Canção Da Morte
4 Capítulo 4 - Santuário de Grandes Guerreiros
Foram dois longos meses viajando com Ryoji até chegar ao Santuário Grego, mas para Íllias tinha sido uma jornada proveitosa. Durante o tempo em que estavam na estrada, passando por cidades diversas, cruzando países e várias paisagens, ele foi treinado pelo Cavaleiro de Virgem. Seu treinamento foi árduo, porém ensinou-o muita coisa. Muitas vezes Ryoji separava-se dele e desafiava-o a encontrá-lo usando apenas a sua capacidade de sentir o cosmo de outras pessoas. Foi durante esse tipo de treinamento que descobriu uma das habilidades do cavaleiro. Ryoji era capaz de se disfarçar em qualquer ambiente, fosse numa planície onde só havia plantas ou no meio de uma multidão, ele podia simplesmente desaparecer e até mesmo parecer com outra pessoa, criando verdadeiras ilusões, que Íllias só conseguia desvendar com a ajuda de seus instintos. Íllias também havia aprendido a evocar seu cosmo sempre que necessitasse como numa situação de perigo, por exemplo. Já tinha perdido a conta de quantas pedras destruíra no caminho, quantas vezes viu aquele estranho brilho azul surgir em suas mãos, quantas vezes Ryoji o fez carregar pesos três, até quatro vezes maiores que o seu peso, usando o cosmo para aumentar sua força. Lembrava-se das corridas contra seu professor em que sempre perdia, mas conseguia ver algum progresso a cada desafio.
Finalmente, tinham chegado à Grécia, a terra dos deuses olimpianos. Passaram pela cidade de Atenas, onde Ryoji parou para fazer suas rezas no templo da deusa; no tempo em que estiverem viajando, Íllias percebeu que seu mestre era bastante religioso. Dali partiram para uma região mais ao interior do país, até chegarem a uma pequena vila chamada Vila Rodório. Virgem contou que aquele lugar já havia testemunhado muitas batalhas de Cavaleiros. Em uma das praças da cidade existia uma estátua de um desses bravos guerreiros que defendiam a paz e a justiça. O homem retratado naquela escultura era um antigo Cavaleiro que viveu naquela vila e a protegeu com sua vida contra os ataques de um dos mais poderosos espectros de Hades. O nome gravado aos pés da estátua era famoso por toda cidade: Albafica de Peixes.
Saindo da vila, foram em direção ao Santuário propriamente dito, uma alta montanha o protegia de invasões de inimigos, a subida era um desafio até para os Cavaleiros mais experientes, cheias de surpresas desagradáveis pelo percurso. Em determinado ponto a trilha dividia-se em duas, uma de suas bifurcações levava para o Cemitério de Cavaleiros, local destinado ao descanso daqueles que perderam sua vida em batalha; a outra ramificação conduzia a entrada do Santuário. Neste ponto já era possível ver quase todo o Santuário, inclusive o Coliseu que era uma grande arena onde os aspirantes a Cavaleiros lutavam pelo direito de vestir uma das oitenta e oito Armaduras Sagradas. A sua direita ficavam localizadas casas, que serviam de lar para os Cavaleiros de Prata quando se encontravam no Santuário e que abrigavam também muitos Cavaleiros de Bronze. A esquerda do Coliseu estava uma torre com quatro faces, o chamado Relógio de Fogo, esse mecanismo demonstrava as horas através de chamas que brilhavam em seus espaços, uma chama para cada hora. Cada espaço representava uma das doze Casas do Zodíaco e seus respectivos signos, quando uma chama se apagava, a próxima acendia instantaneamente.
Atrás do Coliseu havia um pátio que servia de passagem até outra montanha, tão alta quanto aquela que levava até o Santuário. Nela estavam distribuídas catorze construções semelhantes a casas. Essas casas eram conectadas uma a outra por escadas, sendo que as duas últimas eram maiores do que as doze primeiras. Atrás da décima quarta podia-se ver uma grande estátua, a representação de Athena, deusa da sabedoria e da Guerra Justa.
