Canetinhas
1 Canetinhas
Canetinhas, muitas canetinhas no pote, vejo a Rússia no globo de mesa, dedos nervosos batendo na mesa de madeira, a música que toca que toca no fone não é suficiente pra me distrair, olho o canto da tela de plasma, com o maldito símbolo dizendo que não posso me conectar com o resto do mundo, dou uma cotovelada nela, fazendo-a borrar o desenho, um tímido “desculpas” é dito, rodo meu anel pelos dedos, um, dois, três goles seguidos de água foco novamente nas as canetinhas, pego uma, abro, agora rabisco no papel sulfite fazendo um desenho que sei que nunca vai ficar bom o suficiente, meus dedos batem pelo teclado enquanto penso, o corretor automático sublinha de vermelho a palavra “durex”e ordena que eu coloque um espaço entre o símbolo de pontuação e a palavra á direita, clico em ignorar, ignorar tudo, bom se isso fosse possível, penso na cama me esperando no andar de baixo, minha cabeça quase caindo sobre o teclado.
Droga, ainda sem internet.
Olho para o lado esquerdo, seus olhos cinzentos cansados sorriem para mim, fazendo nada, encosto a cabeça em seu ombro, sinto o seu cheiro, recebo uma joelhada, é difícil lembrar que estou dividindo o fone com alguém, sempre acabo me movendo e tirando uma das extremidades do ouvido da outra pessoa, olho pra menina que desenha ao meu lado direito, igualmente cansada, com o óculos na pontinha do nariz, ajeito-o, ela sorri para mim e pergunta:
— Vamos dormir logo?
Concordo com a cabeça, mas não, nós não vamos.
Vejo o galinho do tempo sobre a caixa de som no seu mais intenso tom de vermelho, vermelho assim como o sangue que sai do meu nariz quando eu o cutuco, sempre sangra quando o clima está seco como hoje, esfrego as mãos, ásperas, creme, é isso que eu preciso, mentira, eu preciso de uma xícara de chá, uma massagem e de uma boa noite de sono, e de que a maldita internet volte, mas isso está fora de cogitação então me contento com o hidratante,ela pede pra usar o Word um pouquinho, e como eu sou boazinha,eu deixo.
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