Cantos de primvera
11 Más companhias.
"Ele supunha que era da solidão que tentava escapar, e não de si mesmo."
Willian faulkner.
Era apenas mais um leilão de artes, como muitos que a princesa Charlotte organizava.
Agora casada com um príncipe de Vërteria, ela lá morava, mas sempre que possível estava nas Ilhas do sul, que ficava apenas há dois dias de viagem, já que eram reinos vizinhos.
E lá estava ela novamente.
— Estou tão ansiosa, será que alguém gostará de meus quadros ??? —
Ela, visivelmente nervosa, roía suas unhas até Dagmar tirar a mãos de Charlotte da frente da boca da mesma impedindo tal ato de roer.
— E claro que sim. Você é uma artista incrível Charlotte, sempre foi. —
A voz vinha de trás da jovem e logo as duas irmãs se viravam para ver o seu amado irmãozinho, que já não estava mais tão pequeno.
O príncipe Hans agora com quase com 17 anos era muito diferente daquele pequeno menino que era há 6 anos.
Cada dia um homem mais bonito; começará a cuidar de sua aparência e tornou se mais maduro, o que lhe rendeu muitas jovens que o desejavam.
Mas algo nele continuava igual: seus sentimentos pela princesa de Arendelle.
Com o passar do tempo, ele foi entendendo o que realmente significava o que sentira pela princesa quando lá esteve, e a cada dia que passava esse fascínio por ela aumentava, ao ponto da obsessão.
Assim como a obsessão que tinha pelo reino de Arendelle.
Mas o que mais assustava na mudança do príncipe Hans era o fato de ele acabar sendo altamente influenciado pelo seu irmão Haakon.
Tornou-se vaidoso, ganancioso e bravio. Mas Charlotte, Dagmar e Lars nunca desistiram dele.
— Hans, estou feliz que veio dessa vez. —
Charlotte abraçava forte seu irmão que retribuía o abraço com um sorriso sereno em seu rosto.
— Claro que viria ,Charlotte, sempre venho. —
Os seus gestos eram calmos e expressavam carinho quando se tratava de Charlotte,Lars e Dagmar.
— Bem, na última vez você não veio. -
— Estava a caçar com Haakon. Ele queria minha companhia. Mas pretendo não mais fazer isso. -
E Hans tinha bons motivos para não querer mais sair com Haakon.
30 de setembro de 1830
Naquela manhã de outono europeu Hans selava seu cavalo, e logo estava pronto para sair.
Fora convidado por Haakon para caçar nos bosques que rondavam a capital das ilhas do sul.
A verdade é que nunca fizera isso, e não pretendia matar nem uma mosca. Iria mais para fazer companhia a seu irmão.
Encontra-o nos portões da muralha medieval que dividia a cidade na área mais recente a antiga. Hakkon se encontrava com dois jovens guardas do serviço de vossa majestade.
Então puseram-se em direção ao caminho.
Já bem distantes Haakon mandava um dos homens seguir adiante.
— Vamos formar duplas. -
O sétimo príncipe apontava para frente.
— E Hans, você vem comigo. -
Passava alguns minutos e aqueles dois homens que os acompanhavam sumiram entre a floresta.
Hans andava atrás de seu irmão até o momento que Haakon mandava o jovem parar. — Fique aqui. -
Haakon então corria com seu cavalo até que Hans ouvia um disparo da arma.
Assim o décimo terceiro ia na direção de onde viera aquele tiro. Pensava que havia acontecido algo com Haakon.
Mas nunca estaria preparado para ver o que realmente aconteceu.
Lá estava Haakon, e aos seus pés um dos homens que faziam parte da guarda real.
Com um tiro na cabeça o homem jazia no chão até que Haakon empunhava a espada e começava a desmembrar o soldado, banhando se em uma enorme poça de sangue, provando de tal líquido.
O olhar maníaco e sedento de Haakon mostrava que claramente se divertia com aquela caçada humana, além do sorriso glorioso em seus lábios.
Naquele momento Hans se deu conta que aquilo não era uma caçada comum.
Haakon caçaria os guardas, e qualquer outro humano que ousasse passar por ali.
Então apenas pegava o cavalo e saia dali, correndo o mais rápido que conseguia em direção ao palácio.
Assim pedia uma audiência com o rei, seu pai.
