Can't Remember to Forget You
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Atena deixou a sala dos tronos e seguiu a passos firmes até seu templo. A deusa estava possessa, os olhos cinzentos como se carregassem a pior das tempestades refletiam seu estado de espírito e deixavam claro a qualquer ser do olimpo que irritar a deusa da sabedoria estava longe se ser uma atitude, digamos, sábia.
Mas, aparentemente, não se pode esperar atitudes sábias de um cabeça-de-bagre cretino e irritante, a quem Atena também conhecia como Poseidon, deus dos mares. E o mais incrível de toda a situação é que mesmo os olimpianos não tendo DNA, todas essas "adoráveis características" do senhor dos mares haviam sido transmitidas para sua cria indesejada, também conhecida como Perceu Jackson, o qual em um ato ridiculamente estúpido havia enviado ao olimpo a única coisa capaz de desequilibrar Atena, constranger Poseidon e deixar tensos os outros dez olimpianos, a cabeça de Medusa.
Quem nunca ouviu falar das aventuras românticas de Poseidon? Principalmente aquela que resultou em uma deusa eternamente irada e um monstro imortal capaz de transformar qualquer criatura em pedra. Grande história, quase tão grande quanto a burrada de Percy ao mandar aquele troféu para olimpo. É claro que todos sabiam que ele queria provocar o senhor dos céus, mas sabem aquela história de o tiro sair pela culatra? Pois é... atingiu a deusa (que no futuro viria a ser sogra do herói... as parcas nunca erram!) no lugar que mais dói: o coração. Mas para um imortal um tiro não é nada, certo? Bem, não funciona bem assim se você tiver que conviver com a ferida pela eternidade, sempre ali te lembrado o que você perdeu, e pior, como perdeu.
Éons atrás, quando Atena ainda não tinha seu voto de castidade, ela se apaixonou. Mas como lidar com algo assim, totalmente fora da razão? O amor é uma benção, basta se entregar e viver... parece fácil e pode ser que seja para alguns, mas não para a deusa da sabedoria e se torna ainda mais difícil quando o objeto de sua afeição é alguém totalmente fora da sua compreensão, como Poseidon era para ela. O irmão encrenqueiro de seu pai, senhor dos mares e dono de olhos tão incrivelmente verdes, que Atena temia se afogar quando o deus a olhava intensamente, uma sensação quase tão desconfortável quanto a falta de firmeza nas pernas diante do sorriso do deus ou os arrepios que percorriam sua espinha ao som de sua voz. A questão era que nada disso importava mais ou deveria não importar, o que justifica os últimos acontecimentos.
Ao chegar em seu templo, Atena foi direto para o lugar que mais a acalmava, a biblioteca, era em meio aos livros que ela procurava conforto em horas como estas, não que a deusa da sabedoria pudesse se dar o luxo de perder o controle muitas vezes, mas acontecia em algumas situações, geralmente naquelas que um certo pescador está envolvido.
A deusa até tentou procurar um livro para se distrair, mas seus pensamentos voltavam a atormentá-la... quando se deu conta estava caminhando de uma lado para outro da biblioteca descontando nos livros toda sua frustração.
POV Atena
"Não é possível que isto esteja acontecendo! Depois de tanto tempo isso não deveria me afetar tanto... Afinal, a escolha foi minha e foi a correta! O que aconteceu depois só serviu para comprovar isso... Garoto insolente! Como se atreve a nos afrontar dessa forma enviando a cabeça desse monstro para cá? Filho de quem é não deveria me surpreender... deveria ter permanecido no conselho e colocado em votação a aniquilação desse meio-sangue..."
"Falando sozinha, Atena querida?"
"O que faz aqui Afrodite? Eu não estou com cabeça para bater papo agora."
"Eu diria que Medusa também não, literalmente falando, já que..."
"S-A-I-A"
"Credo Ateninha, acalme-se um pouco, deveria estar contente por Percy ter "matado" Medusa, afinal ela vai passar mais uma agradabilíssima temporada no tártaro"
"Não me importa o que vai acontecer com ela, deixei de me importar no momento que a transformei, no entanto isso não é motivo para que eu perdoe facilmente a afronta desse moleque."
"Por favor, Atena, nós duas sabemos perfeitamente que seus problemas vão muito além de Percy. Apesar de que a semelhança é inegável, olhos verdes e cabelos pretos... te lembra alguém?"
"Talvez você não tenha ouvido da primeira vez, então repetirei, Dite.. Saia!"
"Olha só, não é que chegamos a raiz do problema? Me responda uma coisa, Atena, você é a deusa do que mesmo?"
"Por favor, Afrodite..."
"Apenas responda e prometo que não levarei mais do que cinco minutos para sair"
"Deusa da Sabedoria, das estratégias em batalha, guerra justa, artes..."
"Um momento... estratégia em batalha e guerra justa...entendi! Então nesse caso seria totalmente contraditório que você fugisse de suas batalhas, não é?"
"Ora... sua.."
"Atena, espero que aproveite seu tempo a sós para refletir sobre o que eu estou falando, pois sei muito bem que isso já estava em sua mente antes mesmo de eu entrar aqui. E mais uma coisa... deixe Percy em paz, tenho planos para ele. Meu tempo acabou. Bye”
É claro que eu sabia muito bem do que ela estava falando, a única batalha que não pude enfrentar, a única vez em que tive que fugir e fiz isso da forma mais desonrosa possível, sem nem ao menos lutar ou então buscar uma conciliação com meu "inimigo". Mas o que mais eu poderia ter feito? Eu estava apavorada... tantas sensações, tantos sentimentos, tudo isso por causa de uma única pessoa, um único homem.
