Canção da Sereia
13 Terror
Notas iniciais
Boa leitura!
Willian
Eles sobem, as luzes da escada estão acesas, mas as duas vezes que algo a machucou aconteceu perto da água. Como aquela ponte quebrar apenas onde estava Nora. Eu sigo para o pier que tem no fundo da casa. Acendo a luz a tempo de ver uma figura a empurrando, pelo pescoço, para o fim do pier, na ponte. Para a água.
– NORA!
A figura olha em minha direção, é humano. Mas... Parece mais com um defunto. Aquilo foi uma mulher em algum momento, um dos seios ainda está lá o outro parece ter sido arrancando violentamente.
Eu corro em direção a elas. Nora está tão perto de chegar ao fim da ponte. Ela tenta desfazer o aperto em seu pescoço. Estou quase as alcançando. Só mais um pouco.
A mulher deformada empurra nora e ambas caem dentro do mar, eu pulo em seguida, mas é escuro demais, não consigo vê-las. Algo pega com forma minha perna e me puxa. São mãos, mãos desesperadas. Eu mergulho mais fundo alcançando o que me puxa. Mãos se enrolam a meu braço e depois a meu pescoço. Eu nado para cima.
Quando Nora chega a superfície, ela luta por ar. Está bem presa a mim. Eu a empurro para cima do pier com força e ela consegue sair da água de primeira, depois ela me ajuda. Se arrasta para longe da beirada e respira com dificuldade. Eu vou até ela e a puxo para meu colo. Olho para o mar com medo que algo tente puxá-la novamente.
Nora tem a cabeça enterrada em meu peito e os braços passados ao redor do meu pescoço. Sua respiração apressada faz com que seu peito colida com o meu com frequência.
– Está tudo bem agora...
– O... que... — Ela mal consegue falar.
– Respira, está tudo bem. Estou com você agora. Respira. - Eu sussurro em seu ouvido.
Quando sua respiração está quase em velocidade normal, ela levanta o rosto para me estudar.
– O... o que era... aquilo?
Encosto minha testa na sua.
– Eu não sei, Nora. Mas acho que está atrás de você. Acho, também, que é o que está por trás dos desaparecimentos.
Ela fica tensa e se encolhe ainda mais em meu colo.
– Vamos sair daqui. — Eu digo a ela que concorda.
– Nora? — Lancey está na porta com George, eles vem em nossa direção.
Nora levanta e fico em pé ao seu lado, seguro sua mão. Seu corpo treme, ela está assustada.
Lancey está a dez passos de distância nós.
– O que aconteceu? — Ele nos estuda.
– Alguma...
Sou puxado para trás com Nora que grita desesperada. Caímos no chão. Estou sendo arrastado com ela, enquanto seguro sua mão. Alguma coisa a puxa para dentro da água mais uma vez. A seguro firme, se ela cair de novo duvido que possa encontrá-la. George está caído a nosso lado a puxando comigo e Lancey está na beira do pier, batendo em algo com remo.
– PORRA! — Ele grita – O QUE É ISSO?
Os gritos de Nora se tornam mais desesperados, gritos de dor.
– LANCEY, PUXA ELA.
Ele solta o remo e vem para junto de nós. Cai de joelhos, rodeia a cintura dela com os braços, e a puxa conosco. Gideon passa correndo por nós e com uma lanterna apontada para dentro da água atira duas vezes, em alguma coisa, antes que Nora finalmente esteja livre.
A garota sobe em mim e se gruda a meu corpo com força.
– Vamos sair daqui. — Eu digo me levantando com ajuda de Lancey e pegando Nora no colo. Ele ajuda George e Gideon vem atrás iluminando o pier com a lanterna e apontando sua arma, pronto a atirar em qualquer coisa que venha da água. Nós entramos e a porta é trancada. Gideon vira a mesa e o vejo a escorando contra a porta.
Eu vou para sala e coloco Nora com cuidado no sofá, mas ela não solta meu pescoço, então a ergo de novo e me sento, a deixando em meu colo. Ela continua chorando e seu corpo convulsiona com os soluços. Lancey aparece a nosso lado com um copo de água, ela apenas nega com a cabeça. Está em estado de choque.
– Cadê o Mason? — Pergunto.
– Não o vejo desde o almoço. — George fala.
Era só o que faltava, perder o médico da expedição.
Megan desce as escadas com Kall ao seu encalço.
– Nós vimos tudo lá de cima, o que era aquilo?
Nora se aperta ainda mais a meu pescoço.
– Eu não sei.
– As portas estão bem fechadas. — Gideon anuncia quando entra na sala. — Mas não achei o Dr.
– Inferno.
– Cadê Steve? — Eu pergunto sentindo falta dele.
– Aqui. — O homem desce as escadas com alguns cobertores. Ele deixa vários cair no sofá e pega um deles, jogando sobre Nora e eu. Eu passo meu braço por cima, o enrolando nela.
– Cadê o Mason? Eu preciso do Mason, agora! — Digo irritado. Megan começa a se afastar. — Não Meg, você fica aqui.
Ela não discute, vem para meu lado e senta. Nora fica agitada.
– Foi você. — Ela diz começando a se debater em meu colo. — Você me fez ir lá.
– Eu? — Megan fica confusa e me encara. Olho para George, ele está pensando o mesmo que eu.
– Megan estava conosco, o tempo todo.
Nora me olha. Está confusa. Baixa a cabeça e esconde o rosto em meu peito de novo.
Kall e Lancey saem da sala. O jovem estagiário lança uma última olhada em nossa direção antes de se perder nos cômodos de cima. George está largado em outro sofá, ofegante. Até que ele se saiu bem para um velhote.
