Caos Irresistível
8 Capitulo 8
Notas iniciais
Adam tinha o gosto do proibido. Nos lábios de Diana ela ainda podia degustar a mistura salgada do seu beijo, anestesiante e excitante. Ela nunca tinha dado muitos beijos em sua vida para se tornar experiente nesse caso, mas mesmo assim ela pode afirmar que era o melhor beijo do mundo. O melhor da sua vida. Podia parecer um eufemismo da sua parte, mas quase tinha sido uma batalha impossível romper o beijo e se afastar de Adam. Era tentar ir contra seus próprios instintos, uma vontade profunda e até obscura. Naquele momento Diana percebeu que ele era mais perigoso do que ela podia imaginar. Adam a deixava numa situação que ela não sabia com tanta certeza se conseguiria superar, sair ilesa. Ele despertava sua parte mais frágil e indefesa.
Ela não queria que isso acontecesse.
Quando ultrapassou a porta do banheiro e pode finalmente colocar os pensamentos em ordem, deu graças a Deus por ter saído de lá a tempo. Nem passou pela cabeça o que aconteceria se tivesse ficado lá, se tivesse sido fraca e deixado que ele tomasse as rédeas. Por um momento, quando Diana correu para seu quarto e fechou a porta, sua respiração não tinha se equilibrado. Não era natural, nunca havia se sentido assim na sua vida, nem mesmo quando deu seu primeiro beijo no colegial com um menino que até então era seu melhor amigo. Faziam tudo juntos e durante sua festa de dezesseis anos, ele depositou um beijo leve e ligeiro na sua boca as escondidas de todos. Naquele momento ela não achou que seu coração poderia chegar a uma velocidade daquela, a uma frequência descompassada de batimentos exorbitantes por causa de um garoto. Mas agora, estando tão ofegante atrás da porta do seu quarto, encostando-se nela como se alguém estivesse perseguindo-a, ela teve sua ideia estraçalhada. Sim, acabara de ter o coração descompassado numa frequência nunca sentida antes, e também nunca esteve tão em dúvida como agora.
– Que merda. — ela xingou para si mesma.
Andou em direção ao espelho do seu quarto e se olhou nele. Nem dava para acreditar o que tinha feito nos últimos três dias. Havia pegado carona com um desconhecido, se encontrando com ele uma segunda vez, ainda havia se metido numa confusão com caras de uma gangues que nunca tinha visto na sua vida e para somar tudo, havia beijado um deles. Adam Hanson. O Hans. Isso só podia ser o inferno.
Ela não era assim, não iria se entregar a um cara só porque ele sabia mexer com uma garota como ninguém. Ela era mais que isso.
Num súbito, Diana ouviu o som de porta batendo. Ela ligeiramente andou até a saída do seu quarto e entrou no corredor. Adam estava cambaleando até a parede, estava agora de jeans, o mesmo que estivera vestido. Ela se perguntou se ele estava sem sua parte de baixo... Ela logo espantou os questionamentos e tentou não pensar nisso. Diana andou rapidamente até ele, agora sem a camisa ela podia notar que ainda saía sangue.
– O que você está fazendo? — ela o repreendeu, colocando-se em sua frente.
– Dando um fora daqui.
– Por quê? Você está louco, por acaso?
Adam bufou.
– Eu posso resolver isso em casa quando eu chegar. — ele nem a encarou.
Diana ficou fula da vida.
– Não ouse sair por aí com isso aberto desse jeito. — ela quase gritou. — Você pode pegar uma infecção, Adam. Seria melhor que a bala tivesse perfurado sua pele então, pouparia tempo e assim já estaria no hospital.
Adam revirou os olhos.
– Sobrevivi a coisas piores.
Diana o encarou, o sangue fervendo a cabeça.
– Que merda, Adam. Você pode me escutar uma vez sequer? Você não vai sair daqui.
Ele ficou quieto, dessa vez ele a olhou. Seus olhos eram absurdamente escuros, notaria isso sempre que olhasse para ele.
