30 de abril de 1838.

Estava muito animada.

Finalmente chegará a semana em que voltaria a ver uma peça de teatro depois de tanto tempo.

As empregadas do castelo corriam para o quarto da princesa de Arendelle que queria logo ver com qual roupa poderia ir, apesar de ainda faltar dois dias para o espetáculo.

Já Elsa tinha outras preocupações.

Ficará sabendo que houve um massacre de civis nas Ilhas do sul.

— Como alguém pode se virar contra o próprio povo dessa maneira ? -

— Estou mais surpreso dele não ter feito isso antes. —

A voz de Hans que andava de um lado para o outro naquele escritório chamava lhe a atenção.

Ela entendia cada vez mais o que Charlotte quis dizer quando comentará que Haakon era uma pessoa desprezível.

Hans também já havia conversado com ela sobre isso a um tempo atrás.

29 de março de 1838. — 01:30.

O castelo parecia estar completamente adormecido.

Naquele silêncio ouvia se apenas o andar da rainha que retornava do escritório mais tarde aquela noite depois de terminar todos os seus serviços.

Mas a verdade é que mesmo cansada ela estava sem sono.

Passando por um dos quartos ela via uma fugaz luminosidade e a porta entre aberta.

E ali ela percebia que Hans dormia desajeitado em uma poltrona com um livro na mão e próximo a uma lareira naquele quarto do qual ele estava hospedado.
Aquela imagem a fazia sorrir.

Já havia aceitado que estava sim atraída pelo príncipe, aliás, bem mais do que isso.

E ele também correspondia igualmente a rainha.

Ela então entrava e o acordava levemente.

— Hans, melhor se deitar na cama. Ou vai acabar com dores amanhã. —

Hans então despertará com certo torpor até perceber a onde estava e quem estava ao seu lado.

O jovem apoiava a sua cabeça em uma das mãos que estava com o cotovelo na mão da poltrona.

— Veio me fazer companhia esta noite majestade ? —

O sorriso dele era sugestivo apesar do tom brincalhão que ele usava.

— Na… Não. Eu… -

Ele parecia o único que conseguia deixá la naquele estado, envergonhada, corada.

— Eu não quero que você acorde mal depois. —

O jovem então se espreguiçava e então levantava se da poltrona.

— E você o que está fazendo a essa hora da noite Elsa. Que eu sabia você já estaria no seu quarto certo ? Geralmente…. —

Ele olhava para um relógio de pêndulo pendurado na parede em cima da lareira vendo as horas.

— Meus trabalhos foram até tarde hoje. —

Então Elsa via o príncipe retornar sua visão para ela com um leve sorriso e botar uma de suas mechas loiras atrás da orelha e passar a mesma mão em seu rosto.

Mas o clima de intimidade era cortado quando Elsa fez uma pergunta que guardava para si a muito tempo.

— Como é a sua família? Digo…. -

— Que repentino Elsa. —

O rosto dele mostrava certa confusão por ela ter perguntado isso do nada.

— Já quer saber como e a sua sogra ? -

O príncipe ria de sua própria brincadeira enquanto Elsa tentava fazer uma cara emburrada, mas sem muito sucesso.

Até que ela decide jogar o mesmo jogo.

— Sim, quero saber da minha futura sogra. -

Dessa vez era ela que acabará por rir enquanto ele levantava uma de suas sobrancelhas um tanto surpreso com aquela resposta.

— Bem, por onde eu devo começar ? Minha mãe, eu não poderia considerá la uma boa mãe, muito menos o meu pai como bom.
A verdade é que meu pai e um insano cruel enquanto minha mãe sempre foi ausente. —
Grande parte dos meus irmãos são estúpidos; os únicos que se salvam são Lars, Dagmar, Charlotte e Søren que é apenas um ano e meio mais velho do que eu.
Todo o restante não passam de imprestáveis, sanguessugas e cretinos. Nunca fizeram nada do qual alguém pudesse se orgulhar. Muito pelo contrário. -

A voz do príncipe aos poucos ficava embargada.

— Quanto ao Haakon…. Ele é a pior pessoa do qual eu poderia ter me aproximado. Se não fosse pela minha inocência eu…. —

O príncipe parou de falar por um momento até retomar o fôlego.

— Ele é um psicopata Elsa. Eu já presenciei ele matar um homem de modo extremamente cruel, com um tiro na cabeça e depois desmembrar aquele pobre homem. Tirando os mais diversos boatos de que ele matou outras diversas pessoas; e não duvido nada que seja bem mais do que apenas boatos. —

O rosto de Elsa era de certa apreensão.
Percebia nos olhos de Hans toda a mágoa, medo, e qualquer outro sentimento negativo que ele tinha quanto a sua família.

O príncipe crescerá em um ambiente tóxico onde a competição desenfreada, a ganância e a violência envenenavam aquela grande família.

Elsa então puxava o rosto do príncipe que quase chorava com as suas lembranças e dava um leve beijo no rosto e deixando ele abraça lá.

— O pensamento de que você esperava por mim em Arendelle sempre me deu esperança e fazia com que eu não me afundasse ainda mais nas trevas. Você foi o último sonho de minha alma. -

O príncipe então abraçava Elsa de modo apertado enquanto ela o retribuía. Ficando com ele assim por um bom tempo.



— Elsa ?! -

Ela de repente acordava de seus pensamentos e voltava a sua atenção para a frente onde o príncipe lhe chamava.

— Você está bem ? -

Elsa sorria de modo sereno para ele que devolvia o sorriso do mesmo modo e logo após pedia um beijo de sua rainha que não deixava ele esperando.

Mas para variar eles eram interrompidos, como volta e meia acontecia quando estava a sós com Elsa; pareciam que faziam isso de propósito.
Dessa vez fora Kristoff que ao abria porta do escritório na pressa encontrava a rainha e o príncipe aos beijos.

— O que está fazendo ?! -

O beijo então interrompido faziam eles voltarem os olhares para o alpinista que estava ainda na frente da porta.

— A mesma coisa que você e Anna fazem. Ou vai a dizer que nunca a beijou ? -

O tom que Hans e Kristoff costumavam usar um contra o outro sem dúvida demonstra que aquela briga iria longe se não fosse interrompida.

— Não é da sua conta Hans ! -

— E mesmo se fosse eu não me interessaria em saber. -

Antes que os dois ousarem pensar em partir para uma discussão maior Elsa os interrompia.

— Vocês dois, parecem duas crianças e não homens adultos. Quanto a você Kristoff, não fale nada com a Anna. Eu resolverei isso com ela. —

Kristoff então engolia as palavras que falaria ao príncipe depois voltando se para Elsa.

— Então é verdade o que dizem… -

Elsa e Hans tinham semblantes de estranhamento.

Mas antes que qualquer coisa pudesse ser perguntada o jovem saia do escritório sem mesmo dizer o porque ele havia ido para lá.