Notas iniciais
Pessoas, tem capítulos que ficam cortados, eu olhei todos agora e está ok. Mas se vcs sentirem falta de alguma coisa na historia, acharem que não faz sentido, me avisem, pode ter cortado algum parágrafo. E aqui está a tatuagem da Nora: http://www.mediafire.com/convkey/a3e8/4z2wa4vdm6gfun4zg.jpg Boa leitura!

– Não saia daqui. — Eu digo e saio do quarto. Desço as escadas apressado. Isso não pode ser real.

Alcanço o cômodo de baixo. Está vazio. A cozinha está vazia. Não tem nada. Não tem ninguém. Mas que merda acabou de acontecer?

– Willian...? — A voz de Nora me chama.

Olho para trás. Ela está parada na escada. Usa pijama rosa e o cabelo está preso em um coque, o gato está ao lado de sua perna ferida, ele balança seu rabo em uma dança lenta e hipnotizante.

– Você está bem? — Ela pergunta. O shorts do pijama deixa suas pernas a mostra a partir da metade da coxa. A tatuagem está lá, rodeando sua perna, assim como a atadura rodeia sua canela.

– Eu... — O que foi tudo isso? Um sonho? Não parecia um sonho. Eu a toquei. Me sento no sofá — Posso ver seu ferimento?

Ela fica surpresa, mas confirma. Termina de descer os dois degraus restantes, mancando, e vem para o sofá. Senta um lugar de distância de mim e estica a perna, descansando o pé ferido no meu colo.

No momento que a toco sinto sua pele quente. Não uma parte, toda ela. Tiro a faixa. Os cortes estão lá. Melhores que antes, mas ainda abertos. Subo o dedo por sua tatuagem. Está quente, como todo o resto dela.

– Você está bem, Willian? — Ela parece preocupada.

– Só tive um sonho estranho. — Ela concorda e me oferece um sorriso. Volto a enrolar a faixa em seu pé. — Quando foi a ultima vez que me viu hoje?

Ela levanta as sobrancelhas em surpresa.

– Quando me contou do ataque de tubarão. Depois eu apaguei.

– Deixei comida pra você...

– Eu acordei horas depois e estava lá. Eu comi e tomei banho. Tentei voltar pro meu quarto... — Ela cora levemente – Mas você estava dormindo.

Não dormi nada. Não preguei o olho a noite toda. Como não a vi?

Talvez eu tenha dormido.

– Você é sonâmbula?

Ela sorri agora.

– Sonhou comigo, Willian?

– Você é? — Insisto.

– Não que eu saiba. Mas estou sempre dormindo para notar...

– Mas dormiu com alguém e certamente que...

Ela arregala os olhos. Percebo as palavras grosseiras.

– Não quis dizer isso. Mas bem, você já dormiu com alguém, certo? Olha pra você, é impossível não ter tido namorado.

Só piorando as coisas. Me calo. Ela está corada. Tira o pé do meu colo e fica em pé.

– Boa noite, Willian... — Ela não me olha, saí mancando com o gato em seu encalço.

– Desculpe, Nora. — Ela para. Vira lentamente e sorri, mas ainda está envergonhada. — Sou péssimo em lidar com pessoas. Sou um cara do mar, não preciso falar quando estou mergulhando.

– Não estou ofendida. — Ela anuncia.

– Obrigado.

Ela acena e começa a subir com dificuldade.

– Espera. Eu te ajudo.

– Eu consigo sozinha.

Vou para junto dela, a pegando no colo, como mais cedo. Ela ri novamente.

– O que há de tão engraçado em ser pega no colo?

– Os homens só fazem isso nos livros, hoje em dia.

– Livros os quais, imagino, você lê.

Ela confirma.

– Prefiro nem imaginar que tipo de leitura a senhorita anda tendo. — Paro entre a porta dos quartos que que dormimos. — Decidiu em qual vai ficar?

– O seu tem banheiro. — Ela olha quase implorando. A levo de volta para o meu quarto e a coloco na cama. Retiro a bandeja do criado mudo e coloco sobre uma cômoda mais distante.

O quarto tem um cheiro estranho. Fungo tentando descobrir o que é.

Ela coloca a mão na boca e segura o riso.

– Que isso?

Ela aponta para o banheiro. A porta está aberta. Caminho para o cômodo e me deparo com algumas latas de sardinha no lixo. No chão um pote rosa, com os restos dos peixes. O gato feio entra no cômodo e senta perto do pote de comida, fica me encarando.

Saio do banheiro.

– Qual o nome desse animal esquisito? — Fecho a porta do quarto e sento na ponta da cama. Estou sem sono e ela parece partilhar da mesma insônia comigo.