– Eu sei que não sou bem-vindo aqui. — disse. Diana franziu a testa. — Depois de você se mandar daquele jeito eu entendi.
Diana corou por ter que se lembrar do que acontecera.
– Foi diferente. Você, você... Você sabe o que você fez.
– Poxa, Diana. Eu não beijo tão mal assim, ou beijo?
Ela ficou vermelha como pimentão dessa vez. O rosto quente, envergonhada por dentro, sentindo que uma hora estapearia o rosto do Hans e depois sairia correndo dali.
– Não, não é isso, quer dizer, ah... Pare! Pare de ficar lembrando disso.
– Foi só um beijo.
– Deixe-me ajudá-lo. — ela o ignorou.
Hans se aproximou.
– Por acaso ele mexeu com você? — droga, Diana se xingou mentalmente. Ele se aproximou.
– Não!
– Não?! Por acaso está mentindo? Porque, se quer saber — Hans encarou seu rosto com tanta intensidade que podia jurar que ele podia ler seus pensamentos. — ele mexeu bastante comigo.
– Você está drogado. Com os analgésicos.
– Estou sóbrio, porrra. — ele murmurou. Deu mais um passo. Diana foi forçada a encará-lo. Pro inferno seus conselhos de ser forte. Ele parecia o diabo em pessoa.
– Adam, Adam...
– Quê?
Ele mordeu o lábio. Diana notou.
– Afaste-se!
– Não.
– Agora.
– Não, Diana.
– Eu vou empurrar você então. — Diana piscou. Hans riu.
– Será a única forma de você me fazer se afastar, porque agora estou fascinado pela desenvoltura dos seus lábios. — ele moveu sua mão como se fosse tocá-la. Nesse segundo, Diana não tinha força para se mover. — Alguém já disse que você tem os mesmos lábios da Wendy do Peter Pan?
Diana enrubesceu. Na dúvida, ela empurrou seu corpo e entrou no banheiro. O ignoraria, seria esse seu plano de ataque, ou melhor, seu plano de não-ataque.
– Vou pegar a gaze e tampar o ferimento. Amanhã por favor tente ir até um hospital, não vai arrancar seus olhos se fizer isso. — desajeitadamente, como se nada tivesse acontecido, ela pegou a lata de primeiros socorros e entrou no corredor. Adam tinha a expressão irada ao mesmo tempo que sedutor irresistível. — Venha.
Ela não queria esperar nenhuma brecha para que ele atacasse ela novamente. Quanto mais cedo isso terminasse, mais rápido ela se livraria dele. Sem muita vontade, Diana viu Adam segui-la até seu quarto, dessa vez bastante curioso. Ele chegou e avistou primeiramente as paredes, não muito diferentes do restante da casa. Mas o quarto sem dúvida uma parte mais íntima de Diana.
Havia pouca coisa nas paredes como decoração, a não ser dois quadros, um a paisagem de um campo verde é uma enorme árvore bem ao meio e a segunda vários prédios e um por do sol. Fora eles, a parede era totalmente lisa e limpa. Havia apenas uma cama de casal no centro encostado em uma parede, uma guarda a roupa no lado oposto, uma mesa com um computador e um notebook, um enorme tapete de penas rosa e Diana, olhado para Hans como se fosse encontrar algum vestígio do que se passava na sua cabeça.
– É um quarto muito bonito. — ele finalmente disse. Moveu-se curioso até o quadro. — Você que pintou?
Diana percebeu que Hans ainda se movia curvado para o lado por causa do ferimento da barriga. Os analgésicos não tinham feito o efeito que ela queria.
– É, como adivinhou?
– Achei que fosse. Você parece ser o tipo de pessoa que faz de tudo um pouco. — ele a encarou por cima do ombro. Seu maldito coração ardeu em falso, mas ela soube controlar dessa vez.
– Que tal você sentar aqui? — ela apontou para sua cama, decidida que queria terminar com isso logo.
Hans bufou.
