso voltou a atormenta-la a mente. Para onde ele foi? Para casa? Ele poderia ter pelo menos avisado que tinha ido embora, escrito um bilhete, algo que a fizesse sentir um pouco menos preocupada. Não porque se importava com ele, claro, Diana estava preocupada com o que lhe acontecera. Apesar dos inúmeros defeitos que ele tinha — e as qualidades físicas excepcionais que deixavam suas pernas bambas — ele a salvou na noites anterior e ainda tinha levado um tiro por defender um amigo. Um amigo que havia cometido um crime. Isso a esfriava dos pés a cabeça.
Essa era a vida de Adam. Gangues, assassinato e bares. Havia coisas que não deveriam ser descobertas, levadas à tona, coisas que ela não se atreveria saber. Diana não sabia o que a aguardava no mundo do Adam e de certo modo nem queria saber. Era coisa demais para sua cabeça, fora do seu mundo, da sua rotina habitual, Adam não era alguém que compartilharia com ela os mesmos costumes, nem ela os dele. Manteria distância como prometera a si mesmo. Entre seu futuro e os riscos da vida por se envolver com alguém, ela escolheria seu futuro.
No mesmo segundo, o telefone tocou assustando-a. Diana não imaginou primeiramente quem seria. Talvez Abby avisando que milagrosamente havia acordado cedo por causa dos ensaios, somente isso para levá-la ligar aqui as seis e meia da manhã. Ou poderia ser os seus pais. Eles normalmente ligavam uma ou duas vezes por semana para saber como ela estava, depois de um tempo, eles acabaram se acostumando com a vinda dela para cá e diminuíram a frequência dos telefonemas. Antes, chegava a ser quatro ligações por dia. Mas quando Diana atendeu, não reconheceu o número na tela.
– Alô?
– Tem um segundo para reconhecer a voz. — alguém disse. — e nunca uma garota esqueceu.
Naquele mesmo momento, Diana reconheceu a voz. E por instinto, acabou sorrindo.
– Oi, Adam! — ela suspeitou que ele havia sorrido também. — Por que está me ligando a essa hora?
– Queria prestar uma queixa. — ele disse muito sério. — Você não me disse que essa merda de costurar um ferimento doía tanto. — resmungou, falando um pouco dengoso.
– Achei que você tinha dito que já tinha passado por coisas piores.
Ele ficou quieto.
– Bem, é verdade. Mas ainda sim essa droga doeu.
– Pelo menos está a salvo agora.
– É, e graças a você. O doutor elogiou quem me fez curativo. Tive que dizer que foi você. Sou um cara de sorte.
Ela sorriu.
– Espero que não apareça na minha porta para uma segunda vez.
Houve silêncio. Não havia saído como ela queria.
– Se está me convidando...
– Não estou. — ela o interrompeu.
– Acreditei que não estivesse.
– Como conseguiu meu número, Adam?
– Ah, foi muito difícil. Liguei dele para meu celular e gravei o número. Foi quase como passar num prova da sua faculdade. — ele estava debochando.
– Idiota.
– Já ouvi isso. Em dois dias ouvi mais vezes do que a minha vida toda.
– Pararei de falar quando você não for mais um idiota.
– Mas confessa que sou um tipo diferente de idiota. — disse. — Sou um que vale a pena.
Ele sempre elogiava a si mesmo quando podia.
– Não sei ao certo. — ela o provocou, mal estava acreditando na sua ousadia com ele.
– Achei que iria dizer isso. — respondeu, quieto. — Ah, preciso te fazer uma pergunta.
– O quê?
– Escolha: Kelsey ou Yorks?
– O que é isso? Escolas de artes? Eles não têm cursos para ator pornô, Adam.
Ele deu uma risadinha sem graça.
– Está mais selvagem. Gosto disso. — ela corou ate pelo telefone. — Mas não é para mim, é para uma amiga.
