Notas iniciais
Alguém sabe quem é Mr. Hyde? Boa leitura!

Willian

Chegamos antes deles. Foi uma corrida e tanto. Meu braço nem sangra mais, o sangue secou em minha pele e se minha aparência é parecida com a de Gideon, então estamos ao estilo zumbis hollywoodianos.

Escutamos o barulho do carro antes mesmo de se tornar visível. Steve dirige, ele para perto de nós. Os dois homens rechonchudos descem apressados. George vem ao meu encontro, me abraçando. Acho que George é mais próximo que meu próprio pai.

– Só vocês conseguiram? — Ele me pergunta enquanto me estuda.

– Não. Kall e Lancey ficaram com Megan. Ela está ferida e nós temos que ir buscá-la.

Ele não pergunta mais nada, apenas concorda.

– Temo que esse barco não nos leve muito longe. — Steve diz. Ele tem um cigarro nos lábios.

O barco é uma lancha velha, corroída pelo tempo. Não há garantias que vá ligar.

– Gideon?

Meu amigo já esta olhando o barco.

– Não vamos poder chegar muito perto do rochedo, se bater, não haverá conserto. Eles terão que nadar até nós.

– Vai funcionar?

Ele sobe no barco e abre o painel.

– Sim. Mas por um tempo, não muito.

– Só tem que ser o suficiente para sairmos de perto dessa ilha.

– Só que tem um problema. — Gideon me encara sério. — Não acho que esse casco aguente mais que quatro pessoas. Com muito pesar cinco. Mais que isso vai forçar a água nesses buracos falsamente tampador. — Ele olha de cara feia pra Steve.

– Funcionava quando era só eu.

Gideon revira os olhos e passa a prestar atenção em mim. Todos, na verdade. Eles esperam meu posicionamento. A verdade é que eu não faço a menor ideia do que fazer. Quando esta no mar e tem que dar ordens sobre o que pesquisar, que amostrar quer, resultados, e coisas do tipo, é fácil. É bom. Mas dar ordens, quando tem tantas vidas em suas mãos, isso é uma merda só.

Me sinto como Atlas, segurando o mundo nas costas.

– Bem... — Droga! Quando uma fagulha de esperança começa a se acender, uma balde de água fria é jogado em cima. — Megan e Kall são prioridade. George e Steve vão nessa viagem. Nós contamos com vocês para trazer o resgate. — Digo. Tento até sorrir, mas cada hora as coisas pioram.

– Se é assim – Steve se intromete. — É melhor Gideon ir no meu lugar. Vou esperar com vocês. Ele é novo, forte, pode ser mais útil que eu se for necessário.

Ninguém diz nada. Apenas concordamos e rodeamos o barco, começamos a soltá-lo da carreta quando estamos na beira do mar.

Percebo a bolsa de Mason com George. Meu amigo morreu pra pegar aquilo. Ele fez isso por nós? Para termos o material de primeiros socorros ou fez por outro motivo?

Gideon e eu soltamos a carreta na água, até que o barco começa a flutuar, então a puxamos de volta. Steve já está prendendo a corda no que restou do pier.

O silêncio continua. Gideon está em cima do barco de novo, olhando o painel. George está parado, com a mão sobre a bolsa.

Repasso os últimos momentos da noite, quando aquelas coisas atacaram a cabana. O que elas queriam? Se o interesse era em Nora e Megan, por que não foram atrás delas? Aquelas coisas vinham de todos os lados, nos cercando...

– George. — Eu o chamo. Ele dá um pulo pelo susto que leva, depois se aproxima. — Me deixe ver essa bolsa.

Ele não diz nada, apenas me entrega. Me ajoelho na areia e despejo o conteúdo da bolsa na areia. Remédios, ataduras. Alguns instrumentos médicos. Um embrulho. O abro e encontro vários pacotes. Os desembrulho e descubro ossos muito bem embalados para não quebrar. Os ossos da sereia da caverna.

– Era isso que queriam... — Digo. — Na noite que Lancey e Nora encontraram os ossos... alguma coisa a possuiu e queria isso de volta. Não eram as garotas...