- Quero lhe advertir de uma coisa Íllias. Este Santuário é protegido por um campo de força muito poderoso, essa barreira é alimentada pelo cosmo de Athena e impede que inimigos ou pessoas comuns entrem neste lugar sagrado. Somente aqueles que possuem domínio sobre o cosmo podem entrar, somente aqueles que lutam ao lado de Athena. – Ryoji explicou para seu aluno, que ouvia atentamente, mas ainda impressionado pela grandiosidade do lugar. – Ande, vamos entrar.
Ryoji caminhou tranquilamente na direção da entrada e atravessou a barreira como se ela não existisse, ao chegar do outro lado fez um sinal para que Íllias passasse. O jovem garoto estava com medo do que o esperava, fechou os olhos e foi caminhando cegamente, estendendo os braços para tentar sentir o campo de força quando tocasse nele, depois de muitos passos, não sentiu nenhuma força empurrando-o para fora, pensou que não tinha alcançado a barreira ainda, abriu os olhos e percebeu que ela já estava a alguns passos de distância. Seu primeiro teste havia acabado e ele tinha sido aprovado.
- Preste atenção: para vencer os desafios que surgirão a sua frente, a primeira coisa necessária é autoconfiança. Se tiver medo de tentar ou de não obter um bom resultado irá hesitar e numa guerra quem hesita, morre. – Ryoji falava do modo mais sério possível, ele sabia que esse jovem se tornaria um Cavaleiro, mas entrar numa guerra significava não só por sua vida em risco, mas também cuidar da vida de seus companheiros.
Eles caminharam mais alguns metros até o Coliseu, onde se separaram. Ryoji deixou Íllias ali para que observasse as lutas entre os outros jovens e fosse aprendendo com o estilo de lutar deles. O lugar para onde ele se dirigia não permitia a entrada de aspirantes. Ao entrar no Salão do Grande Mestre, sete de seus amigos Cavaleiros estavam a sua espera, decisões precisavam ser tomadas, era necessário preparar-se para o que estava por vir: A Guerra Santa.
Íllias desceu alguns degraus da arquibancada e sentou-se próximo a um grupo de adolescentes que assistiam a luta logo abaixo. Eles comentavam sobre um dos competidores, diziam que ele era um prodígio no campo de batalha, era conhecido por todos como o “Guerreiro sem Mestre” já que havia descoberto seu cosmo e chegado ao Santuário sem a ajuda de nenhum Cavaleiro mais experiente.
Ele tinha por volta de um metro e oitenta, aparentava 16 anos, um dos mais velhos entre os novatos. Seus cabelos possuíam uma cor azul bem escura, bem como seus olhos, seu nome era Dante.
Seu adversário era um jovem talvez um ano mais novo, mas com certeza mais pesado, o que poderia dar-lhe uma vantagem na luta, pensou Íllias, seus cabelos eram negros, olhos castanhos, media aproximadamente um metro e setenta, seu cosmo queimava com força, podendo ser sentido pelos expectadores da batalha; tinha um olhar vitorioso, como se já tivesse ganhado o combate. Ele se chamava Aquiles.
Um dos jovens com quem Íllias conversava apresentou-se como Ryu, um jovem chinês que havia sido trazido para o Santuário pelo Cavaleiro de Escorpião, que após ver suas habilidades de Karatê, o ensinou a controlar a energia do cosmo. Contou que seus pais haviam relutado em deixá-lo partir, mas foram convencidos de que ele estava indo para uma escola de lutadores, onde apenas os melhores ingressavam.
Eles deixaram a conversa para depois, destinando toda sua atenção à batalha que estava começando. Um Cavaleiro de Prata que estava como mediador deu o sinal para que começassem.