– Sardinha. — Ela diz orgulhosa.

– É ridículo. — Me sinto confortável conversando com ela.

Ela abre a boca em descrença.

– É um ótimo nome e ele é lindo, antes que comece a falar que ele não parece um gato.

– De que buraco você tirou essa coisa? Não é um gato. Te enganaram.

Ela ri. É bonita. Mas ainda tenho a imagem de seu rosto pálido. Ou do sonho. Ou seja o que tenha sido. Um dejá-vu talvez? Será que sou um tipo de profeta e tenho visões do futuro, ou será que, no fim, eu é que sou sonâmbulo?

– Com o que você sonhou?

– Ah você sabe – Sorrio – Sereias.

Ela ri.

– Acredita mesmo nisso?

– Nunca vi. Então não posso dizer que é verdade e nem que é mentira. Pode estar apenas escondido.

– Ou bem à nossa frente e nosso ceticismo nos cega.

– Trocamos de corpos, só pode. Essa frase é minha.

Ela tem um riso gostoso de ouvir.

– Vou embora, pra você dormir.

Ela concorda. Mas não me movo, nem ela.

– Há quanto tempo somos vizinhos?

– Moro lá há três dias. — Digo.

– Por isso nunca o vi antes.

Aceno em confirmação. Também nunca a tinha visto, nem escutado qualquer coisa do apartamento ao lado. Na verdade, eu até pensei que estava desocupado.

– Quando fez essa tatuagem? — Toco sua perna.

Ela dá um sorriso largo.

– Quando fiz 18 anos, foi tipo uma declaração de liberdade. — Ela ergue a blusa, deixando a mostra a barriga. A tatuagem rodeia seu corpo e continua subindo. Ela tem piercing no umbigo, por que não me surpreendo...

Ela aponta acima do umbigo. Há uma palavra pequena, porém nítida. Sucesso.

– Essa fiz com 16. Não pude mais usar biquíni perto dos meus pais até que completasse 18.

– É uma alga? — Toco em sua tatuagem na barriga, ela estremece.

– Sim. Uma elódea.

– Qual a extensão?

Ela desvia os olhos dos meus.

– Ela pega grande parte do meu corpo. Alguns lugares proibidos para seus olhos.

Me sinto quente só em pensar que lugares seriam.

– É uma pena, ela me fascinou. — Flerto descaradamente com ela. Será que é crime dar em cima da minha assistente?

– Mas talvez você consiga ver uma boa parte quando clarear.

– Vai sair nua pela casa?

Ela se faz de ofendida.

– Talvez se houver bebida alcoólica envolvida. Mas... — Ela se arrasta para baixo das cobertas – eu fui mordida por um tubarão. No mínimo, mereço um dia de folga.

– Um dia de folga? Sério? — Ela é uma folgada. — Há trabalho de laboratório pra ser feito.

Ela pisca os olhos verdes.

– Não vou cair nessa.

– A ponte caiu – Agora está em modo drama – Eu estou em choque.

– Estou começando a pensar seriamente em trocar de assistente com George.

Ela fecha a cara. Fico em pé.

– Você não faria isso.

Sorrio e vou para a porta.

– Quem sabe...

Claro que não o faria. Meus dias com Nora prometem ser divertidos. Quem trocaria isso pelo assistente intrometido de George?

Vou para o quarto. Agora já estou mais tranquilo de que o que vi foi uma miragem. Pelo menos me forçarei a acreditar nisso, por hora.

***

Acordo com um peso na minha barriga. Abro os olhos e deparo com dois pares alaranjados, e demoníacos, me encarando. Me lanço no chão pelo susto e Sardinha caí em pé. Sai apressado para fora do quarto. A porta foi encostada, mas deixou uma fresta, por onde ele entrou.

Levanto da cama e caminho para perto da janela. Minha vista demora a e acostumar com o Sol que faz. A tormenta de ontem até parece mentira. Encontro minha equipe toda e Steve. Eles estão assando carne, todos de bermuda e bem à vontade. Parecem estar de férias.

Mais distante há duas musas deitadas sobre toalhas. Megan usa maiô e está de costas. Ela é uma mulher muito bonita, mas o que me chama atenção é a morena.

Nora usa um biquíni preto e tem os cabelos soltos. Posso ver suas tatuagens daqui. Não tão bem quando veria de perto.

Agora entendo o que ela quis dizer com "Mas talvez você consiga ver uma boa parte quando clarear".

Troco de roupa e me preparo para ver com meus próprios olhos o que me foi prometido.

Notas finais
Tatuagem da Nora: http://www.mediafire.com/convkey/a3e8/4z2wa4vdm6gfun4zg.jpg?size_id=8 Bj bjs