Continuo vasculhando. George se abaixa a meu lado. Ele aponta para amostras de sangue em uma caixa, com o nome de Nora e datas. Há uma caderneta junto. A abro. Me surpreendo com as anotações. As primeiras são normais, sobre os membros da tripulação. Vacinas tomadas, estados mentais. Mas depois, é tudo sobre Nora. Descrições sobre seu estado e opiniões pessoais. Ele a estava estudando. Tipo, não apenas como um médico. Não é como as anotações sobre nós. É algo maior.

Amostra sujeito 07 compatível com sujeito 010. Mesma espécie.

Sujeito 07, 010? Volto algumas páginas. Tem nossos nomes e numerações ao lado deles, assim como algumas informações pessoais.

Sujeito 07 – Noralys Ryle, 19 anos, tipo sanguino O negativo. Contaminada.

Sujeito 010...

Contaminado. — George lê em voz alta. — Eu sabia dos ossos, vi quando ele os guardou. Mas não disso... parece que fomos passados pra trás. Ele sabia o tempo todo.

– Sim... mas esse é o menor dos nossos problemas agora. Nós temos um tritão a solta, George. E se essas imagens que tive de Isaac estiverem certas, então, nós temos que manter o garotão longe do mar. Se aquela coisa por as mãos dele, ele virá pra terra e isso pode acabar com nossas chances de sair daqui.

– Mas... — Fico em pé e George me acompanha. Ele começa a falar meio gaguejando. Está nervoso e pensando. — Se ele vier pra terra, isso garantiria nossa passagem pelo mar.

– George... — Seguro seus ombros. Ele não está me entendendo. — Se ele sair da água, ele vai estar furioso. E faminto. E você sabe do que ele se alimenta? Almas. Até que vocês voltem com o resgate, quanto tempo nós vamos aguentar?

Ele fecha os olhos.

– Nós temos que matá-lo, então.

Kall

Conheci Megan na faculdade, sete anos atrás. Ela estava num bar com Willian. Não pareciam um casal, pareciam mais irmãos. Mas eu não tentei me aproximar. Eu só falei com ela dois anos depois. Sim, foram dois anos a observando. Nunca contei isso a ela. Acho que a assustaria pra cacete.

Quando Willian foi mordido pelo tubarão, eu o ajudei. E vi como ela ficou desesperada ao vê-lo. Ela gostava dele. Por isso eu não me aproximei. Apenas fiquei os observando, torcendo para que ele nunca percebesse os sentimentos que ela nutria. E foi o que aconteceu.

Willian se apaixonou cada vez mais pelo mar e Megan acabou ficando pra trás. O amor pelo mar ela acompanhou, mas seus sentimentos foram morrendo. Então, enfim, me aproximei dela.

Eu a amo. Amei desde o primeiro momento. Perdê-la seria como perder a mim mesmo.

Acaricio sua pele pálida. Ela ainda tem pulso, mas está fraco. Eu poderia vender minha alma para que ela sobreviva.

Meus olhos deixam os rosto de Megan e se fixam no mar. A salvação está lá. A deixo deitada no chão e vou pra borda do rochedo.

A vida de Megan depende disso...

Nora

Arpão em mãos, corpo de Isaac bem a minha frente. Helena parece estar em pleno acordo comigo, pois já não insiste em ter o controle, apenas aperta mais o arpão em minhas mãos.

Nado a toda em direção a Isaac. Os olhos dele estreitam por um momento e ele tenta me acertar com a cauda, mas desvio e enfio o arpão bem em seu peito. O sangue deixa o corpo, se misturando com a água e criando uma cortina entre nós. Ele afunda, lentamente. Saindo da frente do espécime que o segurava, me dando completa visão da criatura que um dia foi uma pessoa.

Notas finais
Que autora mais filha de uma cachorra que vocês arrumaram hein? Aos 43 minutos do segundo tempo, e ela coloca mais mistérios. Ou não é mistério? Quem será que tem cauda nessa bodega, fora a Nora e o Isaac? E cadê o Lancey minha gente XD Será que morreu afogado...? Alguém quer dar um ultimo palpite, nessa fic confusa e causadora de nós no cérebro? Será que essa tal sereia, que pode não ser sereia, já deu alguma pista no passado? Eu acho que já... só não sei se alguém notou... Será que eu posto mais hoje...? Que duvida cruel... ;) Bj bjs