Scorpius suspirava sozinho naquela manhã de inverno. Havia vindo passar o natal em casa, contudo o pensamento permanecia distante.

Batendo a ponta da caneta contra o caderno, pela décima vez, rasgava a folha e nada parecia adequado.

Compartilhando do sofá, Lucius parecia preocupado.

Draco pendurava as meias na lareira, arrumando a decoração de natal, reprimindo a imensa vontade de descobrir o que tanto atormentava o pequeno filho. No entanto, lembrava que na mesma idade, só conseguia desabafar com o Dobby, por isto, não queria soar invasivo.

— Deseja ajuda, Scorpius? – Perguntou o avô, espionando discretamente, apesar dos certeiros olhares de repreensão advindos do filho.

Inicialmente surpreso, o menino pensou. É claro que o avô não o ajudaria, mas seria bom ter alguém para escutar suas sugestões.

Assim, assentindo em positivo, interpôs:

— Eu estava tentando escrever uma declaração para o Albus. Algo como uma brincadeira, para anexar ao seu presente de natal.

— Tinha que ser o Potter... – Resmungou Draco, contrariado.

— Draco! – Repreendeu o mais velho. Um tanto sem jeito, deu uma tapinha em comemoração no ombro do garoto, comentando. — Oh, sim! Seu pai me falou que vocês estavam... – Era estranho usar aquele termo, todavia — namorando...

As bochechas do adolescente assumiam um intenso vermelho à proporção que um grande sorriso tomava conta daquele rosto angelical. Apenas a menção do relacionamento e ele irradiava felicidade. No fim, Lucius acreditava que o neto merecia aquilo depois da perda da mãe e tantos julgamentos quanto sua ascendência no mundo bruxo.

Compartilhando a alegria, embora não fosse afetuoso como os Weasley, queria asseverar seu apoio, até porque participar daquilo também o deixava contente.

Assim, mostrando-se interessado, continuou:

— E o que você já pensou?

— Hm... – Levando a ponta da caneta a boca, arriscou após passar os olhos pelo rascunho umas duas vezes. – Albus, se você usar a poção veritaserum, verá como é verdade que te amo.

— Está fofo. – Ponderou Lucius, em nostalgia. Oh! A pureza do amor juvenil.

— Eu queria algo mais... – Voltando o olhar para o caderno de folhas amarelo pergaminho, ajustou. – Ousado, entende?

E, infelizmente, ele entendia.

Desistindo dos enfeites, Draco compartilhava da poltrona perpendicular aos dois. Olhando para o anfitrião da família, “o pequeno anjo da casa crescia”.

— Algo como, acho que você é oflidigota, pois se comunica tão bem com a minha cobra. Veja só, até rima.

— Scorpius, ele vai achar que está afim do pai dele. Por que não tenta outra?

— Eu posso ser sua houcroux, afinal você já tem um pedaço da minha alma.

— Não! – Desta vez, Draco interrompeu. Explicando o óbvio. – Já temos muitos julgamentos. Precisamos afastar este fantasma do Lorde das Trevas da nossa família. Tenta algo como... Sei lá, ele gosta de viajar no tempo... Então, depois desta noite comigo, você vai precisar de um vira-tempo, pois irá pedir bis.

— Chega de vira-tempo, pai. – Admitiu, com um meio sorriso.

— Você poderia tentar: Certamente, você não é trouxa, pois me enfeitiçou. – Contribuiu Lucius, e os dois mais jovens riram por ele entrar na brincadeira.

— Soa ofensiva.

— Que tal: Seu presente é a chave para abrir minha câmera secreta e invocar meu Basilisco?

— Scorpius! – Repreendeu Draco, verdadeiramente indignado. Não estava nada preparado para ver seu anjinho falando daquela forma.

— Fica subentendido se você falar: vamos realizar um duelo de varinhas nesta noite?

Todos gargalhavam pelo modo como o mais velho levitava a sobrancelha esquerda, tentando parecer “sugestivo”.

Sempre tão sério, Draco não imaginava que o pai estaria se esforçando para ser criativo. E entre os risos distraídos, terminou confessando:

— Eu tentei com o Potter. Não funcionou. – Diante os olhares admirados, poderia explodir de vergonha quando notou o dito. Percebendo a sacola de enfeites no próprio colo, inventou uma desculpa ao levantar extremamente sem graça. – Ok. Alguém tem que terminar a decoração. – Sem olhar pra trás. — Boa sorte... pra vocês...

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