Notas iniciais
Então, eu me atrasei porque alguém que vai provavelmente estar lendo isso (espero que esteja) perdeu o capítulo. Bem triste, né? Mas como eu sou bem divo(a) fiz ele de novo. Abraços ♥

~Narrador Hector~

Minha cabeça doía. Resultado de tudo isso? Aquela manhã. Só de me lembrar de tudo que tive que passar em um só dia de aula me fazia perder a vontade de levantar da cama. Apenas três garotas foram capazes de fazer tantas perguntas desnecessárias. Perdi as esperanças de que um dia elas parariam de falar, e ainda tinha aquele garoto. Quem era ele mesmo?

Naquela manhã, havia levantado mais cedo do que devia. Aproveitei que não havia ninguém acordado e fui direto pro banheiro. A água quente me ajudava a pensar. Sai do banheiro, troquei de roupas e escovei os dentes. Meu cabelo insistia em cobrir meus olhos de tão longos que estavam.

Costumava cantar muito no banho e isso fez com que meus pais acordassem, bravos. Primeiro, tive de ouvir as reclamações do meu pai porque ele queria descansar mais pra ir pro trabalho. Minha mãe? Ela só não gostava de acordar cedo mesmo. Peço que ela faça meu café da manhã, apenas alguns ovos estariam bons. Acordei com muita fome aquela manhã, e como sei que não costumo levar lanche algum, preencho meu estômago.

Ajusto minhas listas de música do celular e coloco o fone. Quando fui ver no relógio, estava atrasado. Corro direto pro ponto e quando percebo, ele já está lá. Passo pelo cobrador, gentil, e o cumprimento. Coloquei os fones no ouvido e comecei a reproduzir as músicas. Na janela, podia ver apenas árvores e mais árvores. Passava pelas ruas e conhecia todas elas, até mesmo aquela velha senhora que ficava sentada no banco da praça. Ela sempre estava lá. Porém, algo novo: um menino. Nunca havia visto ele na vida, seus cabelos lisos com uma quantidade exagerada de gel, com alguns pelos faciais visíveis. Seu corpo era notavelmente magro, e algumas pessoas lhe rodeavam. Ele parecia não se importar com nada, estava aparentemente atrasado.

Chego em minha nova escola. Encontro um garoto tímido sentado na escada, de canto. Carregava consigo um caderno e escrevia algumas histórias aleatórias. Ignoro-o e parto para a sala de aula. Fui recepcionado com uma gritaria enorme, a sala aparentemente era espaçosa, mas havia poucos alunos. Apesar do número ser pequeno, a gritaria chegava a percorrer por toda escola. Observo a zona e procuro uma mesa. Sento nela e procuro ignorar os outros, aumentando até mesmo o volume da música. Começo a desenhar algo aleatório.

Sinto algo em minhas costas. Quando viro-me, noto algumas mechas loiras nos meus ombros. Aquilo era os peitos de uma garota. Ela era visivelmente bonita e tinha algo que atraia ela em todos os garotos, mas não pra mim. De repente, sem me dar qualquer espaço, chegam mais três delas que começam a me encher de outras perguntas. Retiram meu caderno de desenhos, começam a foleá-los e expressam certo interesse por eles.

Quanto mais surgiram perguntas, mais aumentava o volume. Até que, por um momento, o barulho cessou. Chegou uma autoridade na sala, uma professora. Todos ficaram em silêncio, e eu apenas fiquei deslumbrado com a figura. Nunca havia visto mulher igual, ela parecia ser interessante. Porém, o som que saia de sua voz era demasiado irritante. Disperso-me da aula e continuo desenhando.

Pude reparar os olhares de um certo garoto pra mim. Quando noto, era o menino que eu havia visto no ponto de ônibus. Não sabia o que fazer, então apenas deixava que me encarasse. Às vezes virava apenas para ter certeza se ele continuava me observando, e corávamos juntos. Ele era estranho como todos os outros, então passei a ignorá-lo.

O fim da aula havia finalmente chegado. Vejo as três juntarem-se em torno de mim novamente. Elas falavam sem cessar por um momento e me enchiam de perguntas, sem me dar qualquer espaço para respondê-las. Não pude notar, mas do fundo surge uma pequena garota. Seu tamanho era pequeno demais, nem parecia que estava no sétimo ano. Com sua voz grossa, apesar do seu tamanho, ela interrompe toda a faladeira daquelas três garotas. Junto dela, surge outra:

— Oi. Qual seu nome? — Pergunta a pequena.

— Hector. — Respondo, timidamente.

— Ah, oi Hector. Meu nome é Maddie. — Conduz a de aparelho, que apesar de tudo não era mais alta que a outra — E essa é a Juddy. Sim, ela é pequena, mas está na nossa sala.

— Vai se ferrar! — Juddy, a pequena, responde ao insulto de Maddie com uma pisada em seus pés.