– OK! — ele andou preguiçosamente até sua cama e se sentou na beirada, meio tenso. Esticando o corpo o máximo que podia para não sentir a pele sensível dobrar.
– Você vai ter que aguentar, Hans.
– Adam! — ele gemeu, mas por causa da dor. — Porra isso dói.
– Nunca levou um tiro antes?
Ele fez que não, parecia um tanto obvio. Mas depois abriu bem os olhos e encarou Diana.
– Por que? Acha que sou o tipo de pessoa que está sempre envolvida com essas coisas?
Diana ficou quieta, meio envergonhada. Ela achava mesmo.
– Ah, não precisa responder. — ele bufou, depois virou o rosto para o lado.
Diana se ajoelhou ao seu lado e abriu a caixa de primeiros socorros. Tirou os gazes para limpar o sangue que teimava de sair para depois fazer o curativo. Sentou-se ao seu lado na cama.
– Você sabe que não sou nenhuma experiente com isso. Então quero que concorde comigo que amanhã irá até o hospital para costurar isso, OK? — ela o olhou de baixo. Estava inclinando o corpo para frente e para baixo para fazer a limpeza.
Adam até gostava disso, Diana podia ser frágil e boa demais, mas sabia ser durona e persistente quando queria.
– Tenho outra escolha?
– Claro que tem. — ela sorriu. — Morrer de infecção. Pelo menos poupará sua distribuição de genes por aí.
Adam riu-se. Sua barriga tremeu um pouco e ele teve uma leve pontada de dor, apesar disso, continuou sorrindo.
– Eu amo esse seu humor. — ele a encarou. – E, aliás, eu sempre faço sexo seguro.
Diana tentou não assimilar a palavra com terminação "xo".
– Bom para você.
– Mas seria uma experiência muito prazerosa encontrar alguém e poder relacionar-se com ela sem precisar usar aquele plástico irritante.
Diana ruborizou. Ainda bem que estava inclinada para frente, assim ele não podia ver seu rosto. Mas mesmo assim, sua mão vacilou na barriga do Hans e ela teve que se afastar. Ela quase tinha derrubado o gaze no seu colo e sua mão ultrapassado o limite e quase esbarrado numa parte intima demais dele.
– Vou fazer o curativo agora. — ela o alertou, tentou ao seu máximo ignorá-lo.
– Vai fundo.
– Então se incline para trás um pouco. — Diana trouxe consigo mais um gaze e um esparadrapo para fixá-lo na pele.
Hans fez o que ela pediu. Passou os braços para trás e inclinou-se na mesma direção. Seu abdômen estava esticado para ela. Foi bem mais rápido do que ela pensava. O ferimento estava quase totalmente limpo quando ela fixou o gaze ali e terminou.
– Pronto.
– É só isso?
– É, gênio. Mas você precisa visitar o médico amanhã.
Ele fez que sim com a cabeça.
– Eu irei. — Hans se levantou numa tentativa de testar o curativo. Ele se esticou um pouco e apesar da dor, tinha sido um ótimo trabalho. — É isso que você faz na faculdade então? — ele disse de repente. Diana o olhou. — Você faz medicina. É uma boa área. E você tem talento.
Diana enrubesceu.
– Obrigado pelo o que você fez
– Tudo bem. — ela se levantou.
– É sério. Você é muito boa. Obrigado.
– Só... só cuide bem disso e vá...
– Para o hospital. Saquei – ele a interrompeu com um sorriso divertido nos lábios.
Diana revirou os olhos e se moveu. Pegou a caixinha e limpou o restante dos gazes sujos. Hans ainda continuava ali parado olhando para seu ferimento e de vez em quando espiando-a. Seria a hora que ele deveria dizer que estava tarde e tinha que ir embora. Mas parecia não acontecer.
– Você não mora sozinha ou mora? — ele a seguiu até a cozinha.
– Tenho uma colega de quarto.
– E onde ela está?
– Ela faz parte de um grupo artístico, nesse momento ela está na casa de uma colega por causa de uma apresentação. — para sua surpresa, pareceu tão fácil contar isso ao Hans.