Aquiles foi o primeiro a atacar, moveu-se rapidamente contra seu inimigo desferindo socos contra ele, infelizmente mesmo com sua velocidade, não atingiu um golpe sequer em Dante, que desviava de todos, e mais incrivelmente, com os olhos fechados. Aquela atitude era considerada por muitos um desrespeito com o adversário, mas Dante não parecia se importar muito com isso. Ele revidou a investida de Aquiles, mas seu oponente era tão rápido quanto ele. Como seus golpes diretos não surtiam efeito, ele se distanciou e evocou seu cosmo, uma aura vermelha começava a surgir a sua volta, seu brilho era intenso e demonstrava a força de seu possuidor. Por um momento Íllias teve a impressão de que a temperatura estava subindo, sentiu todo o lugar mais quente, porém pensou ser algo de sua mente. Com seu cosmo brilhando, Dante fez surgirem em suas mãos enormes bolas de fogo, que não pareciam afetá-lo, pelo contrário, ele demonstrava total controle sobre elas. Começou seu ataque contra Aquiles lançando suas chamas contra ele, de início algumas chegaram a atingir o alvo, mas Aquiles não se abalou, ele começou a girar em torno de si mesmo, cada vez mais e mais rápido de modo que as bolas de fogo de Dante não chegavam perto dele, os ventos produzidos pelas suas rotações apagavam as chamas, enquanto voavam no ar. Vendo que não tinha sucesso, o Guerreiro sem Mestre decidiu atacar de cima, pulou a uma altura incrível e de lá começou a cair, ainda com suas labaredas de fogo nos punhos, arremessando-as contra o inimigo que já não podia desviá-las, pois sua velocidade não era tão grande. Aquiles decidiu parar de girar e lançou-se ao ar, de encontro a Dante.
Ambos pareciam não sofrer com a força da gravidade, pois se mantinham no ar durante muito tempo. Aquiles como havia pulado depois, estava agora alguns metros acima de Dante e com seu cosmo queimando, concentrou uma grande quantidade de energia em sua perna, planejando atingir seu adversário com uma voadora que o faria atingir o chão com muita força. Ele descia cada vez mais rápido, até que no momento em que ia atingir Dante, o garoto desapareceu no ar. Ninguém entendia como ele tinha feito aquilo, todos se questionavam para onde ele teria ido, incluindo Aquiles.
- Olhem para cima. – disse Ryu com muita naturalidade.
Nem Íllias acreditava no que estava vendo. O garoto de olhos azuis havia reaparecido acima de Aquiles e agora caía de cabeça em direção ao inimigo, sua velocidade era vertiginosa. Suas mãos mais uma vez se incendiaram e dessa vez não houve nada que o outro pôde fazer, sem reação Aquiles apenas sentiu o golpe de seu adversário atingir suas costelas, em poucos segundos ele estava no chão, suas costas doíam por causa do impacto com o solo. Dante caiu de pé, sendo aplaudido por todos, menos Ryu, que mantinha seus olhos fechados. Aquiles se levantou e também foi aplaudido pela bela luta.
- Ótima luta! – disse ele estendendo um das mãos para o combatente vitorioso.
- Que seja. – respondeu o rapaz de modo arrogante.
Saíram da arena, Aquiles foi para a Enfermaria, que se localizava próxima das casas dos Cavaleiros, logo após o Coliseu. Dante recusou-se a ficar na arquibancada, saiu do Coliseu e poucos minutos depois já não se encontrava em parte alguma do Santuário
- Próximo combate: Ryu contra Cleon! Ambos venham até o centro da arena! – Disse o Cavaleiro que mediava os combates.
Ryu levantou-se e caminhou até a arena, Cleon seu adversário era maior que ele, porém ele não estava preocupado a respeito disso. Ryu era um jovem de 15 anos, com um metro e setenta e cinco, músculos definidos devido aos anos de luta marcial, cabelo negro abaixo dos ombros e olhos verdes. Seu oponente era Cleon, um rapaz alto, forte, aproximadamente com a mesma idade de Dante. Seu cabelo era bem curto e loiro, como o de Íllias. Sua expressão era fria, gélida.
Ao chegarem ao centro da arena, eles se posicionaram de frente um para o outro, aguardando o aval do juiz para começarem a luta.