— Ai! Por que você tem que ser assim? — Como reação, a garota puxa seu próprio pé e começa a pular pela sala. O pé da pequena é proporcional ao seu corpo, tornando aquela dor inválida.

— Vocês estão assustando ele! — Desta vez, a voz é de uma figura masculina. Chega alguém por trás e se estreita até minha mesa. Era um garoto. Ele chegou com o boné virado para trás, ajustou o fone em seus ouvidos. Pude notar uma camiseta de banda e seu corpo magro. A coisa mais visível? O tamanho do seu nariz. Era meio grande, apesar de não deixá-lo feio.

— Não vê a expressão do garoto? Olha isso, coitadinho. Alias, meu nome é Max! — Sem qualquer intimidade, ele pousa seus pés sobre minha carteira e ajusta sua postura. Talvez ele apenas quisesse demonstrar sua aura de superioridade.

Somos interrompidos pela voz de um "terceiro". Era um professor velho e depravado. Apenas jogou seu material em cima da mesa e ordenou que todos se sentassem. Quando notou minha presença, pediu que eu me levantasse e me apresentasse. Meio receoso, fui até perto da lousa e comecei meu discurso:

— M-Meu nome é Hector. Tenho 12 anos. É um prazer conhecer vocês.

Sem esperar eu terminar, ele manda que eu me sentasse. Começa a dar sua aula. Seus textos eram enormes e vinham diretamente das informações que o nosso livro retratava. Quando fomos obrigados a copiar toda aquela informação, pude notar um couro do fundo da sala, com suas vozes quase unidas de reclamação de desânimo. Ao meu lado, sentava um garoto gordinho. Pude reparar que ele estava dormindo e sequer tinha interesse de copiar o conteúdo do professor. Lhe foi chamado a atenção uma vez, e ele despertou. De nada adiantou, segundos depois ele voltou a dormir em cima do caderno.

Algumas vozes de fundo zombavam do gordinho, outros jogavam bolinhas de papel em cima dele. Seu nome era Timmy. Descobri quando eles zoavam o garoto. Até inventaram um apelido pra ele: " Dorminhoco". Talvez aquilo fosse um hábito, em todas as aulas. No meio da aula, alguém levanta a mão. Era o menino do ponto.

— O que é, Dylan? — Pergunta o professor.

— Posso ir pro banheiro? — Questiona o aluno.

— Fazer o que, né? Vai então. — Responde o professor.

De repente, o garoto sai da sala em um disparo. Pude notar pela janela o trajeto que ele percorre pelos corredores. Alguns minutos depois o professor começa a discutir com a própria caneta que ele usava para escrever na lousa. Suas letras ficavam claras, até sumirem completamente. Quando a tinta acaba, o professor vira-se para a sala. Começa a observar os alunos escrevendo, com exceção do gordinho. Quando percebe que já acabei de escrever, ele chama minha atenção.

— Hector, faça-me um favor. Vai até a secretaria aqui do lado e pede uma nova carga pra minha caneta.

— Tá! — Acabo de responder e saio timidamente pela porta.

Atravesso vários corredores, meio perdido. Corro pela entrada da escola e pude notar a secretaria. Bato na porta algumas vezes e sou recepcionado por uma mulher:

— Que foi, meu bem? — Atende a mulher com a voz fina e acolhedora. Era uma mulher de óculos, com os cabelos amarrados e com uma jaqueta escolar simples.

— O professor pediu que eu viesse pegar uma carga nova pra caneta dele. — Respondo.

— Só um instante. — A mulher parte na direção dos armários e começa a virar tudo de ponta cabeça.

— Aqui está. — Finalmente, ela me entrega aquela carga.

— Obrigado! — Agradeço depois de tanto esperar.

Corro novamente pela sala. Quando vou atravessar os corredores, choco-me contra o corpo de uma pessoa. Nós dois caímos no chão. O óculos dele havia caído no chão, junto da carga de tinta do professor. Ajudo ele a recolher suas coisas e a do professor. Quando ofereço ajuda para levantar, pude notar quem era.

— Desculpa! — Digo timidamente.

— Desculpa! — Implora o garoto. Suas bochechas rubras deixavam ainda mais perceptível sua vergonha. Ele se recompõe e coloca seus óculos.

— E-Ei, você está bem? — Preocupo-me em perguntar.

— Eu estou! Melhor voltarmos! — Responde com certa pressa e corre para sala. Sem entender nada, acompanho ele.

Dylan era realmente o mesmo garoto que eu encontrei no ponto de ônibus? Ou na sala? Quem realmente ele era, eu não sei. Mas observando de tão perto, ele parecia ser diferente.

Notas finais
Então né gente, o personagem passou por uma pequena retrospectiva do dia dele, não estranhem o começo da história. Beijos pro pessoal que teve fé em mim e que ainda continuam tendo, amo todos vocês.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.