Cantos de primvera
23 O baile
28 de março de 1838.
Àquela talvez fosse uma das semanas mais cansativas de sua vida.
A chuva que havia passado a dias, logo voltava trazendo muito mais problemas.
Alagamento em várias ruas, o vento que arrancava alguns telhados e também árvores que caíam mas que por sorte não feriu ninguém.
Além das mesmas preocupações de ter um príncipe traidor em Arendelle e lhe rondando sempre que tinha a oportunidade para tal.
Mesmo hospedado na casa de sua irmã, Hans sempre via sua rainha.
Ia diariamente ao castelo.
Primeiramente era apenas para discutir estratégias para uma possível guerra contra as Ilhas do Sul.
Mas algo do qual Elsa jamais ousaria dizer era que a presença do jovem estava sendo cada dia mais proveitosa.
As poucas conversas que tinha com ele sobre estratégias logo viraram muitas conversas sobre todo tipo de assunto.
Artes,ciências, política, sociedade… até sobre eles mesmos….. Não importava.
E uma das últimas conversas que tiveram apesar de problemática serviu para exorcizar de vez todos os sentidos negativos que havia entre eles.
Odiava do fundo do seu coração admitir mas Hans Estava virando a pessoa mais próxima dela depois de Anna.
E o que falar das irmãs do jovem ? Era óbvio que elas percebiam aquela aproximação.
As frases sugestivas que Charlotte soltava deixava muito claro aquela percepção.
— Majestade sempre sai tão bem do escritório…. Pergunto me o motivo disto. -
Enquanto as poesias que Dagmar lia quando ela se encontrava próxima ao príncipe na casa da duquesa que volta e meia visitava.
No final das contas elas também se transformaram em ótimas companhias; ainda mais para a princesa Anna que inesperadamente se aproximará das gêmeas das ilha do sul e sempre que possível estava com elas quando Elsa ou Kristoff encontravam se indisponíveis por algum motivo.
Mas Anna no fundo nunca deixou de desconfiar.
Kristoff o mesmo, tinha certeza que eles trariam problemas.
Mas o motivo de desconfiança do jovem alpinista era por motivos diferentes.
Ciúmes.
O príncipe Hans fora o antigo noivo de Anna.
E mesmo sabendo que Anna o amava e nunca voltaria aos braços do príncipe, ele sentia ciúmes.
— Mantenha seus amigos perto, e seus inimigos mais perto ainda majestade. -
Elsa a princípio não entendia o que Kai queria dizer com aquilo.
Ela olhava para aquele senhor que ajudou a cuidar dela e agora a ajudava como Conselheiro real.
— O que quer dizer Kai ? -
— Quero dizer majestade que deve ficar sempre de olho em um certo príncipe que vem aqui. —
Estava mais do que óbvio que no fundo nenhum deles confiava no príncipe, mesmo ele não dando motivos para tal até agora.
Os suspiros de uma Elsa confusa eram ouvidos no quarto da mesma naquela manhã.
Não se sentia muito disposta então pedirá para que o café da manhã lhe fosse servido no quarto, o que não demorou.
Ouvindo a batida na porta ela dava permissão para que entrasse.
Gerda era recebida com um sorriso pela rainha ainda um pouco sonolenta.
Gerda sempre fora o porto seguro de Elsa.
Sempre esteve ao seu lado e contava coisas para ela que não ousaria contar nem mesmo a Anna.
Elsa era como um livro aberto quando se tratava de sua principal conselheira.
— Algo lhe preocupa Elsa ? -
Ao ouvir a pergunta Elsa parava de tomar o chá e olhava para Gerda que sempre tinha o semblante calmo e cheio de ternura.
Pois para ela Elsa e Anna eram como filhas do qual ela nunca teve chance de ter.
— Nunca posso esconder nada de você não é mesmo ? —
A rainha dava um meio sorriso olhando para as cobertas brancas a sua frente,ainda todas emaranhadas.
— Não. —
Gerda respondia pura e simplesmente com um riso.
— Diga me, o que lhe aflige. -
Um profundo suspiro era ouvido de Elsa antes dela entoar o nome de sua preocupação.
— Hans; Eu…. eu não sei o que fazer quanto a ele. -
A sua frente Elsa reparava no sorriso que formava nos lábios de Gerda.