Assim que recebeu permissão para começar, Ryu atirou-se contra Cleon numa rapidez extremamente incrível, sem sombra de dúvida ele era o mais rápido entre todos ali. Ele estava prestes a acertar seu adversário com um soco, quando Cleon saiu da frente dele fazendo um suave e lento movimento de esquiva, se tivesse sido atingido naquela velocidade, com certeza já estaria derrotado, mas agora ele apenas observava Ryu afastar-se cada vez mais, tentando parar de correr.
Quando Ryu parou, um vento frio começou a passar pela arena e pela arquibancada, fazendo com que a umidade do ar aumentasse exponencialmente, estava ficando cada vez mais frio e isso não incomodava só a ele como também aos colegas na arquibancada. O único que parecia não sofrer com o frio que subitamente se abateu, era Cleon, ele até parecia gostar daquele vento gelado que passeava pelo Santuário.
- Você está fazendo isso, não é Cleon? – Ryu perguntou ao rapaz.
- Sabe Ryu, o cosmo é capaz de controlar muitas coisas. Fogo, água, rochas, seres vivos. Tudo que é constituído por moléculas pode ser controlado por essa energia. Inclusive o ar. – Cleon falava calmamente com o jovem do outro lado da arena. – Você tem grande poder, mas prefere utilizar o que você aprendeu na escola de artes marciais.
- Não preciso elevar meu cosmo para derrotar inimigos que estão a minha altura. Só elevarei meu cosmo quando for realmente necessário. Não preciso de força sobre humana, nem de truques para derrotar você. – Ryu disse.
- Mas como você vai me derrotar se nem consegue tocar em mim? – Cleon perguntou com um riso no rosto.
Ryu havia se distraído e não viu que o chão do Coliseu estava coberto por uma camada de gelo, ficando totalmente escorregadio. Mesmo com sua grande velocidade seria difícil manter-se de pé naquele gelo. Tentou correr até Cleon, mas escorregou algumas vezes. A cada vez que caía no chão, o gelo subia em suas pernas tentando prendê-lo. Precisava pensar em uma saída para aquela armadilha, não queria tomar aquela decisão, porém era preciso, parou e concentrou-se em seu cosmo, uma aura verde começou a brilhar em torno dele, fechou seus olhos e fez aparecerem em suas mãos coisas que se assemelhavam a luvas, luvas de pura energia.
Com os punhos protegidos, começou a desferir golpes rápidos contra o gelo no chão, que a cada soco quebrava-se mais e mais. Ao ver que o solo já estava livre daquela cobertura gélida, correu em direção ao seu combatente. Cleon preparou-se, tentou dar um soco em Ryu, mas ele desapareceu de seu campo de visão; olhou para baixo e pôde ver apenas a mão de seu inimigo, ainda coberta pela luva de energia, subindo contra seu rosto. Sentiu o soco acertando-o, um gancho bem dado por Ryu, tão forte que ele caiu no chão, sua cabeça doía por causa do golpe. Quando se levantou, olhou para a arquibancada que celebrava a vitória do jovem de longos cabelos negros.
- Parabéns Cleon! Você lutou bem! – Ryu parabenizou-o.
- Obrigado! Você também! – respondeu.
- Atenção, aspirantes! – gritou o Cavaleiro prateado. – Amanhã teremos um confronto entre Ryu e Dante para decidir o campeão. Aquele que terá direito sobre a armadura de Dragão. Até lá, estão dispensados!
Íllias estava boquiaberto com o que acabara de presenciar, como ele poderia se encaixar num grupo de jovens que excediam as expectativas, garotos que tinham talentos inimagináveis, Ryoji deveria estar louco quando achou que ele teria alguma chance ali, ele pensava.
Mais tarde, conversando com seus novos amigos ele foi conhecendo melhor o Santuário de Atena. Estavam sentados ao redor de uma fogueira: Ryu, Cleon, Aquiles e Íllias. Dante mais uma vez, mantinha-se distante de todos os outros. Ryu mostrou-lhe as Doze Casas Douradas, as edificações que ele tinha visto naquela montanha após o pátio.
