Notas iniciais
E ai, preparados? Boa leitura!

Lancey

A vozes, nós podemos ouvir mais alto agora. As criaturas para de se mover. Ficam quietas. Paradas. Apenas ouvindo.

Em minha mente, tudo que eu consigo pensar é em matar Marry e condenar a alma de Pearl. Só que eu também sei que esses sentimentos não fazem sentido em minha cabeça. É Helena quem está pensando isso. Ela está com raiva. Muito zangada, na verdade. Uma rajada de ar explode a nossa volta e as criaturas desmoronam como um castelo de cartas. Como um milagre... ou magia.

– O que é isso? — Willian está ferido. Todos nós estamos, na verdade. Ele se força a ficar em pé do meu lado.

De repente minha mente é inundada por imagens. Lembranças que não são minhas. Não... lembranças não...

– As garotas estão em perigo. — Digo já olhando em volta, a procura da direção para caverna.

– Como sabe disso? — Willian pergunta. Ou Kall. Não tenho certeza.

– Estou vendo. — E mesmo que não estivesse, não é óbvio? Tinha "mortos vivos" querendo nos matar a menos de dois minutos e tudo pra pegar as garotas. Será que ele não consegue juntar 1 mais 1?

Corro pra direção do rochedo, mas me atrapalho quando outras imagens vem a minha mente. Sou lançado pra trás com força ao bater em alguma coisa.

– Você não viu a porra da árvore? Não tá tão escuro assim. — Willian resmunga.

Ele e Kall me ajudam a levantar. Estou tonto e todo doído.

– O que aconteceu com todas essas coisas? — É Gideon quem pergunta.

– Vamos dar o fora antes que elas voltem a se mover. — Willian diz antes que eu possa responder ao outro.

– Não vão.. — Anuncio tentando prestar atenção a onde estou. Sinto algo quente escorrendo por minha testa. — Foi Helena. Ela tá furiosa.

Willian se aproxima e me encara.

– Você tá ligado a ela... — Isso não é uma pergunta.

– Na noite em que Nora foi possuída – Começo. — Helena tentou pegar minha alma...

Pelo menos era assim que me lembrava. Uma hora eu estava caído no chão, sendo sufocado por Nora e no seguindo Helena estava lá, me puxando para ela. Então Nora me soltou e eu voltei.

– Acho que estamos conectados.

Willian não esta feliz. Ele parece estar batalhando em uma luta interna.

– Steve e George, voltem para casa, encontrem o barco do Steve e levem pro pier. Nos encontramos lá.

Ele se decide.

– Mas... — George o olha com pesar — Não posso deixá-lo.

Willian se afasta de mim e abraça o mais velho.

– Nós vamos nos ver de novo. Agora você tem que ir e conseguir aquele barco pra nós. Se não aparecermos em duas horas vocês vão embora, e voltam com ajuda. Tem que ser assim, George.

O mais velho apenas o encara com pesar. Sou invadido por outra imagem. Megan está ferida e Nora... descontrolada.

– Nós temos que ir, agora. — Digo a Willian.

– Nos veremos de novo. — Ele diz pro mais velho.

– E se essas coisas voltarem? — George pergunta alarmado.

– Não vão. — Eu garanto. — O que controlava aquelas coisas... não existe mais.



Nora

Isaac me olha com ódio. Pelo menos é o que parece. Ele é tão... feio. É difícil imaginar que esse monstro um dia foi Max. Ele era bonito, mas não esse. O Max de antigamente lembrava Lancey.

Eu estou assustada, mas eu não vou mais me encolher de medo. Não vou mais cair, já decidi isso.

Encaro Max a minha frente, estou enjoada com o cheiro de podridão que exala dele.

Luto pra me soltar das mãos que me prendem a parede e minha cauda. Max vacila por alguns segundos e olha pra trás, consigo soltar a cauda bem na hora que uma Megan pálida saí dá água e passa os braços em volta do pescoço dele. Ele se debate e afunda com ela. Puxo meu braço com toda força que possuo, e que parece bastante nesse momento. Sinto as paredes da caverna tremer. Algo saí da água e caí na entrada. Megan.