— Entendi; então está atraída por ele…. de novo. -
O modo como Gerda falava fazia Elsa arrepiar se. Era uma verdade tão crua que fora jogada em sua cara que a rainha ficava sem reação.
— Eu não posso, não posso. Ele feriu minha irmã e tentou usurpar o reino…..Eu não devo…. Mas…. -
Ela agarrava suas pernas cobertas também pelo longo tecido da camisola branca que usava.
— Mas não consegue. —
Os olhos de Elsa começavam a lacrimejar enquanto Gerda ia até ela e a abraçava ternamente.
— Minha querida, não fique assim. Não mandamos em nosso coração, mas isso também não é motivo para sofrer. Quem sabe isso tudo que está acontecendo não seja uma oportunidade.-
— Oportunidade ? -
— Sim, para um recomeço. Não acho minha querida que ele esteja aqui para causar problemas dessa vez. Ele tem muito mais a ganhar não cometendo o mesmo erro.
Além do mais, o modo como ele olha para você já demostra que ele não está aqui para brigar pelo reino. —
Elsa olhava para a senhora ao seu lado naquela cama. Aquelas palavras lhe dava uma mistura de sensações.
Felicidade por alguém ter percebido que Hans deveria sentir o mesmo que ela, medo por confiar e talvez ser traída novamente pelo príncipe e remorso por ainda amar o homem que magoou sua irmã e tentou se livrar delas.
— Como posso ter certeza ? —
— Mantenha o sempre perto Elsa. Assim poderá observar. -
30 de Março de 1838
Aquilo era estranho, repentinamente fora chamado para se hospedar no castelo. Mas obviamente não recusaria afinal era mais uma oportunidade de estar ao lado dela.
Já suas irmãs ficaram felizes, não pela sua partida em sí mas por verem que aquilo sé tratava de um possível passo para a reaproximação de seu querido irmão com a rainha.
O som do cavalgar do cavalo pelas ruas de pedra pareciam quase como o tic tac do relógio; como se contasse os minutos e segundos que levaria para chegar até o castelo.
O que no final das contas não demorava mais do 15 minutos.
Logo estava ali novamente como hóspede.
A visão do grande portão se abrindo para ele é Sitron o fazia pensar quantas vezes mais poderia estar naquele castelo como hóspede no futuro.
A verdade e que não queria ser hóspede da rainha, desejava muito mais.
Na entrada ele era recebido por olhares desconfiados da grande maioria de pessoas que ali se encontravam.
Apenas duas pessoas entre a família real e os empregados não tinha expressão de desconfiança.
Gerda e Elsa.
Mas a expressão das duas também eram bem diferentes entre si.
Enquanto Gerda apenas dava um sorriso gentil a expressão de Elsa era passível.
— Seja bem vindo príncipe Hans. —
Era somente isso que saía dos lábios de Elsa, sem nenhuma entonação que sugerisse proximidade e muito menos intimidade. Devia manter a compostura diante dos empregados e sua irmã.
— Muito obrigada majestade. -
Ele também tentava seguir a mesma linha de pensamento naquele momento; então se ajoelha diante dela e tomava lhe a mão em um beijo mas logo se levantava.
Ele era instalado em um dos quartos do terceiro andar.
— Isso tem tudo para dar errado. -
Anna concordava com o pensamento de seu noivo.
Novamente haveria um baile.
Seria muito prazeroso para Anna e Kristoff se um dos convidados não fosse o príncipe das Ilhas do Sul.
Mas tentaram se manter passíveis diante disso.
4 de Abril de 1838
— Há… merda !!!!!! -
Tais palavras de baixo calão eram difíceis sair da boca da duquesa Dagmar.
Mas o stress de vestir o apertado espartilho que era grande.
— Quando nós mulheres vamos nos livrar dessa prisão ? —
O laço do espartilho era apertado ao máximo por Charlotte que ajudava a irmã a sé vestir com as típicas roupas de sua época.
— Há mas eu acho tão bonito —
Charlotte rodopiava pelo quarto alegremente. Já Dagmar não estava com o mesmo bom humor.
Vinha passando mal a alguns dias.
As duas irmãs e o sobrinho entraram na carruagem junto com o duque a caminho do castelo de Arendelle para o baile de primavera.
