Há quanto tempo ela estava sozinha? Pensar na resposta já não fazia sentido, por que ela não mais via o tempo da mesma forma que os outros. Aquele laboratório, a única coisa que a garota podia chamar de casa, havia sido construído para ser autossuficiente, com tanta tecnologia que levou seu construtor à ruína. Não que antes ele estivesse em uma boa posição.

O Capitão, como ela o chamava, não teve muita sorte. Apesar de muito acima da média como engenheiro de Knightmares, ele não chegava perto dos dois gênios de sua geração, o que dificultava a obtenção de quaisquer investimentos. Esse não era seu único problema: Obcecado por alguns aspectos, ele era incapaz de criar um Knightmare balanceado, no entanto, ele não dividia com mais ninguém seus projetos.

Impulsionado por sua obsessão, ele criou um Knightmare de alta potência, capaz de alcançar velocidades ridículas, mas devido a seus controles duros e falta de assistência para o piloto, foi considerado impossível de ser manobrado, logo um fracasso. Mas o Capitão não acreditava que a culpa fosse dele ou de sua máquina. Obviamente os pilotos não são bons o suficiente! É apenas necessário um piloto melhor!

Com tais pensamentos em mente, ele procurou por todo o império por apoio, muitas vezes mandando apelações ao próprio imperador. Insistência era talvez sua melhor qualidade, e um dia ela vingou. O irmão do imperador, V.V., se interessou pelas ideias do Capitão de melhoras pilotos de diferentes formas.

Uma vez que ele foi aceito no Diretório do Geass, o Capitão não podia deixar de experimentar diferentes formas de criar um piloto capaz de pilotar sua máquina: Geass, implantes mecânicos, diferentes esteroides. Tudo era em nome de criar o piloto perfeito.

Durante algum tempo as coisas pareciam ir bem. No entanto, a incapacidade dele de ver as coisas de uma forma mais geral acabou cansando V.V. Além disso, ele custava muito mais para manter do que os outros cientistas.

Pouco menos de um ano ele fora expulso do Diretório, com uma única oportunidade: Se ele fosse capaz de montar um laboratório com o próprio dinheiro, seria entregue a ele o Knightmare, seus projetos e algumas garotas como potenciais pilotos, todas elas consideradas fracassos.

Armado de sua obsessão e capacidades intelectuais, eles causou grandes prejuízos a diversos cassinos para juntar dinheiro para um laboratório.

Então completamente desconfiado de qualquer um, o Capitão se instalou no laboratório apenas com as garotas, e colares elétricos, para controle.

Eletricidade, tratamento de água, comida. Tudo era próprio do laboratório, como uma bolha separada do mundo.

As garotas eram todas de países conquistados pela Britannia, todas eram órfãs por causa das guerras, e suas vidas não melhoraram. Cada dia a rotina era brutal: Manutenção das instalações, experimentos que eram cada vez mais arriscados para suas vidas, testes num monstro indomável. Uma a uma as garotas foram morrendo. Até que a última obteve sucesso: Seu Geass, que lhe dava reflexos muito acima do normal, a permitia aguentar a velocidade do knightmare sem problema, seus ossos, agora cheios de pinos que aumentavam sua resistência a impactos, lhe permitiam aguentar os trancos do Knightmare e seus músculos, esculpidos das mais diferentes formas, lhe davam a força para controlar o Knightmare.

Era um completo sucesso, finalmente ele havia conseguido. No entanto havia um único problema: Depois de tanto tempo, a garota odiava o Capitão mais do que qualquer coisa. Antes que ele pudesse fazer qualquer coisa, a única pessoa viva no laboratório era a garota, meses antes da invasão do Japão, durante a qual o Capitão pretendia mostrar sua criação ao mundo.

A garota pensou em fugir, mas o que ela faria? Sem o Knightmare ela não era nada, mas com ele, ela não seria aceita, ou pelo menos era assim que ela pensava. Portanto ela continuou a fazer o que sabia fazer: A manutenção das instalações, manutenção do Knightmare, aprender novas línguas com os vídeos velhos do Capitão. Adicionado a isso, ela leu todas as anotações, livros e projetos do capitão, ela própria começou a fazer modificações no Knightmare.

