Canções de Westeros
9 Esperança
Notas iniciais
"Esperança"
Dorne, Torre da Alegria
Lyanna
O quarto cheirava a rosas e a sangue. Ao seu sangue. No corredor, o som de espadas ecoava como uma melodia distorcida. Ao canto, uma aia de Dorne tentava inutilmente acalmar o pequeno bebé que gritava assustado com o barulho.
Lyanna ergueu a mão, num chamado, quase sem forças para se mexer – Wylla, por favor.
A aia entendeu o recado e aproximou-se com a criança, colocando-a ao seu lado e limpando o suor que se acumulava no seu rosto. Esgotada, e incapaz de segurar o bebé ao colo, moveu-se apenas de forma a acaricia-lo, quase de leve, com medo de magoá-lo.
– O papá prometeu-me que voltava – Murmurou, enquanto segurava as pequenas mãos do bebé. Os olhos grandes e cinzentos, quase negros, que a encaravam com curiosidade e os cabelos escuros colados á cabeça, pertenciam claramente ao seu lado da família. O bebé em nada se parecia com o pai, o que talvez fosse algo bom, se as coisas terminassem da pior maneira.
A porta abriu-se, quase que violentamente e ao canto do quarto a aia pulou, murmurando preces aos Sete, abraçando-se a si mesma. Os olhos cinza de Lyanna moveram-se lentamente, até encontrarem um rosto conhecido.
– Ned – Sussurrou contente e triste ao mesmo tempo. Vê-lo vivo e bem era um alivio para o seu coração, mas a sua presença ali indicava que Rhaegar estava provavelmente morto e que a criança corria perigo a partir daquele momento. As suas mãos apertaram as do bebé com força, talvez mais do que devia, pois o pequeno começou a chorar novamente.
O irmão aproximou-se rapidamente, surpreso, e ajoelhou-se ao lado da cama decorada de sangue e rosas. Os seus olhos vagueavam do bebé para ela, e então o rosto contorceu-se ao ver que ela sangrava – Lya – Ele murmurou, acariciando-lhe o rosto.
Sentiu os olhos arderem com vontade de chorar, mas controlou-se.
– Prometa-me que cuida dele – Suplicou. A visão começava a ficar turva. Ao seu lado, a criança parecia ter achado piada ás barbas do seu irmão e tentava alcança-las, em vão. Ned aproximou-se, apoiando a cabeça ao seu lado, respirando fundo. Lyanna sabia que ele chorava, mas nada disse. Segurou-lhe as mãos com uma força que não possuía e colocou-as sobre as mãos da criança – Prometa-me Ned, prometa-me – A febre levara-lhe as forças e os olhos começavam a pesar, mas obrigou-se a manter-se acordada.
– Eu prometo Lya, vou protegê-lo – Assegurou-lhe num murmuro.
Sorriu, apertando-lhe as mãos de leve, e deixou-se levar.
Sabia que havia esperança para o seu filho. Ned cumpria sempre as suas promessas.
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