Canção Da Tragédia
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Não te fies do tempo nem da eternidade,
que as nuvens me puxam pelos vestidos
que os ventos me arrastam contra o meu desejo!
A seda, meio-tom em púrpura, revoa nos frescores da imensidão esmeraldina.
Vê-se o infindo meneio sob a pradaria; do clero, à si, extenuante.
Diz-se à menina:
"É nada senão teu império, donzela loura cuja o riso belo detém de um destemor espantante".
Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,
que amanhã morro e não te vejo!
Sobrevém repentino instante, — de somente um arquejo -, a bochecha cumprimenta o orquidário no relevo das brumas.
Dilui-se pupilas pela premência, pranteia o amante suas injúrias.
Aparece-me agora, que ainda reconheço
a anêmona aberta na tua face
e em redor dos muros o vento inimigo…
Rega as débeis pétalas o aio querido, com o sódio nas orbes evanescentes.
O cardíaco pulsa tênue ao pavor.
Suas mãos conjuntas entrelaçam as falanges. E descolora-se a face, já transparente.
Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,
que amanhã eu morro e não te digo…
Foi-se Kenny, sua etérea paixão.
Deus que a tenha! Era ainda tão pubescente!
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