- Aquelas são as moradias dos Cavaleiros de Ouro. – Ryu falava. – A primeira casa é a Casa de Áries, antigo lar do Mu, quando ele ainda era cavaleiro, agora é protegida pelo Ichiro. A segunda é a Casa de Touro, por enquanto não está habitada, mas antes seu protetor era Aldebaran. A casa seguinte é do Cavaleiro de Gêmeos, que também está vazia, seu antigo morador era Saga, e depois deu irmão Kanon. A quarta casa pertence ao Cavaleiro de Câncer, Aoshi. Em épocas passadas ela abrigava Máscara da Morte, o antigo cavaleiro dessa constelação. Subindo as escadas atrás da Casa de Câncer, você chegará ao lar de Hikaru de Leão, o cavaleiro mais vaidoso de todo Santuário. O último Cavaleiro de Leão chamava-se Aiolia. Acho que você deve conhecer o morador da sexta casa melhor do que eu Íllias. Ele é o mais sereno entre todos os outros cavaleiros. Seu antecessor e mestre foi Shaka de Virgem. Ao lado da Casa de Virgem fica localizado o Jardim das Árvores Gêmeas, o lugar onde Ryoji medita, dizem que lá é onde Buda foi enterrado, mas não temos certeza. Só posso garantir que os cavaleiros desta constelação têm uma relação estreita com o mundo oriental.
- Logo após a sexta casa, — Cleon continuava. – está a Casa de Libra, que atualmente encontra-se inabitada. Durante as duas últimas Guerras Santas ela esteve sob a tutela do Mestre Ancião, Dohko. Um dos cavaleiros mais poderosos que lutou por Atena. A próxima pertence ao mestre do Ryu, Hayato de Escorpião. Em minha opinião um dos mais estranhos cavaleiros de ouro, se bem que Milo, seu antecessor, também não era muito normal. Depois dela fica a Casa de Sagitário, o Cavaleiro Alado. Há dois séculos era protegida por Aiolos, que mesmo depois de morto, vigiava-a em espírito e agora está sendo cuidada pelo Maximus, o cavaleiro mais rígido de todos. O mestre do Aquiles.
- A décima casa é a Casa de Capricórnio, mais uma casa sem cavaleiro, e o mais estranho é que sua respectiva armadura dourada não se encontra lá. A de Touro também não está na segunda casa, mas essa parece que tem algo estranho em seu desaparecimento. Quando o Ichiro, o primeiro cavaleiro dessa geração, chegou aqui ele inspecionou casa por casa, e até então a armadura de Capricórnio estava lá, de um dia para o outro ela simplesmente sumiu. Não foi como a de Touro, que ainda não entrou neste Santuário. O último cavaleiro desta casa foi Shura. – Aquiles explicava a Íllias. — A próxima é a moradia do mestre do Cleon, Magnus de Aquário, irmão mais novo do Cavaleiro de Sagitário. Ele é sem dúvida o mais inteligente de todos, entretanto também é o mais preguiçoso, diferente de seu predecessor Camus. Por última, mas não menos importante, está a Casa de Peixes, onde vive o mais engraçado e brincalhão dos cavaleiros de ouro, Azore. Talvez porque seja o mais novo entre todos ele seja tão legal. O cavaleiro que veio antes dele chamava-se Afrodite.
— Impressionante! – Exclamou Íllias. – E como vocês sabem de tudo isso?
- Os Cavaleiros nos contam. As armaduras que eles vestem guardam memórias e lembranças de todas as Guerras Santas que já aconteceram e muitas vezes mostram-lhes flashbacks de lutas, conversas e técnicas que os ancestrais tinham, até mesmo como uma forma de auxiliá-los no combate. – Ryu respondeu.
- É claro que nenhuma das Doze Casas importa realmente. – Dante chegava sorrateiramente, expondo sua opinião. – Os locais mais poderosos estão logo acima desses casebres de ouro. O Salão do Grande Mestre é onde as decisões mais importantes são tomadas. Para chegar a esse posto é necessário ser um dos mais poderosos e receber a aprovação do Grande Mestre anterior e dos outros onze.