Com o passar do tempo minha relação com Poseidon foi se desenvolvendo, estávamos mais próximos, quase como amigos, mas a realidade era que ele mexia comigo, muito mais do que eu gostaria ou do que estava disposta a aceitar. Eu era uma deusa nova, estava empenhada a cumprir meus deveres de forma perfeita e tudo estava correndo bem, minhas obrigações estavam em dia e meu "relacionamento" com Poseidon ia muito bem, ao meu ver a atração era unilateral, ele me atraia e ponto, não passava por minha mente que eu pudesse ter o mesmo efeito sobre ele. Um dia Zeus me chamou até seu templo e me questionou a respeito de minha relação com seu irmão, não havia o que falar, não é como se eu fosse dizer que estava indiscutivelmente apaixonada por Poseidon, mas que meu pai não tinha com o que se preocupar, afinal não era recíproco. Bem, a verdade é que não foi preciso dizer porque Zeus já sabia dos meus sentimentos e me alertou que Poseidon tinha sentimentos por mim, mas que isso nunca poderia seguir em frente.
Flashback on
"Ele é o Senhor dos mares, Atena, precisa de uma companheira que fique ao lado dele, que vá reinar com ele. Não importa como você se sente e nem mesmo como ele se sente, Poseidon deve cuidar do reino dele e você deve permanecer no olimpo cuidando de suas obrigações... ou será que eu me enganei ao confiar em você?"
Flashback off
Foram as palavras mais duras que já ouvi de meu pai, mas eu ainda tinha esperanças de que ele estivesse enganado, que os sentimentos de Poseidon por mim não fossem além da amizade. Bem, a enganada era eu e isso me custou muito.
Flashback on
"Atena? O que faz aqui fora há essa hora?"
"Como vai, Poseidon? Bem, eu só estava admirando a lua... parece que Ártemis está feliz com a caçada."
"Atena..."
"É melhor eu entrar, Poseidon. Amanhã será um dia exaustivo, tenho uma reunião com Ares..."
"Você está me evitando. Por que?"
"Não estou... conversaremos em um outro momento."
"Não, faz dias que te procuro e você nunca está livre, preciso te dizer uma coisa."
"Poseidon, eu realmente devo ir..."
Flashback off
E foi ali, em meio aos jardins do olimpo que ele me beijou. Poseidon nunca foi um homem de meias palavras e não deixaria que minhas desculpas o impedissem de fazer o que queria. Quando ele me puxou e colou seu corpo no meu nada mais passava em minha cabeça além do sentimento de como tudo naquele momento parecia certo, sua mão em minha cintura enquanto a outra acariciava minha nuca, seus lábios mornos encaixados perfeitamente nos meus, seu cheiro entorpecendo meus sentidos. Foi o beijo perfeito, aquele que foi o meu primeiro e que infelizmente seria o último.
Depois disso ele me pediu uma chance, me fez prometer que pensaria no assunto, e eu estando ainda sobre o efeito do beijo aceitei. Foi ai que meu inferno particular teve início, momentos após Poseidon me deixar percebi o erro que havia cometido, então fugi. Me ausentei do olimpo por alguns meses até que pudesse encontrar um solução para meu problema e encontrei. Quando retornei pedi que um conselho fosse convocado e lá anunciei minha decisão, me tornaria uma deusa casta. Em nenhum momento olhei para Poseidon, não dirigi nenhuma palavra a ele e nem mesmo respondi as que ele dirigia a mim, o meu temor era de não ser forte o suficiente e sucumbir assim que olhasse em seus olhos. Hoje não tenho duvidas de que essa atitude agravou ainda mais toda a situação, mas era a coisa certa a ser feita! Eu tinha que me afastar dele, definitivamente, mesmo que para isso eu tivesse que quebrá-lo.
Na noite seguinte após aquele conselho eu recebi meu castigo, encontrei Poseidon e Medusa transando em meu templo. A situação em si já seria um grande desrespeito, mas se tratando do templo de uma deusa casta isso tende a ser considerado ainda pior. Bem, eu também estava quebrada e ali me recompus, cada pedaço do meu coração e da minha alma voltaram a se juntar, impulsionados pela raiva, pela mágoa. Sim, eu o havia machucado, mas o que ele fez foi ainda pior, me senti humilhada, afrontada...
O castigo de Medusa de certa forma me trouxe um pouco de alívio, mas boa parte de todos aqueles sentimentos continuam guardados dentro de mim e ver a cabeça dela na sala dos tronos hoje os despertou, por mais que a raiva e humilhação continuem guardadas, o amor e a culpa por ter fugido e resolvido a situação com Poseidon da pior forma possível ainda me atormentam e me iludem a sonhar com um passado de escolhas diferentes e um futuro em que meus passos são acompanhados de perto por olhos verde-mar.
I can't remember to forget you
(Não consigo me lembrar de te esquecer)
I keep forgetting I should let you go
(Continuo me esquecendo de te deixar ir embora)
But when you look at me, the only memory
(Mas quando você olha para mim, a única lembrança)
Is us kissing in the moonlight
(É de nós nos beijando na luz do luar)
I can't remember to forget you
(não consigo me lembrar de te esquecer)
Can't remember to forget you
(não consigo me lembrar de te esquecer)
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