Estranhamente, ela não sentia qualquer ódio pela máquina que fora causa de tanto sofrimento seu. Pelo contrário, ela sentia até certo carinho pela máquina, uma companheira em sua solidão. Suas atividades não eram apenas para preservar seu ambiente, mas também serviam para impedir que ela perdesse a sanidade, o mesmo valia para repetir frases em diferentes línguas para pessoas com as quais ela não podia realmente interagir.

O tempo passava tão devagar, mas ele passava principalmente depois que seu poder se tornou uma maldição. Não que fizesse diferença, pois ela o mantinha ativado a maior parte do tempo para poder fazer as coisas de modo mais rápido. Apesar disso, ela constantemente sentia saudade de quando tinha uma escolha. Seus dias continuaram iguais, por um período de tempo que ela não sabia dizer, pois não se preocupava com o calendário. Ela achava que esses dias continuariam para sempre, que ela morreria sozinha, abandonada, esquecida por todos e que o laboratório cairia em ruína. O mundo tinha outros planos.

Um dia, enquanto estava fazendo a manutenção de seu Knightmare, ela escutou um barulho que nunca havia escutado antes. Demorou um pouco para ela perceber o que era: O alarme de intrusos. Um misto de terror e curiosidade encheu a garota.

Não demorou muito para que ela achasse os intrusos. Uma jovem vestida elegantemente, um homem com estranhas partes mecânicas e uma mulher vestida de criada. Ela chegou mais perto para escutar o que eles estavam falando.

– Tem certeza que esse é o lugar senhora? As instalações parecem funcionar, mas isso aqui está cheio de poeira, será que tem alguém aqui? – O homem falou isso enquanto olhava em volta com suspeita.

– Meu caro, se eu acreditasse que isso era perda de tempo, eu não teria vindo aqui. Do mesmo modo, eu pedi que E.E. não viesse, pois ele tenda a não inspirar muita confiança. – A garota respondeu mansamente.

– Se você sabe disso, por que continua a mantê-lo por perto? – Isso era tudo que a garota precisava ouvir.

Eles estavam conversando em inglês, língua da Britannia, se eles achavam que seria fácil conseguir uma nova cobaia, eles estavam muito errados.

Com toda a força da que era capaz, ela pulou em direção ao homem, que parecia chocado com a velocidade. Ela deu um chute que seria capaz de arrancar fora a cabeça de uma pessoa. O homem tentou desviar o chute com um braço, que se quebrou, mas foi o suficiente para desviar o chute de seu objetivo. – O quê? – O homem soltou uma exclamação de dor.

A mulher jogou Kunais em direção da garota, mas para a garota elas pareciam tão devagar que ela se desviou com facilidade. Nesse momento os intrusos pareceram perceber alguma coisa. – Um Geass, Jeremiah, ela tem um Geass! – A mulher gritou.

– Eu já entendi! – O estranho olho do homem pareceu abrir e algo aconteceu.

De repente tudo não era mais ridiculamente devagar. A garota podia perceber as coisas normalmente de novo. O choque foi tão grande que ela caiu de joelhos no chão, lágrimas no rosto. Ela não tinha percebido o quão miserável era aquela existência, vivendo num tempo diferente. Mas isso não importava mais, o homem estava correndo em sua direção com uma espada que parecia sair de seu braço. Será que minha próxima vida será melhor? E La achou que esse seria seu último pensamento.

– Gottwald, Não! – A espada parou no último segundo.

– Assim como desejar. – O homem se ajoelhou em direção à jovem, que estava sorrindo.

– Olá, meu nome é Nunnally, qual é o seu nome? – Isso foi outro choque. Nome? Há quanto tempo ela não havia precisado disso? Mas apesar disso, todo esse tempo ela continuou repetindo à noite.

Agora ela tinha a oportunidade de dizê-lo para outra pessoa. – Alice. – Mais lágrimas brotaram de seus olhos.

– Alice? Que nome bonito. Você não quer ser minha amiga? – Ela parecia um anjo, não, uma deusa, que surgiu para salvá-la da mais negra e profunda solidão. Tudo que Alice consegui fazer por um bom tempo foi chorar.

Notas finais
Opa, aqui está uma personagem do mangá Nightmare of Nunnally, espero que não se importem com a pequena mistura de universos.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.