O rei como sempre não acreditara em uma só palavra de Hans. E acabou por ficar por isso mesmo.
Já que por "mentir" sobre Haakon que era um dos preferidos de seus pais, ficou aprisionado por uma semana como castigo.
O leilão era anunciado e então todas as mais de 80 pessoas que estavam ali se sentavam.
Alguns estavam ali para adquirir tão belíssimas artes, já outros no caso de Hans, apenas para ver.
Não que lhe falta-se condições para obter tais peças, mas dessa vez viera apenas para apreciar e dar força a sua tão adorada irmã.
— Cadê o Lars ? Ele não chega. -
Charlotte olhava para os lados a procura do primogênito que não se encontrava ali.
— Deve estar ocupado com os trabalhos, se for isso eu o perdôo. Se não.… —
Charlotte então interrompia o que iria falar quando via a uma de suas obras ali exposta para começar os arremates.
A cada pessoa que anunciava um valor por aquela obra Charlotte ficava cada vez mais emocionada, não pelo dinheiro em si, mas sim porque ela não imaginaria que suas obras eram tão valorizadas.
No final do arremate ela já estava abraçando Dagmar desesperadamente emocionada enquanto a gêmea tentava sair do abraço sufocante.
Havia várias peças, algumas lindas, outras que para Hans não valeria nem um centavo.
Até que ele ao ver a próxima peça quase caia da cadeira na qual se encontrava.
Era ela.
Em seus plenos 16 anos, uma pintura da futura rainha Elsa com vestes cerimoniais da realeza de Arendelle.
O fundo escuro da pintura contrastava com sua pele branca, quase como uma porcelana e seus cabelos dourados, Seus olhos continuavam tristes e seu rosto fechado, não demonstrando nenhuma emoção.
Aquela pintura causava um alvoroço; a final, havia anos que a princesa se isolará do mundo, aparentemente sem nenhum motivo.
Hans precisava daquela pintura !
Logo começou os lances, que foram nos mais diversos preços.
O leiloeiro olhava já confuso, com certeza aquela peça era muito desejada, já que a princesa era tão raramente vista.
Hans apenas olhava o alvoroço enquanto Charlotte e Dagmar estranharam pelo fato de seu irmãozinho não ter se pronunciado. A final ele sempre deixou muito claro o que sentia por Elsa para toda a família.
— Hans ? -
Dagmar olhava para ele com estranhamento.
Mas quando o quadro estava quase sendo arrematado o príncipe se levantava e dava um lance de valor exorbitante o qual nenhum ali teria audácia de cobrir.
Todos olhavam para o jovem um tanto incrédulos, mas era óbvio que ele tinha sim como pagar por aquilo, como príncipe das Ilhas do sul.
— Dou-lhe uma, dou-lhe duas…. Vendido para o décimo terceiro !!!! —
O modo como o leiloeiro se referia a ele lhe dava ódio. Odiava profundamente ser somente conhecido como o décimo terceiro.
Ele fechou a cara demonstrando a raiva e desprezo que sentia ao ser chamado assim.
A pintura seria entregue ao palácio ao final daquela tarde.
12:30
Após o promissor leilão, Charlotte levava sua gêmea e o seu querido irmãozinho a um dos restaurantes mais disputados daquela capital.
Uma comemoração um tanto singela se comparado ao nível que estavam acostumados.
— Eu sabia que seria um sucesso Charlotte. -
O jovem príncipe se encontrava muito sorridente naquele momento enquanto experimentava um doce. Doces eram seu grande vício em termos de culinária, ainda mais os que vinham de Arendelle.
— Sim, foi mesmo. Não cheguei a pensar que haveria aquele nível, acho que foi o maior que já organizei… quanto ao seu quadro irmãozinho, bom gosto. —
Charlotte dava um leve sorriso levemente debochado e brincalhão. Em outras épocas o príncipe ficaria completamente corado e gaguejante, mas não mais.
— Sim, precisava dele… você sabe o que eu sin… — Antes que qualquer palavra pudesse ser dita Dagmar chegava ofegante na mesa. O que era um tanto estranho para quem foi pegar apenas um chá.
— Acabei de receber uma recado do mensageiro do palácio… —
Ela parava por alguns segundos para retomar o fôlego.
— Sophia entrou em trabalho de parto agora !!!!! -
O filho de Lars estava nascendo.
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