Diana fez uma careta. Por que ele perguntaria a ela sobre um curso de artes para uma amiga dele? Não pode evitar ficar irritada.
– Por que está perguntando isso a mim?
– Você disse que tem uma amiga que faz. Queria uma escola realmente boa.
– Abby faz na Kelsey. — deixou escapar. — Talvez sua amiga goste.
– Ela vai adorar. Ela é muito boa. Testes é com ela mesmo. — ele estava provocando-a?
– OK. Espero que ela se saia bem. — Diana murmurou. — Agora preciso ir. Preciso desligar.
Ele ficou quieto por alguns segundos antes de respondê-la.
– OK. Eu também. — ele se silenciou. Foi estranho, depois disso Diana não soube como terminar, era tão difícil assim dizer um adeus?
– Tchau, Hans.
– OK. E... Obrigado. Por tudo. Vou ficar te devendo essa.
Diana não soube o que responder.
– Adeus, Hans.
Ela desligou.
A sensação foi a mais estranha possível, como se alguma coisa não estivesse no eixo certo. Mas o que poderia ser? Diana tentou não pensar no assunto, se dirigiu para o banheiro e tentou pela primeira vez voltar ao seu mundo, a sua vida normal como antes, como sempre fora. Esperava que a noite passada tenha sido a última vez que vira Adam, queria colocar um fim nisso. Queria sua vida de volta, preferia morrer sem ter nenhuma dessas experiências que passou nos últimos dois dias. Não era pedir demais que as coisas voltassem a ser como antes ou era?
Diana tomou um banho quente, escovou os dentes e penteou o cabelo depois. Vestiu-se para ficar logo de prontidão. Calça jeans preta e uma blusa laranja, mais claro que a cor natural. Ajeitou seus livros e foi para cozinha, terminar de tomar o café. Como sempre gostava, café expresso e doce acompanhado de uma torrada com manteiga. Quando finalmente terminou, saiu de casa sete e dez.
Por incrível que pareça, a confusão no metrô não pareceu ter perdurado nesta manhã. O movimento parecia normal como sempre, apesar de que Diana tenha conseguido ouvir alguns múrmuros sobre uma certa confusão na noite anterior. Ela tentou não dar ouvidos, não queria lembrar que tinha estado envolvida, queria esquecer.
Por volta das sete e meia, chegou na faculdade, procurando logo de cara suas colegas Annie e Brienne. Contaria sobre o Hans como prometera, mas não diria nada sobre a noite anterior, não queria compartilhar sua trágica noite com ninguém. Sabia que elas ficariam entre loucas de medo ao mesmo tempo que loucas de excitação. Não tinham a vida movimentada como queriam, diferente de Diana. Enquanto para elas, um risco de vez em quando era saudável, para Diana era repugnante. Por que essas coisas aconteceram logo com ela? Logo com alguém que repudiava o perigo, os riscos da noite, os caras maus. Mais do que nunca Diana estava acreditando que o destino e q força do universo estavam de gozação com ela.
Quando encontrou Annie e Brienne, levou até o horário da aula contando como conhecera Hans, encurtando alguns fatos. Da mesma forma como imaginara, as duas enlouqueceram de animação, fazendo perguntas a todo instante.
– Você gosta dele?
– Ele já beijou você?
Ambas as perguntas faziam Diana corar.
– Não para todas as perguntas. Por Deus, podemos ir para a sala agora?
Livrar-se delas seria uma batalha, mas quando o sinal tocou, elas foram obrigadas a cessarem o assunto e irem para sala.
Foi somente no intervalo que Diana notou o Matt. Antes, assim que chegava na faculdade procurava por ele, sentia vontade de enviá-lo alguma mensagem, desejar-lhe bom dia, qualquer coisa, mas ultimamente parecia que a última coisa que passava em sua cabeça era seu antigo flerte. Isso a fez ter pensamentos estranhos. Parara de pensar no Matt, aquele que ela jurava ser o cara perfeito para ela e agora não fazia outra coisa a não ser pensar no Hans ao mesmo tempo que sabia que ele não era o cara perfeito para ela. Por que estava tudo de cabeça para baixo?