Pontualmente às 20:00 horas Elsa descia com Anna após serem anunciadas para todos aqueles convidados que esperavam no salão.
Então finalmente o baile começava com uma animada rapsódia.
Rapsódia Sueca No. 1 — Hugo Alfvén.
Kristoff era praticamente arrastado por Anna com uma alegria contagiante para a pista de dança.
Dagmar acabará por fazer o mesmo com seu marido que aceitava tudo de bom grado.
Mas Charlotte olhava apenas sorridente para o salão.
Seu marido não estava ali para dançar com ela, ela poderia dançar com Hans mas ela nem o vira ainda.
Então apenas se sentava e fazia uma das coisas que mais amava.
Desenhar em um pequeno livro de desenho que levava consigo não importando a ocasião.
20:01
Os olhares eram em sua maioria de surpresa. Estava se acostumando com aquilo.
Depois de vários problemas ele finalmente chegava a entrada do salão.
Seu olhar vagava em todo aquele grande ambiente.
A última vez que dançará ali fora com Anna no dia da coroação.
Um dia que ele odiava se lembrar.
Mas agora era a oportunidade de ter lembranças melhores daquele lugar.
O príncipe então andava até o fundo do salão tentando não bater nas pessoas que distraidamente ali dançavam.
E lá no fundo a via novamente, sentada em seu trono com um sorriso em seu rosto.
E óh céus, como ele ousou perder o nascer daquele sorriso que parecia fazer com que o salão sé ilumina se ainda mais ?
Como os cristais dos candelabros que adquirem uma luz espectral diante do fogo em seu interior, ele sentiu se brilhar da mesma maneira.
E a razão do seu brilho era somente ela.
— Majestade; aceita dançar ? —
Lá estava ele novamente a sua frente, fazendo a mesma pergunta que ouvira no dia da coroação.
Ele não foi o primeiro que pedirá uma dança àquela noite.
Mas todos os outros homens ouviram a mesma frase que o príncipe ouvira naquele fatídico dia.
— Obrigado, mas não danço. -
Mas ousaria dar novamente essa resposta a ele ?
A resposta foi rápida.
— Adoraria príncipe Hans. -
Nem ele parecia acreditar naquela resposta que receberá da rainha. Ela então dava lhe a mão e ia com ele até a pista de dança.
E pela primeira vez em muito tempo sentia se flutuar.
Emperor waltz — Strauss
Vendo que a rainha se aproximava as pessoas no salão abriam passagem para ela e seu acompanhante.
Eles nem mesmo perceberam mas eram observados por todos ali que olhavam a dança.
A dias um boato corria pela capital.
Boato esse que se tratava exatamente da relação da rainha com o príncipe.
Diziam que tinham um caso.
E aquela dança não fazia diminuir tais boatos. Muito pelo contrário.
Inclusive era o comentário que rodava todo o salão durante a dança da rainha, chegando até mesmo aos ouvidos de Kristoff que sem querer ouvirá a conversa de duas damas próximas a mesa da comida.
— Ouvi dizer que o príncipe das Ilhas do Sul e amante da rainha. -
Aquela frase fazia Kristoff se engasgar com um das comidas que havia acabado de botar em sua boca.
Anna não poderia saber daquele boato nem em sonho. Pois com certeza traria problemas.
— Estou cansado…. Vamos subir ? —
Anna virava se para seu noivo que estava pouco atrás dela.
— Mas a festa mal começou. -
— Vamos, por favor. —
O jovem não estava cansado,mais fora a única forma que encontrada de fazer com que sua amada princesa não ouvisse os boatos referente a sua irmã e o décimo terceiro.
Então no final das contas Anna subia sem mesmo se dar conta de que Elsa dançava com Hans e muito menos sobre os boatos.
Outros que estavam totalmente alheios a tais comentários eram exatamente a quem se referia os boatos.
Logo começava outra música e ainda sim não paravam de dançar.
Allegro brillante in E flat major — Wilhelm Stenhammar.
Naquele momento ele não se importava com nada. O mundo poderia explodir e ele nem perceberia.
Os seus olhos verdes refletiam apenas ela que também dançava com um sorriso.
A quanto tempo Elsa não dançava ?