– Então ela não vem hoje? — Diana se virou para ele. Ele estava encostado no balcão, olhando para ela. Apesar de parecer animado, ele estava olhando-a torto.
– Não hoje. Amanhã sim. — ela quis de alguma forma avisá-lo que não ficaria sozinha.
– Então você estará segura. — ele respondeu. Diana não pode ficar mais surpresa do que agora, ele não estava querendo saber de sua vida diária, e sim se ela não ficaria sozinha. Isso teve consequências estranhas no seu consciente.
– Sim, eu estarei. — ela decidiu dizer. — E você? Vai para casa agora?
Adam fez que sim com a cabeça.
– Está tarde.
– OK.
Eles ficaram se olhando por dois logos segundos, sem saber o que dizer um ao outro. Até que Adam se mexeu.
– Melhor eu ir. — ele piscou algumas vezes, empurrou o balcão para ganhar impulso e cambaleou para o lado oposto ao que ele ia.
Diana correu até ele antes que ele tombasse no chão.
– Que que é isso?
– Acho que são os analgésicos. Está se sentindo sonolento?
– Um pouco.... Talvez muito. — ele fechou parcialmente os olhos.
Diana não acreditou que faria isso, mas não podia deixá-lo pegar sua moto nesse estado até seu bairro. Era mais perigoso para ele do que para Diana se ele ficasse aqui.
– OK, Adam. Você vai dormir aqui.
Ela tentou segurá-lo pelo ombro, tentando levá-lo até seu quarto.
– Não é necessário.
– Eu insisto. Não deixaria você andando sozinho nesse estado.
Depois disso, ele não disse mais nada.
Desajeitado, eles foram até o quarto de Diana. Era espaçoso para os dois, ela pensou, não seria tão perigoso assim abrir as portas da sua casa para um desconhecido... Ou seria?
Diana o ajudou até a cabeceira da cama, tentando erguê-lo em pé ao mesmo tempo que tentava não cair, ele era mais pesado do que ela supôs. Lentamente, ela tentou empurrá-lo para cama, mas Adam mal conseguia manter-se em pé, ou pelo menos em alerta, acordado. Ele pendia a cabeça para o lado, sentindo-se sonolento aos poucos. Ela não conseguiria mantê-lo em seus braços quando ele dormisse de verdade. Numa tentativa quase falha, ela se jogou na cama junto com ele, sentando-se na cama e carregado o peso de Adam junto com ela. Nem havia se lembrado de ascender a luz. E ele mal dava sinais de lucidez. Diana teve que por si só ajeitá-lo ali, no seu colo, colocando sua cabeça em baixo de um travesseiro em cima das suas pernas e ajeitando-se para ficar confortável, ela só esperaria o momento certo para sair sem acordá-lo, não queria passar a noite ali.
Adam roçou o rosto no travesseiro e soltou um gemido baixo de sono, já entregue. Ele nem notaria se ela levantasse. Mas, pelo pouco esforço que ela fez, ela não conseguiu se mover como queria. Teria que ficar ali, infelizmente.
– Por favor... – ele sussurrou de repente, os olhos de Diana caíram sobre ele. Ele estava acordado? Não, não estava. Diana notou que ele ainda tinha os olhos fechados, ainda em sonolência. – Por favor... fique. – disse por ultimo.
Ela não soube respondê-lo, na verdade, não soube sequer mover um músculo do corpo. Hans continuou deitado, agora parecia inteiramente entregue ao sono. Ele tinha implorado para ela que ficasse, no consciente mais profundo, ele tinha implorado. Era uma parte que deveria ter vindo a tona somente porque ele estava totalmente embriagado de sono, talvez fosse a ultima vez que Diana veria Hans dizendo algo tão intimo e sincero.
Talvez. Ela não sabia.
Esse dia não estava terminando com nada que ela imaginou ou nem nunca imaginaria. Tinha Adam Hanson no seu colo enquanto aos poucos cochilava ali mesmo, sentada. Literalmente estava dormindo com o Hans.
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