Após suas últimas aulas e ter dividido o tempo estudando na biblioteca, Diana recebeu uma ligação de Abby, um poucos antes de decidir chegar mais cedo na escola de Natasha.
– Onde estava?
– Na biblioteca, mamãe. — Diana zombou.
– Engraçadinha. — Abby deu um falsa risada. — Enquanto isso, passei o dia ensaiando. Acordei seis horas em ponto hoje para os ensaios finais. Você vai vim não é?
– Mas é claro.
– Chegue às sete horas, terá umas apresentações extras da minha turma. — Abby disse, tagarelando como sempre.
– Tudo bem. Já ia falar com Natasha sobre isso.
– Ela vai entender.
– Espero. Chegarei sete horas em ponto, OK?
Abby sabia que quando Diana marcava um horário, ela chegava no exato momento prometido.
– Tudo bem. Vou tentar comer alguma coisa, estou com os nervos à flor da pele.
– Tenha calma. Vai dar tudo certo. Eu conheço seu trabalho, amiga. Quando você se apresentar naquele palco, não terá para ninguém.
– Certo. Certo! Ah, eu espero... — sua voz aumentou um tom, talvez fosse a ansiedade. — Então cuide logo. Me de um toque quando chegar
– Ta. Te ligo quando estiver indo. Beijo.
– Outro.
Diana nem teve tempo de raciocinar, encontrou-se de cara com Matt no corredor da frente, olhando para ela com um ar curioso.
– Oi.
– Oi. — ela respondeu estranhamente. Mesmo que sentisse alguma coisa mudando entre eles, Diana ainda tinha borboletas no estômago quando o via.
– Como está indo?
– Bem. Muito bem. E você? — qual o interesse? Passaram semanas sem se falar com uma certa dignidade e agora parecia que Matt estava querendo algo.
– Estou ótimo. Ocupado com o curso. — ele sorriu, o mesmo que fazia as pernas de Diana ficarem bambas, embora dessa vez não tenha tido o mesmo efeito. — Ah, eu ouvi sem querer... a Abby vai se apresentar hoje?
Diana corou um pouco. Ele estava ali a mais tempo do que ela pensava?
– Sim. Um musical. Ela está ansiosa para isso a meses. — sentiu-se orgulhosa pela amiga, sabia o quanto Abby estava esperando por uma apresentação assim, algo que valesse a pena.
– Sério? Posso ir? Quero dizer, se não for incomodo claro.
Diana corou.
– Claro que pode. É público. — disse, mas odiou do jeito que saiu. — Ah, as apresentações começam as sete horas.
– OK! Então te pego nesse horário? — seu sorriso cresceu.
O que diria? Não tinha um horário marcado com Natasha, não sabia se chegaria para assistir às apresentações de iniciação. E pior do que isso, era que Matt nunca soube das suas aulas no Five Points.
– Ah, desculpe. Não sei se posso marcar com você. Eu tenho uma coisa antes... Não tenho um horário fixo para chegar no evento. — para sua surpresa, ele ficou decepcionado. — Mas podemos nos encontrar la, OK?
Relutante, ele concordou.
– Se eu chegar mais cedo, guardo um lugar para você na frente.
Ela ficou inquieta. O que era toda essa prestação? Matt nunca havia sido tão prestativo com ela antes, a não ser assim que se conheceram, mas era ainda sim bastante estranho.
– Está combinado. Te vejo de noite. — Diana disse, voltando-se para seu caminho. O dia amanheceu mais confuso do que esperava, achou que tudo se encaminharia para sua vida normal como sempre, mas agora, parecia que o que ela era antes não era o que ela queria ser agora.
O que isso queria dizer?
Notas finais
Obrigada pelos comentários maravilhososssss do capítulo passad!!!!
Fale com o autor