A última de todas as construções é o Templo de Athena, o lar da deusa da sabedoria enquanto ela está nesta terra. Logo atrás fica a estátua de Atena, que pode ser vista de qualquer ponto do Santuário. Assim como a sua derrota amanhã, Ryu. Todo o Santuário verá minha vitória sobre você.
- Isso é o que veremos meu amigo. – Ryu via graça naquelas palavras. – Isso é o que veremos.
Íllias achava um desafio estar presente entre aqueles jovens, queria mostrar que também era forte, que tinha seu valor. Estava disposto a tornar-se um campeão. No dia seguinte levantou-se cedo e treinou arduamente juntamente com seus novos companheiros.
Até que chegou o momento tão aguardado. Todos estavam nas arquibancadas, esperando que o combate tivesse início. Íllias viu que até o Grande Mestre estava fora de seu salão olhando para o Coliseu.
Aquela figura era a mais misteriosa naquele lugar. Ninguém conhecia seu rosto, que estava sempre coberto por um capacete, uma longa capa escondia seu corpo e também seus braços. Seu poder era desconhecido, mas com certeza deveria ser um dos mais poderosos no Santuário.
Ryu e Dante já estavam no centro da arena, apenas aguardando pelo sinal para que começassem a luta. O cavaleiro Miro de Cérbero, estava chegando carregando consigo uma caixa de bronze, muito parecida com aquela que Ryoji possuía. Porém essa tinha desenhos e escrituras diferentes da outra. Em suas laterais havia uma gravura em alto relevo: um grande dragão em espiral, com garras e asas tão grandes quanto ele. Dentro da caixa, repousava a Armadura de Bronze de Dragão.
Miro colocou-a no chão e disse aos lutadores para que se preparassem. Ambos demonstravam a ansiedade em seus olhos. O Cavaleiro de Prata deu o sinal e a luta começou.
Dante mais uma vez fez com que chamas de fogo aparecessem em suas mãos, ele sabia que o combate direto não daria certo contra Ryu, já que este era rápido demais. Porém nem suas labaredas eram capazes de tocar o jovem mais veloz entre todos os aspirantes, correndo de encontro a Dante, Ryu desviava de cada bola de fogo que poderia atingi-lo. Assim como seu inimigo, ele tinha certeza que luta corpo a corpo não funcionaria, mesmo assim procurou arriscar. Fez um campo de força envolta de si mesmo, seu cosmo cobria todo seu corpo formando uma espécie de película protetora, nada podia atravessar aquela aura verde que o cercava. Seus golpes eram fortes e rápidos, tanto que Dante estava tendo dificuldades para contê-los. De repente, ele desapareceu diante de Ryu, em instantes ele já se encontrava do outro lado da arena. Íllias não entendia como ele era capaz de aparecer e desaparecer numa velocidade tão grande.
Ryu virou-se e começou a correr novamente para perto de seu oponente, mas foi parado por uma barreira de fogo que surgiu do chão. Um círculo de fogo que o impedia de passar e que a cada segundo aumentava ainda mais suas chamas.
— Está com medo de lutar Dante? – Ryu confrontou o seu combatente.
- O guerreiro mais forte é aquele que vence com menor esforço, Ryu. – Dante respondeu.
O círculo de fogo estava a uma altura maior que a de Ryu, já não era possível vê-lo dentro daquela armadilha. E talvez esse tenha sido o maior erro de Dante: Não manter os olhos em seu adversário. Quando as chamas encontraram-se no alto, fecharam o círculo e se Ryu estivesse lá dentro seria queimado e esmagado. Surpreendentemente ele surgiu atrás de seu inimigo, suas mãos já estavam cobertas pelas luvas de energia. Dante virou-se, mas já era tarde, os socos de seu inimigo acertaram-no com força, fazendo- o cair ao chão. Ao se levantar ele apenas pôde assistir a consagração do novo Cavaleiro de Bronze: Ryu de Dragão.
Fale com o autor