Cantet
1 A noite chega
Era um dia comum, em um vilarejo comum, o sol iluminava as plantações de milho, o amarelo tornava dourado com o brilho da penumbra, todos os moradores trabalhando, a maioria no campo cuidando das plantações e dos animais e diante de tanto movimento um corvo observava a sincronia perfeita que havia entre eles. pareciam engrenagens de um relógio suíço, todos em seus lugares, mas como o primeira chega depois do inverno venho o espanto.
Corria da floresta uma garota, o corvo a observou, seus cabelos eram da cor do trigo, seu rosto fino e delicado como se fosse esculpido por martelos de nuvens, e seus olhos, ah os olhos dizem que os olhos são a janela da alma, mas o corvo não pode vê-los. Ela tampava o rosto, e corria desesperadamente, seu rosto fino era uma tempestade negra de pesadelos, suas roupas estavam rasgadas e seus pés, apenas um estava calçado.
Os moradores correram para ver oque havia acontecido, quando se aproximaram e acalmaram ela, ela tirou a mão dos olhos e pode-se ver. Uma alma trancada sem janelas, a luz nunca mais iria ilumina-la, a alma se tornaria reclusa e fria e ninguém apreciaria a sua beleza. Não conseguia falar, enquanto a sua alma gritava por dentro seu corpo não conseguia acompanha-la estava em choque.
O corvo observou e levantou voo.
Com os dias passando, cada dia uma alma era trancada, era inibida de sua soberba. O corvo as analisava como tempo, ele sabia o quão triste isso era, ele que sempre teve sua alma negra, e por mais que a luz entrasse jamais conseguia esclarecer ela.
O corvo se arrebata ao céu, e observa na floresta duas pessoas, ele se aproxima examina oque ocorre.
O homem da cidade e fazia algo com a humana, ela havia cabelos curtos e negros como a suas penas, seu grito era cinza como o seu bico, e o desespero de seus movimentos, era igual ao desespero da sua alma. O humano pega e rasgas as roupas de sua presa.
O corvo jamis observara algo parecido.
Então chega o momento em que a humana esta no chão, o carrasco pega um instrumento e coloca em seus dedos se aproxima do rosto da presa e tranca a primeira janela da alma.
O corvo vê a alma ficando sem luz, vê o desejo de morte que ela implora.
Então avança contra o porteiro, e com suas garras vai direto em direção a alma do homem. E ele viu como era a alma dele, uma alma em paz, uma alma sem caos, harmônica com a natureza.
Jamais entenderá como uma alma podia se tornar assim, mas uma alma que reprime as outras deve ser trancada.
O Corvo tranca as janelas e arrasta as chaves, e doa-lhe a morte. Sabia que com isso por ali nenhuma outra alma seria trancada.
Então o corvo levanto o voo.
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