Canção da Sereia

30 Sétimo dia - RS


Notas iniciais
Obrigada pela recomendação Lara ♥ Boa leitura!

Willian

Nora está com Megan e Lancey quando volto. Ela já tomou banho, tem os cabelos molhados e Lancey penteia enquanto Megan faz massagem em suas pernas. Sardinha está em seu colo e ganha cafuné. É uma cena engraçada apesar de tudo. Eles não me veem quando entro.

– Nunca mais quero sentir isso. — Nora diz.

– Não vai. — Lancey beija o ombro da garota e Megan toca sua mão.

Megan parece fazer parte da cena. Mas Lancey não se encaixa. Ele não deveria estar com elas. Não deveria saber de suas lamentações quando nem mesmo eu tenho conhecimento.

– Oi... — Digo fazendo os três pularem de susto e o gato ir para baixo da cama.

– A quanto tempo esta aí? — O rapaz pergunta indignado.

Me aproximo da cama. Preciso desesperadamente dormir e dar algum descanso a meu corpo, mas quero fazer isso com Nora. Quero deixá-la onde possa ver dessa vez.

– Uns 30 segundos. Não ouvi nada. Juro. — Digo sorrindo, mas isso é suspeito. Será que estão escondendo algo?

Por fim os dois saem do quarto. Nora se deixar cair sobre os travesseiros.

Vou pra cama. Não quero conversar hoje. Aposto que nem ela. É difícil dizer qual de nós está pior.

Ainda está de dia. Deve ser umas 9 ou 10 da manhã, mas quem se importa. O sono e cansaço são mais fortes que qualquer outra coisa.

Me ajeito na cama e ela vem pro meu peito. Por baixo da coberta ela usa um pijama curto, que deixa suas pernas nuas. Acaricio sua coxa e a sinto relaxar o corpo. Adormecer.

Apesar do sono, demoro horas para conseguir dormir. Quando estou quase pegando no sono, Nora levanta.

– Nora?

Ela para de frente a janela. Fica um longo minuto ali enquanto a chamo. Então tira a regata e volta pra cama, deita e adormece profundamente.

Sonambula? Quem diria.

Isso explica como ela acordou sem a camisa no outro dia. Mas não explica como eu acordei sem a minha também. Será que isso é contagioso?

Talvez não contagioso, mas certamente perigoso.

A criatura, quando assumiu sua forma, estava sonambula... será que quando ela adquire a forma de uma pessoa, ela adquiri também suas características? Como isso é possível? Quão próximo ela precisa estar para descobrir tais coisas?

Me levanto e verifico se a porta está trancada, então retiro a chave e a guardo na gaveta do criado mudo. Não quero que ela saia do quarto. Especialmente se estiver dormindo.

George não gostou nada do fato de Nora e eu estarmos no mesmo quarto. Ele continua fiel contra nosso envolvimento, mas depois de tudo que houve, não é como se eu apenas pudesse fingir que não me sinto atraído por ela e vice e versa. Podemos morrer a qualquer instante. É um absurdo ele se importar com coisas tão banais nesse momento.

O sono finalmente chega e eu torço para que ele traga alguma melhora ao meu corpo quebrado.

(…)

Willian...? – A voz quase sussurrada me acorda. Já é noite, dá pra acreditar? O quarto está inundado de escuridão. Nora está ao meu lado, tenho meu braço ao redor de sua cintura. Nossos corpos estão colados. E ela continua sem a parte de cima da roupa, consigo sentir seus seios tocarem o meu peito por cima das faixas.

– Oi...

– Oi belo adormecido.

Subo minha mão por sua cintura, alcançando sua costela e passando pelo lado dos seios. Então alcanço seu rosto.

– Eu poderia dormir por vários dias. — Digo com sinceridade. Meu corpo ainda precisa de muitas horas de sono.

– Eu sei que poderia, mas precisa comer.

– Está preocupada comigo?

Sinto as pontas dos seus dedos tocarem meu rosto.

– Mas é claro que estou.

A puxo para mais perto. Eu gosto de Nora. É divertido discutir com ela, embora eu ainda não a conheça totalmente. Os dias prometem ser divertidos ao seu lado. Só precisamos sair dessa ilha com vida.

– Não quero que saia mais sozinha. Não quero que fique sozinha nem mesmo no banheiro. — Aviso ela.

– Gostaria de limpar a minha bunda também? — O tom sério denuncia que estamos prestes a começar uma discussão. Até isso parece bom nesse momento.

– Garota briguenta.

– Garoto machista.

– É para o seu bem. Não quero perdê-la nessa ilha maldita. Ou a Megan. Ou qualquer um dos membros da minha equipe. Sou responsável por vocês. Por cada um de vocês.

Ela não diz nada, mas sua respiração denuncia a irritação.

Puxo seu rosto em direção ao meu e toco seus lábios com os meus.

– Por favor, Nora. Eu só quero que você fique bem.

Ela por fim relaxa.

– Eu sei... — Me diz e então corresponde ao meu beijo.

Sua pele está quente, entrelaço meus dedos em seu cabelo, a puxando para mais perto. Ela vem sobre mim, montando em meu corpo e quase me fazendo gritar de dor no processo. Maldito corpo quebrado. Nora percebe e volta a deitar ao meu lado.

– Willian...

– Você pode me chamar de Will. Se quiser.

Ela não responde imediatamente. Deita sobre um dos meus braços e passa o braço sobre minha barriga.

– Eu gosto de Willian.

– Eu também gosto de você.

– Não foi isso que eu quis... Seu bobão.

Ela me dá um soquinho no ombro e estremeço de dor.

– Desculpa... esqueço disso...

– Tudo bem.

Tudo péssimo. Preciso urgente de alguns remédios de Mason para dor.

– O que queria dizer? — Pergunto a ela.

Silêncio. Desconforto.

– O que faria se encontrasse uma sereia?

Toda tensão só pra perguntar isso?

– Acho que já encontramos uma.

– O quê? — Ela senta.

– Os ossos, você esqueceu?

– Oh... ei... cadê minha blusa? — Ela percebe.

Forço meu corpo para alcançá-la e a puxo para meus braços de novo.

– E você diz que não é sonambula...

– Oh, nem vem. Você deve ter tirado. Como da outra vez.

– Ah claro, estou ótimo para fazer tantos movimentos assim.

Ela fica em silêncio, sei que se culpa pelos meus machucados.

– Acho que temos um grande achado. — Volto a seu tema para distraí-la. — Uma prova incontestável da existência de uma espécie marinha humanoide, com esses ossos. E eu levarei a público isso, é claro. O mundo precisa saber disso.

Ela não me responde, apenas me abraça.

– E se encontrasse um espécime vivo?

Essa pergunta me pega desprevenido. Nunca imaginei encontrar nada que comprovasse as suspeitas pra dizer a verdade. Mas acho que faria o mesmo que qualquer um.

– Suponho que o mesmo. No entanto, iria querer estudar antes de mostrar. É fácil perder esse tipo de coisa, especialmente porque nós nunca somos os primeiros a descobrir. O governo sempre sabe de alguma coisa. Foi isso que o aprendi nos meus anos trabalhando na área.

– Você estudaria...? — Ela parece escandalizada.

– Sim. Você não?

– Suponho... que sim.

– Por que a pergunta? Encontrou algo? — Beijo sua testa.

– Não mesmo. Mas quem sabe tenhamos alguma sorte. As coisas parecem promissoras nesse lugar.

– Oh sim, bem promissoras. Especialmente se sobrevivermos.

Notas finais
E aí? Será que Nora deve contar a Willian? Bj bjs ♥