Steve está parado em frente a parede de vidro.
– Tem alguém lá fora. — Ele anuncia.
Gideon vai para junto dele e Nora me aperta com força.
– Tudo bem... você está segura aqui. — Sussurro para que só ela ouça. — Não vou deixar nada tocar em você de novo. Eu juro. — Beijo sua testa.
Seu corpo treme. Ela está molhada, a coberta não ajuda em nada se eu não levá-la pra cima e trocar essas roupas, ela pode acabar pegando uma gripe.
– Parece que é o Doutor. — Gideon diz enquanto estuda a paisagem do lado de fora. — Não tenho certeza...
– Estou aqui. — Mason desce as escadas com Lancey e Kall.
– Puta que pariu! — Gideon e Steve o encaram e depois voltam a olhar para fora. — Sumiu.
– Eu juro que estou saindo dessa ilha com vocês. — Steve anuncia.
Mason se aproxima da janela para olhar.
– Eu estive dentro da casa o dia todo, lendo um livro. — Ele se defende e depois vem para perto de nós. Megan levanta, oferece a ele o lugar.
Ele senta a nosso lado e abre a maleta.
– O que aconteceu? — Ele pergunta.
– Alguma coisa a atacou. A... sufocou e depois puxou pela perna. — Eu digo.
Mason puxa a coberta.
– Você tem que deitá-la no sofá para que eu a examine.
Me levanto e tento colocar Nora deitada, mas ela me segura.
– Por favor Nora... ele precisa cuidar de você agora. Estarei bem aqui...
Sinto suas unhas afundarem na pele do meu pescoço e então, lentamente, ela vai soltando. Me ajoelho a seu lado e seguro sua mão com força.
Ela usa uma saída de praia branca que ficou transparente em seu corpo e deixa seu biquíni negro bem em evidência. Foco em seu rosto, nesse momento eu não devo pensar em mais nada que não seja oferecer algum conforto a ela. Acaricio seu rosto com a mão livre, ela parece relaxar. Fecha os olhos. Me permito finalmente olhar para perna de Nora. Seu tornozelo está roxo. Mas é mais que um hematoma, é uma marca. A marca exata de uma mão humana. É na perna tatuada, a que foi mordida, a que foi queimada pela água viva e agora tem mais uma marca. Perto do joelho há alguns ferimentos, como se algo pontudo houvesse entrado. Como... garras.
Não sei com o que estamos lidando, mas seja o que for, as intenções são das piores possíveis. Sinto um aperto em meu ombro. Levanto meus olhos para encontrar Megan.
– E agora? — Ela me pergunta.
Olho para trás para ver a minha equipe parada, eles me olham ansiosos, a espera de alguma resposta e direção. Eu não tenho isso. Estou tão confuso e assustado quanto todos eles. Isso é algo que nunca imaginei, nem nos meus sonhos mais malucos. Estamos diante de algo perigoso e real e precisamos ficar juntos e descobrir como enfrentar isso.
– A menos que o barco de Steve funcione, temos que esperar por duas semanas até que venham nos buscar. — Eu digo voltando a encarar Nora, que agora tem os olhos abertos novamente. – Nós temos que ficar juntos e continuar com a expedição.
– Você tá louco? — Lancey se aproxima de sofá, onde fica de frente para mim. — Você viu o que aconteceu? O que era aquilo lá? Não podemos ir a lugar nenhum.
– Esteve aqui dentro, ontem. — Eu confesso. — E se parecia muito com Nora.
Sinto o aperto em minha mão.
– Seja o que for, aparentemente pode assumir a identidade de outra pessoa.
– Mais um motivo pra não sair daqui.
– Precisamos saber com o que estamos lidando. Como você enfrenta algo que não sabe o que é?
– Vamos permanecer aqui. — Gideon começa – Vamos nos revesar para ficar de guarda e tentar descansar. Quando o dia chegar vamos decidir o que fazer. Ok?
Gideon foi treinado para assumir a liderança quando estivéssemos em situação de vida ou morte. Aprecio sua interferência, mas também, espero que não seja necessário mais que isso.
– Ela tem uma torção feia aqui. — Mason anuncia me tirando da discussão e fazendo minha atenção voltar para a garota deitada no sofá.
Mason faz o curativo no joelho e depois coloca uma faixa bem apertada em seu pé. Ela geme de dor quando a faixa é colocada.
– Você vai ficar bem, se descansar. — Mason lhe dá um remédio e depois senta no sofá, me encarando como os demais.
– Quero meu gato. — Nora diz e eu relaxo por um momento.
– Claro, vou levá-la até ele. Assim você pode dormir um pouco.
Lancey abre a boca para falar, ou reclamar, mas o interrompo.
– Consegue algo pra ela comer?
Ele concorda e vai para cozinha. Eu pego Nora no colo e subo as escadas.
Estou tão feliz e grato que cheguei a tempo e os outros também. Se estivéssemos sozinhos, ela teria se tornado mais um número na lista gigantesca de desaparecimentos.
A deposito na cama. O gato sai de baixo da cama e pula para perto dela. Ela parece aliviada em vê-lo e acaricia sua cabeça, enquanto eu acaricio a dela. Ela me olha, tem lágrimas nos olhos.
– Eu queria me desculpar por mais cedo... mas acho que isso não tem mais importância agora, hein!
Ela me oferece um meio sorriso. Eu me curvo e a beijo.
Isso tudo foi demais para um único dia. E o pior de tudo... é apenas o segundo dia dessa expedição. Não quero nem imaginar o que vem a seguir...
Notas finais
Bj bjs ♥
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