– MEGAN! — Eu grito, o corpo na entrada nem se mexe. A água começa a se mover de novo, Isaac está se aproximando. Luto pra me soltar, então, algo acontece. Bem na minha frente, Helena se materializa. Ela me parece com raiva. Me olha irritada então se choca contra mim. Me lembro quando pude ver a vida de Pearl. Como ela se sentiu antes. Eu me sinto do mesmo jeito.

Meu corpo se solta da parede. Mas não só isso... é como quando Helena passou de casa em casa e matou as mulheres. Quando ela roubou suas almas. As mão fantasmagóricas na parede não me soltam, elas unem-se a mim e a cada segundo eu me sinto mais forte. Sinto a cauda mexer com precisão e quando Isaac finalmente vem a superfície, ele é lançado por cima de Megan. Pra fora. Meu corpo nada até a entrada da caverna. Quero ver Megan, mas meu corpo não responde. Sinto um formigamento na cauda e quando percebo, minhas pernas estão firmadas na entrada, saindo na caverna. Está um pouco escuro em um momento e no seguinte posso ver tudo claramente. Como se uma luz azulada estivesse iluminando meus olhos de dentro pra fora. Tiro o vestido, o lançando no chão e saltando do rochedo para o mar. O formigamento volta e lá está a cauda de novo.

O que está acontecendo?

Não tenha medo. — Uma voz diz em minha mente. Voz que eu sei não ser minha. É Helena.

Ela pode me escutar?

Eu vou morrer?– Pergunto mentalmente.

Não sei. Não prevejo o futuro. Mas Isaac precisa conhecer o fim essa noite.

Pensei que não pudesse sair da terra.– Pergunto enquanto tento captar cada detalhe na piscina azul que estamos. É mágico. Impressionante. Estamos afundando mais e eu... não sinto falta de respirar.

Eu poderia ter saído. Mas eu não queria matar. - A voz volta a dizer — Há uma hora para tudo, eu não podia apenas sugar a alma de qualquer coisa que se movesse para conseguir poder.

Mas agora você o fez.

As almas saíram do mar. Isaac precisava do corpo da feiticeira livre, para Pearl fazer o feitiço. Ele mandou suas marionetes pra fora. Absorvi as almas...

Bem a frente, ao longe, vejo um borrão tentando se afastar. É Isaac, tenho certeza disso.

O que você é?– Pergunto.

Helena não responde dessa vez, mas, tudo muda a minha volta. Não estou mais no mar. Estou num lugar cheio de rochas e fogo e milhares de pessoas caídas. Um homem, seminu, em especial me chama a atenção. Ele está lutando para sobreviver. Tem um corte profundo no pescoço. Seus olhos se tornam vazios aos poucos, ele olha diretamente para mim e então ele solta o último suspiro. Sabe como nos filmes, quando o ”espirito” se levanta do corpo? É exatamente assim. Vejo a coisa fantasmagórica se levantar e parar ao meu lado, então ela se junta a mim. Caminho pelo campo, vendo outros espíritos deixarem os corpos e se juntarem a mim. Então a cena muda, estamos em meio a uma batalha, talvez primeira guerra. As roupas fazem parecer isso pelo menos. Som de canhões e tiros ocupam meus ouvidos. Mas, ainda posso ouvir gritos desesperados. Vejo pessoas caírem e espíritos levantarem, vindo para mim.

Ninguém parece me notar, andando tranquilamente nesse cenário tão aterrorizante. Por um momento eu quero me ver. Quero me olhar. Baixo a cabeça e vejo o corpo feminino nu, apenas o cabelo prateado cobre o corpo. Helena.

Eu – A voz volta a dizer – já tive muitos nomes ao decorrer dos anos e em todas as culturas. Tânatos, Hades, Death, Reaper. Osíris, Morte.

Notas finais
Já aviso que é provável que eu só acabe de postar amanhã ou segunda, porque tenho que ir revisando e colocando em ordem os povs e to morrendo de sono hoje '-' E quero dar tempo de vocês comentarem XD Té mais