Aquele mês de dezembro de 1814 estava mais frio do que deveria ser.
A rainha Iduna entrava finalmente em trabalho de parto após uma penosa gravidez que lhe dava uma estranha sensação de calafrios.

Naquela tarde do dia 21 de dezembro nascera Elsa. A futura rainha de Arendelle.

O reino ficou em festa. A última vez que nascera uma princesa fora a mais de 100 anos.

E em Arendelle não havia leis que impedem mulheres de ascenderem ao trono.

Mas logo quando a jovem nasceu, as parteiras perceberam uma coisa diferente na jovem. Ela tinha uma pele muito mais clara do que o normal, e seus cabelos eram loiros, quase brancos de tão claro.
Isso era diferente.

Mas o que mais as assustou na verdade foi o fato de nevar naquele quarto fechado.

— Talvez eu apenas esteja ficando louca pelo cansaço. —

Pensou alto uma das parteiras ali presentes.

Após um tempo a rainha era deixada com a princesa e o rei a sós.

Aos poucos ficou claro que Elsa não era uma criança comum.
Ela nascera com uma característica assustadoramente especial. O poder do gelo.
Os reis já haviam ouvido falar de tais pessoas que nascem com dons especiais como esse, mas pensavam anteriormente que não passava de uma fábula.

Mas não era uma fábula, era muito real.

Não demorou muito para que Elsa tivesse mais uma companhia. No dia 21 de junho de 1817 nascia Anna.
E logo os poderes de Elsa se abrandaram, quando ela pôs os olhos na pequena menina com olhos travessos e inquietos.

Mas chegará o inverno de 1823.

Na noite de natal um acidente ocorreu, algo que faria Elsa sé martirizar pelos próximos 12 anos a seguir.
Anna jazia quase morta nos braços de seu pai.

Foi um acidente.

mas ela era salvá, os trolls ajudaram a jovem Anna que agora não encontrava se mais em risco de vida.

Mas a pequena princesa teve todas as memórias quanto aos poderes de sua irmã apagadas.

Imperdoável.

A partir daquele dia Elsa amaldiçoaria sua essência e se trancafiou em seu quarto.
Não queria mais desastres em sua vida. Quase perder sua irmã fora doloroso demais.

Encobrir.

Não achará outra solução além do isolamento.

Seus pais lhe deram luvas, mas ajudavam pouco em momentos de desespero, ou quase nada.
Não havia saída para ela. Teria de se afastar.

Em um canto isolado do palácio ficava o quarto de Elsa. Dava para ver muito do reino de sua janela.
Via a vida passando diante de seus olhos, o medo não deixava a agir, e quando o medo toma conta, o gelo reage.
Na janela embaçada pelo frio do quarto Elsa via uma parte do porto e os fiordes em outro canto da grande janela.
Assim era sua vida a quase um ano. Atrás daquela janela.
E era naquela janela que ela via chegar um navio diferente. Com cores mais escuras,e uma bandeira de um lugar que não conhecia.

Bandeira preta com um símbolo de a exatos 10 arco flechas, apontando uns contra os outros de modo que formassem um círculo, prontos para atirar uns nos outros; e em meio deles escudo elaborado com a letra W.

Era da família real das Ilhas do Sul, os Westergaard

Aquilo era realmente curioso, não estava acostumada a ver navios com bandeiras tão diferentes quanto aquela que era toda em tons escuros.
Olhava curiosa tentando ver quem saia do barco até que ouviu alguém bater na porta de seu quarto a fazendo se retrair.

— princesa Elsa,vossa majestade deve sair, seus pais querem vela. -

A voz doce e gentil era de Gerda.
Gerda trabalhava naquele castelo desde a época que seu pai era criança, ela fora a principal cuidadora do futuro rei que cresceu tendo um grande carinho por aquela senhora.

Quando Elsa e Anna nasceram o rei fez questão de que Gerda também ajuda-se as meninas, confiava nela, somente nela e em Kai para tomar conta delas.

Kai começou trabalhando no castelo no final da infância do jovem rei. E lembrava como sé fosse hoje quando conseguiu unir Kai e Gerda em um casamento, depois de muita propostas de Kai e dúvidas de Gerda.
Mas fora um casamento genuíno.
Os dois agora estavam juntos há mais de 20 anos.

Elsa olhou para Gerda, o medo estava refletido em seus olhos infantis.

—Não se preocupe minha princesa,tudo ocorrerá bem. —

Disse Gerda zelosa.

Sabia dos poderes da jovem princesa, e o porque ela decidira por conta própria se isolar, mesmo não aprovando essa atitude exagerada de Elsa, o apoiaria em qualquer circunstância, pois amava ela e Anna como fossem suas filhas.

Logo a princesa estava pronta, vestia um vestido branco com algumas pequenas flores bordadas na aba do vestido.

Suas mãos estavam cobertas, a luva era sempre usada como uma forma de refrear seus poderes, ou ao menos tentar.