A última vez da qual realmente se lembrava fora também com ele, na infância.
De longe Charlotte olhava aquela cena e fazia os mais diversos esboços. Com certeza aquilo viraria um quadro mais cedo ou mais tarde.
Dagmar também olhava com um grande sorriso de satisfação em seu rosto. Não lembrava de ter visto seu irmão tão feliz assim a muitos anos.
— A quanto tempo eu queria isso. —
O tom era sereno, mas as palavras dele faziam a rainha corar. Percebendo isso o sorriso do príncipe se alargava.
A música então novamente acabava.
Um pouco cansada Elsa cumprimentava o príncipe no final da dança e então voltava ao trono.
No caminho ela percebia que era observada, não só pelas irmãs de Hans mas também por todos os convidados.
A festa continuava até a madrugada. E durante todo o evento a rainha sentiu que havia em seu coração ainda mais forte do que ela imaginou que seria.
Tentava passar toda a festa bem. Mas a verdade e que estava passando muito mal.
Logo ouvia se um baque surdo no chão e o grito de Charlotte ecoava pelo salão.
Dagmar havia desmaiado ao lado de sua gêmea.
Ela era rapidamente levada a um dos quartos por seu marido e examinada pelo médico real enquanto na porta encontrava se Charlotte, Hans e o duque preocupados além de Elsa que tentava administrar o fim da festa ao mesmo tempo.
Mas não havia notícias ruins; muito pelo contrário.
— Vossa majestade, a duquesa Dagmar está grávida. -
No final das contas o duque também acaba por desmaiar com a notícia.
00:40
A lua encontrava se no ponto mais alto do céu.
Havendo apenas opacas nuvens iluminada pela luz prateada do satélite natural.
Com a festa acabada Elsa ia ao jardim. Precisava de ar fresco.
Tentar livrar se de certos pensamentos, sem saber que a causa deles se encontrava próximo dela.
— Elsa ? -
Ouvindo aquela voz novamente ela fechava seus olhos e respirava fundo.
— Não sentir. -
Após dizer seu mantra ela virava sé em direção a ele que se encontrava pouco atrás.
— Está tudo bem ? —
O rosto dele que antes era de preocupação transformou se em alívio após a resposta positiva da rainha.
— Como está sua irmã e o duque ? —
— Estão bem, e muito felizes. Obviamente também estou. —
O sorriso do príncipe era contagiante. Aquele sem dúvida era um dos dias mais feliz que tivera.
— Realmente é uma ótima notícia. —
Elsa sentava se na beirada de um grande chafariz que havia naquele jardim e logo o príncipe fazia o mesmo.
O silêncio logo se fazia presente entre eles que olhavam a lua a cima em seu brilho mais intenso.
— Sabe, durante anos eu encarei a lua como minha única companheira, pela janela eu a olhava e era como se conversássemos mas…. Sem nenhuma palavra, apenas sentimentos. —
O príncipe sorria com a confissão de sua rainha.
Aquilo tem se tornado cada vez mais comum entre eles. Falar sobre suas vidas, pensamentos e sentimentos.
Mas havia um sentimento mútuo do qual Elsa nunca expôs.
— E sobre o que conversavam ? —
O dois mantinham o olhar no satélite que parecia brilhar a cada palavra trocada entre eles.
— Sobre tudo… meu isolamento, meus poderes, meus medos, minha família….. de você…. -
Aquela resposta sem dúvida chamará atenção do príncipe que a olhava com um sorriso esperançoso.
— De mim ? —
Ela sentia ele aproximar se mais tocando levemente em suas mãos apoiada na borda do chafariz.
— Sim. Eu sempre senti …. Sua falta... -
Elsa não acreditava que havia falado tais palavras assim como Hans também não acreditava que havia ouvido isso de sua rainha.
— Elsa….. —
Os olhos do príncipe brilhavam em verde profundo quando Elsa dirigia seu olhar a ele que segurava gentilmente seu rosto.
Ali nenhuma palavra era dita entre eles.
Tudo que precisavam saber era através do beijo que ofuscava o brilho da lua.
" Eu amei contra a razão, contra a promessa, contra a paz, contra a esperança, contra a felicidade, contra todo o desencorajamento que existe. "
— Charles Dickens.
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