Ao descer ela encontrava seus pais que tinham grandes sorrisos estampados em seus rostos. Além de Anna que assim como ela pareciam não fazer nem ideia o porquê de estar ali naquela noite de primavera.

— Hoje teremos convidados especiais para o jantar. — Era somente isso que o rei falava as meninas enquanto se dirigiam à sala reservada para o desjejum.

Ao abrir da grande porta de madeira encontrava se várias pessoas,alguns rostos conhecidos como de alguns barões e outros membros da realeza. Mas para Elsa havia ali 4 pessoas do qual ela nunca tinha visto,era fácil perceber entre todas aquelas.

A final não se encontra sempre um grupo de pessoas com olhos tão verdes e um cabelo de um ruivo tão intenso.

O rei fazia um breve discurso do qual Elsa não tinha a menor idéia do que se tratava, ouvia apenas palavras desconexas, pois não prestara atenção em absolutamente nada do que ele disse.

Pois seus olhos e pensamentos estavam sendo atraídos pelo peculiar grupo de ruivos a sua frente.

— Deve ser eles naquele navio estranho. —

Pensava.

Então todos se sentavam e a comida começava a ser servida.

Todos conversavam animadamente, ou quase todos.

Elsa não era uma dessas pessoas.

Ela analisava um por um daqueles visitantes, no seu isolamento ela começara a pensar que não poderia confiar em todos.
Primeiramente olhava o mais alto deles. Lars, o príncipe herdeiro das Ilhas do Sul.
Dava lhe a impressão de uma pessoa serena e centrada.

Depois uma das ruivas sentada ao seu lado.
Charlotte. Ela por algum motivo fazia lembrar de Anna, talvez pela alegria contagiante estampada em seu rosto e seu jeito doce.

Mais adiante outra mulher, idêntica a jovem do lado, mudando o jeito do cabelo apenas.
Dagmar. Ela tinha um jeito um pouco mais retraído do que sua obviamente irmã gêmea, mas parecia uma boa pessoa, e seu jeito parecia dar lhe um ar intelectual e refinado.

Por último o menino que estava sentado bem à sua frente.
Hans. Algo parecia atrair a sua atenção a ele. Não sabia dizer exatamente o que era. Talvez os seus olhos intensamente tristes como os seus, ou seu jeito retraído como o seu, ou os…

Antes que ela conseguisse terminar seu pensamento ela percebia o príncipe dirigir seu olhar a ela.

Não sentir, não sentir !

Ele percebera que era observado e então ao olhar para a princesa, deu um tímido e terno sorriso para ela.

Sorriso esse que era devolvido do mesmo modo por Elsa.

Aquela situação era um tanto estranha para ela. Não era acostumada com tantas pessoas ao seu redor; Ainda mais estrangeiros.
Mas o mais estranho era a sua magia não se manifestar em nenhum momento durante aquele jantar.
Essa estabilidade era inimaginável. Não entendia o porque daquilo acontecer ali, do lado de todas aquelas pessoas, na frente dele…

Sim, pensava no menino que jantava à sua frente. Era outra coisa que não entendia o porque.
Porque de todas as pessoas ele fora um dos primeiros que viera a sua mente ? Não havia se passado 2 horas que o havia conhecido.

— Elsa ? —

Logo a futura rainha virou se para o lado de onde vinha a voz. Era Anna.

— Estou tão feliz que você veio jantar. —

Anna então abraçava sua irmã quase se jogando nos braços da mesma alegremente.
Naquele momento o gelo agiu.
Nervosa ela começou a criar uma fina camada de gelo sobre os talheres de alumínio,tão caros em sua época.

— Eu… eu preciso ir… —

Elsa se levantava de repente da mesa deixando todos surpresos.

Era tão repentino, ninguém entenderá nada. Principalmente Anna que mais uma vez interpretou a saída de Elsa como uma recusa de seus carinhos de irmã.

Anna voltava a sua posição na cadeira timidamente e voltava a comer, ou ao menos tentava. Pois não conseguirá mais, o prato foi deixado pela metade.

Aquela ocasião deixará o príncipe das Ilhas do Sul curioso quanto a primogênita de Arendelle.
Naquela mesma noite Hans tentaria falar com a princesa.

Passava das 23:00 e o jovem príncipe estava no quarto de hóspedes reservado a ele. O local estava todo escuro e silencioso, um pouco incomodado ele decidia se levantar, a final, já não estava conseguindo dormir de qualquer jeito. Talvez uma caminhada o relaxa-se.

Abria lentamente a porta do quarto e então olhava para os lados.

Nada havia.

Então começara a andar, talvez houvesse algo de interessante pelos corredores do qual não tenha percebido, talvez a biblioteca do castelo esteja aberta, talvez ELA esteja com a porta aberta.

Andava por vários corredores, muitos guardas pareciam estar no sétimo sono e outros fazendo qualquer outra coisa que não seja cuidar do castelo ao ponto de não perceberem o jovem príncipe passear pelos corredores.

Mas de repente lá estava ele de novo, parado na frente daquela mesma porta que estivera horas atrás.